Estado prorroga suspensão das aulas por mais 30 dias

Publicação: 2020-08-14 00:00:00
As escolas particulares do Rio Grande do Norte irão tentar retomar as aulas presenciais antes do dia 14 de setembro, nova data estipulada pelo Governo do Estado para possível retorno das atividades presenciais na rede estadual de Educação. A informação foi dada pelo presidente do Sindicato das Escolas Particulares do RN, Alexandre Marinho, na noite de quarta-feira, 13, poucas horas depois do anúncio feito pela governadora Fátima Bezerra (PT), sobre a prorrogação da suspensão das aulas. “Com base em parecer do nosso Comitê Científico, prorrogaremos a suspensão das atividades estudantis em mais 30 dias", disse ela.

Créditos: Magnus NascimentoEscolas particulares tentarão retomar as atividades presenciais antes do dia 14 de setembroEscolas particulares tentarão retomar as atividades presenciais antes do dia 14 de setembro


A suspensão estava prevista para finalizar nesta sexta-feira, 14, com possibilidade de retorno dia 17 de agosto, segunda-feira. Agora, a previsão é dia 14 de setembro, uma segunda-feira. Alexandre Marinho explicou que diante dessa medida, solicitou ao secretário de Estado da Educação, Getúlio Marques, um reunião com o Comitê Científico. A ideia é mostrar que as escolas particulares dispõem de condições de retomar as aulas presenciais, desde que as famílias tenham a opção de escolher se querem enviar os filhos às escolas ou mantê-los em atividades remotas. Marinho explicou que se as aulas continuarem suspensas, o prejuízo - principalmente para as creches e escolas do ensino infantil - será sem precedentes. “É uma situação desesperadora. Eu não sei como elas vão sobreviver. Em muitas já houve demissões", afirmou.

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares explicou, ainda, que na reunião com o Comitê Científico do Estado - que não está marcada, por enquanto - pretende expor que os colégios particulares se prepararam devidamente para o retorno. E que nessa volta às aulas seria oferecido aos pais a opção de aulas presenciais ou remotas. Segundo ele, feito dessa forma, o contingente de alunos que realmente acabaria saindo de casa e indo aos colégios é bem menor que se fossem todos de uma vez.

Segundo ele, os alunos das escolas particulares representam de 15% a 16% do total de alunos da rede de Ensino do RN. E que desse total - segundo sondagens que as escolas privadas fizeram - apenas 30% deveria retornar às salas de aula. Além disso, esse retorno seria todo promovido com base em protocolos de segurança sanitária que garantem a devida proteção aos estudantes. E que tudo isso foi implantado com base em recomendações de órgãos técnicos e exigiram investimento das empresas na área de Educação. O que torna a situação ainda mais difícil. Alexandre Marinho lembrou que nesse período da pandemia, a inadimplência chagou à marca dos 41%. “Nossos protocolos não são baseados em conjecturas. Trabalhamos com a realidade. Em Manaus, faz mais de mês e agora dia 10 começou e não houve acréscimo nos números covid", disse Marinho.

E acrescentou: “A minha frustração é que todos os segmentos estão funcionando. Shoppings, aulas de dança, academias, tudo funciona. E as escolas, não. Onde é que estão os nossos alunos? Estão nos shoppings, nas praias. É uma preocupação muito grande", frisou.

Expectativa

O presidente do Sindicato disse que a expectativa é conseguir demonstrar ao Comitê Científico e à Secretaria de Educação que compreendam a situação e liberem o retorno dessa parcela das escolas. Segundo Alexandre Marinho, caso isso não seja alcançado, de 20% a 25% das creches e colégio do ensino infantil deverão fechar em definitivo. Conforme disse,  há por volta de 400 estabelecimentos de ensino do tipo no RN. Marinho comentou que não há nem como mensurar como será o prejuízo em relação às perdas de empregos, caso isso se confirme.

Créditos: Magnus NascimentoAlexandre Marinho cobra reunião com representantes do Comitê Científico para debater temaAlexandre Marinho cobra reunião com representantes do Comitê Científico para debater tema

“A situação é caótica. A gente está numa situação dessas, imagine. Temos uma pandemia. Todos estão sofrendo. Mas nós estamos sentido mais que todos", disse. Além da reunião que deve acontecer na semana que vem,  Alexandre Marinho explicou que o Sindicato vai discutir que outras medidas e deve, inclusive, tentar conversar com a Prefeitura de Natal sobre o assunto. “Temos que arranjar uma solução", afirmou.

Danos

O presidente do Sindicato observou ainda que além de todo prejuízo para as escolas, há ainda o problema que envolve diretamente os estudantes e suas famílias. Segundo ele, há relatos de pais preocupados com os filhos, há 150 dias em apartamentos e casas. “Eu só queria dizer que as escolas particulares têm que ser vistas com outros olhos. Fazemos parte do sistema todo", defendeu.

Ciclos

No início desta semana,  o secretário Getúlio Marques anunciou a possibilidade de aplicar, na Educação estadual, a metodologia de ciclos unindo dois anos letivos em um só, 2020 e 2021. Essa seria a principal alternativa para combater a evasão escolar e facilitar a retomada do conteúdo perdido, numa possível retomada das aulas no RN. Segundo ele explicou, essa ideia estava sendo estudada pela Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Lazer. Não havia, porém, previsão de quando essa hipótese seria confirmada ou não.

Pela proposta apresentada por Getúlio Marques, os alunos seriam avaliados em ciclos até o final do período que se encerraria em 2021. Após a aprovação do retorno, um estudante do 4º ano seria avaliado ciclicamente recebendo também conteúdo do 5º ano. Ao final do período, estaria apto para receber o certificado das duas séries.  

“A ideia é segurar todos esses alunos sem essa avaliação final agora em 2020, porque quando a gente colocar um período curto, principalmente para aqueles em maior fragilidade, muitos não terão condição e poderemos ter uma perda muito grande, muita evasão", disse o secretário, em entrevista à Tribuna do Norte.

As decisões da SEEC/RN impactam a rede pública de ensino do Estado, responsável pelo Ensino Médio, e as redes privadas e municipais de cidades que não possuem sistema de gestão própria de ensino. Segundo a Secretaria, esse é o caso da maioria das cidades, com exceção das maiores, como Natal, Mossoró e Parnamirim. Com cinco meses de aulas presenciais suspensas, a rede estadual enfrenta dificuldades para implementar um sistema de ensino remoto que contemple de forma igualitária os estudantes, já que a maioria não possui estrutura adequada para estudar em casa. Com isso, os riscos de evasão escolar aumentam, e a SEEC/RN é desafiada a buscar soluções para que os alunos não desistam dos estudos após a pandemia.