Estado registrou 22 tremores de terra este ano

Publicação: 2019-09-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Após um fim de semana com incidência de cinco tremores de terra em João Câmara, a 84 quilômetros de Natal, o Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Labsis/UFRN) informou que, em 2019, registrou outros 17 eventos em seis cidades do Estado. O número neste ano está dentro da média e as incidências recentes são vistas como “normais”, segundo o Labsis.

A Rede Sismográfica Brasileira conta com 50 estações de monitoramento instaladas em todo o Nordeste. O RN tem quatro delas
A Rede Sismográfica Brasileira conta com 50 estações de monitoramento instaladas em todo o Nordeste. O RN tem quatro delas

Os cinco tremores em João Câmara registrados neste domingo (15), cidade com histórico desses eventos, não chegaram a ser sentidos pela Defesa Civil e moradores da cidade. Sobre as incidências desses tremores, o geólogo e técnico  Eduardo Menezes diz que o monitoramento é constante.

“Não está crescendo. A gente passa o que acontece. Lógico, quando você tem uma atividade que é repetitiva, que você vê um crescimento temporal dentro dela, é uma manifestação. Não é o caso daí. Estamos acompanhando, se tiver alguma coisa nesse sentido, a gente vai publicar, agir com a Defesa Civil para tomarmos as devidas ações. Mas é algo normal”, disse.

“Não tivemos notícia desse evento não, contabilizamos na informação porque é importante colocar. Está dentro da média. O que se observa mais é porque existe mais estações sismográficas instaladas, não só no RN, mas em todo o Brasil. Não dá para dizer se está tendo mais, menos. Comparado com 86 e 89, quando se começou a estudar em João Câmara, não tivemos grandes enxames sísmicos”, explica.

De acordo com números extraídos dos relatórios feitos em tempo real pelo Laboratório, o maior tremor de terra registrado em 2019 na escala Richter foi de magnitude 2.7, em Caraúbas, Oeste potiguar, no dia 05 deste mês. Antes, o Labsis registrou um de magnitude preliminar 2.5, no dia 13 de julho, em João Câmara. Nove dias antes, na mesma cidade, um outro evento de magnitude preliminar 1.5 também foi tabulado.

“João Câmara é a maior falha ativa que se tem conhecimento no Nordeste e no Brasil. É uma área que, se a gente comparar outras áreas estudadas, João Câmara é a de maior concentração de sismicidades do Brasil. Ela é diferente por isso”, explica.

Outras quatro cidades do Estado também registraram atividade sismológica neste ano: Bento Fernandes (quatro microtremores abaixo de 1.5); Taipu (3 de magnitudes preliminares e outros 3 de magnitudes inferiores a 1.5);  Fernando Pedroza (magnitude preliminar 1.8); Florânia, tendo um sismo de 1.7 e novamente Caraúbas, com magnitudes preliminares 1.5 e 1.2, além de outros microtremores.

Sobre essas Florânia e Fernando Pedroza, cidades, localizadas no Seridó e Central potiguar, respectivamente, Eduardo explica que são acontecimentos normais, provocadas por alguma falha tectônica no solo. “Provavelmente é alguma área tectônica também, não é provocada por explosões de pedreiras ou atividades humanas.”. Ele explica ainda que  “como no passado a gente não tinha ações demográficas em todo lugar, esse tipo de evento passava despercebido”.

Recentemente, no dia 04 de agosto, um tremor de terra foi registrado no Oceano Atlântico, a 740 km de Fernando de Noronha e 1.100 km de distância do litoral potiguar. À época, esse maremoto, de 5.8 graus na escala Richter, foi ligado a uma possibilidade de tsunami em terras potiguares, mas foi rapidamente desmentido pelos técnicos do Labsis. O epicentro do tremor teve profundidade estimada em 10km e a movimentação da falha não teve deslocamento vertical.

“Eventos com esse tipo de movimentação não têm potencial de gerar tsunamis”, disse a nota à época. O geólogo Eduardo Menezes relembra ainda que aquela região registra semanalmente incidências sísmicas, mas relata que isso não pode ocasionar situações no RN.

Atualmente, a Rede Sismográfica Brasileira conta com 50 estações de monitoramento instaladas em todo o Nordeste. O Rio Grande do Norte tem com quatro delas, localizadas nas cidades de João Câmara, Paraú, Pau dos Ferros e Pedro Velho, além de uma na cidade de Riachuelo, pertencente a USGS (Serviço Geológico do Estados Unidos), com o LabSis promovendo as manutenções na estação.

Tremor de 86
O maior tremor de terra registrado no Rio Grande do Norte foi em 30 de novembro de 1986, na cidade de João Câmara, região do Mato Grande. O terremoto daquela época foi de 5,1 pontos na escala Richter e chegou a ser sentido em Natal, conforme reportagem da TRIBUNA DO NORTE à época.

Os tremores racharam casas e derrubaram paredes, “gerando um clima de pânico na população”, registrou o jornal à época. Milhares de pessoas precisaram sair de casa durante a madrugada com medo de desabamentos.

Naquele ano, ministros e autoridades do Governo Federal, comandado então pelo presidente José Sarney, se deslocaram ao Estado para liberar recursos para recuperar os danos provocados pelo tremor. O governador Radir Pereira decretou estado de calamidade. Um novo tremor de terra viria a ser sentido três anos depois.

Os tremores em 2019
Caraúbas: Três tremores. Dois eventos no dia 07/03, magnitudes preliminares 1.5 e 1.2 e um no dia 05/09, com magnitude 2.7

Bento Fernandes: Três microtremores em 01/05, magnitude abaixo de 1.5.  Em 20/07 também foi registrado um microtremor no município

Florânia: Sismo no dia 15/05, com magnitude preliminar calculada em 1.7.

João Câmara: Sete tremores, um em 13/07 (Magnitude preliminar 2.5) e o segundo em 04/07 (magnitude preliminar 1.5). No domingo, 15, foram cinco, sendo o de maior magnitude calculado em 1.5.

Taipu: Seis tremores. Em 03/08 (magnitude preliminar 1.3), 07/08 (magnitude preliminar 1.2), 11/09 (magnitude preliminar 1.0) e três microtremores (magnitude inferior a 1.5) no dia 20/07.

Fernando Pedroza: Tremor em em 22/08 (magnitude preliminar 1.8).


Fonte: Labsis/UFRN




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