Estado concorre com 240 projetos eólicos em leilão

Publicação: 2017-12-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza nesta quarta-feira, 20, por meio de sistema eletrônico, o leilão de geração nº 05/2017, denominado “A-6” de 2017. O Rio Grande do Norte concorre com 240 empreendimentos eólicos cadastrados com oferta de 6.939 megawatts (MW). No início desta semana, a empresa francesa Voltalia arrematou os dois únicos projetos eólicos no Leilão A-4 e irá construir, até dezembro de 2020, dois novos parques no estado com investimentos estimados em R$ 355 milhões.

Rio Grande do Norte é o maior gerador e o estado com maior capacidade de geração de energia eólica em todo o Brasil, diz Cerne
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O certame desta quarta-feira será realizado na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) a partir das 9hs. O objetivo é contratar energia elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração de energia elétrica de fontes hidrelétrica, eólica e termelétrica (a carvão, a gás natural em ciclo combinado e a biomassa), com início de suprimento de energia elétrica em 1º de janeiro de 2023. Nos leilões “A-6”, a contratação é feita com seis anos de antecedência.

Serão negociados Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEARs) por quantidade, com prazo de suprimento de 30 anos para empreendimentos hidrelétricos, por disponibilidade, com prazo de suprimento de 20 anos para empreendimentos eólicos, e por disponibilidade, com prazo de suprimento de 25 anos, diferenciados por fontes, para empreendimentos de geração a partir de termelétrica a biomassa, a carvão e a gás natural em ciclo combinado.

Serão aceitas propostas para quatro produtos distintos: um produto por quantidade e três por disponibilidade, sendo os produtos por disponibilidade divididos em um produto para fonte eólica, outro para o qual disputarão as fontes termoelétrica a biomassa e a carvão, e um terceiro produto para a fonte termoelétrica a gás natural. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou o cadastramento de 1.092 projetos, totalizando 53.424 MW de potência instalada. Desse montante, 953 projetos referem-se a empreendimentos eólicos, 66 de PCHs, 4 de UHEs, 42 de Termelétricas a Biomassa, 4 de Termelétricas a Carvão e o restante (23) de termelétricas a Gás Natural.

Preços estimados
Os preços iniciais aprovados são os seguintes:
Custo Marginal de Referência do leilão: R$ 329,00/MWh.
Preço Inicial para o Produto Quantidade (empreendimento hidrelétrico): R$ 281,00/MWh.
Preço Inicial para o Produto Disponibilidade Eólica: R$ 276,00/MWh.
Preço Inicial para o Produto Disponibilidade Termoelétrica a Biomassa e Carvão: R$ 329,00/MWh.
Preço Inicial para o Produto Disponibilidade Termoelétrica a Gás Natural: R$ 319,00/MWh.

Fonte: Aneel

Bate papo com Jean Paul Prates
Confira a entrevista com o Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne/RN):

Qual sua expectativa em relação a este leilão?
A gente tem que ter consciência que a possibilidade de oferta e de projetos vitoriosos do RN nesse leilão é bem maior e eu diria até que ilimitada. Uma vez que, a responsabilidade pelo risco de não haver capacidade de conexão, ou seja, de linhas de transmissão, pelo edital do A-6, reside junto ao empreendedor. Ele assume o risco de que, nos próximos seis anos, não havendo conexão, ele coloca o projeto e não recebe pela energia contratada, diferente dos editais anteriores cuja responsabilidade era do Estado, da União.

Seis anos são suficientes para resolver qualquer problema, diz Jean Paul Prates
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Não há, portanto, limitação de oferta de energia para esse leilão?
Para o Rio Grande do Norte nesse leilão de A-6, não há limitação da nota técnica da ANS. Mas há, sim, o dever e o cuidado de que uma vez mapeados os projetos vencedores, depois do leilão, comece uma corrida para dar condições que essas linhas de transmissão apareçam em seis anos. Caso isso não seja feito, chegaríamos aos cinco ou seis anos com esses parques construídos e sem conexão, o que seria um absurdo. Seis anos são suficientes para resolver qualquer problema.

Somos, então, um potencial concorrente?
O potencial eólico do RN continua o melhor do Brasil. É a região mais nobre, diríamos, com os estados da Bahia e Ceará, que geograficamente são as melhores regiões. Soma-se a isso uma série de fatores de logística de operação e mão de obra que o RN soube desenvolver nos últimos dez anos.  Como líder nacional, referência no setor, soube compor um cenário favorável. Hoje em dia, temos uma logística muito bem resolvida. O operacional com centros de manutenção de turbinas, apesar de não termos as fábricas. Temos uma capacitação de mão de obra bastante interessante através dos IFRNs, CTGás e Universidades. Tudo isso somado ao processo de licenciamento e desburocratização.


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