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Estado tem 13 mil pessoas em fila de cirurgias eletivas
Publicado: 00:00:00 - 25/09/2021 Atualizado: 22:53:17 - 24/09/2021
A fila de cirurgias eletivas no Rio Grande do Norte é de até 13 mil procedimentos, isto é, de pacientes que aguardam uma cirurgia na rede pública do Estado. O levantamento é da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap-RN). Um dos fatores que justificam essa espera por parte dos potiguares é a pandemia de coronavírus, que paralisou, por duas ocasiões, as cirurgias no RN. Em 2021, segundo a Sesap, foram feitas 982 cirurgias no Estado. O período pandêmico em 2020 fez com que o Estado tivesse uma queda de 26% em procedimentos ambulatoriais em relação a 2019, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). 

Divulgação
Lyane Ramalho, secretária-adjunta da Sesap, diz que Estado retomou eletivas em julho e deve fazer 10 mil procedimentos em 2021

Lyane Ramalho, secretária-adjunta da Sesap, diz que Estado retomou eletivas em julho e deve fazer 10 mil procedimentos em 2021


De acordo com o CFM, o Rio Grande do Norte deixou de fazer 348.061 procedimentos médicos ambulatoriais ambulatórios pelo Sistema Único de Saúde. Em 2020, foram 985.905 procedimentos contra 1.333.970 em 2019. Em comparação aos 16 estados do Norte Nordeste, o RN foi o 10º mais afetado com a situação. Só o Amapá e Distrito Federal apresentaram superavit entre todos os estados. 

Para a secretária-adjunta da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), Lyane Ramalho Cortez, a queda no número de procedimentos está diretamente associada às suspensões relativas à pandemia de Covid-19 e a necessidade do Poder Público de focar as atenções na estruturação de leitos para a pandemia.

“No ano passado precisamos centrar forças no enfrentamento da pandemia e os profissionais precisaram ser aproveitados nos hospitais, portas de entrada e alguns procedimentos, inclusive, precisaram ser suspensos pela própria pandemia”, aponta. 

Para reduzir essa fila, a Sesap anunciou, em julho deste ano, a reativação do programa “Mais Cirurgias, Mais Saúde”, com o objetivo de realizar pelo menos 10 mil procedimentos cirúrgicos até o fim do ano nas 8 regiões de saúde do Estado. O investimento é de R$ 18 milhões. Segundo o Governo, em 2019 a fila de espera era de 18 mil pessoas esperando por um procedimento cirúrgico. “Essas pessoas estão sendo buscadas pelos municípios e regionais de saúde, de modo que não fique ninguém de fora”, aponta. 

Ainda de acordo com Lyane Ramalho, subsecretária de Planejamento e Gestão da Sesap, dois chamamentos públicos já foram realizados para credenciamentos de prestadores de serviços, mas alguns municípios não conseguiram se credenciar e um novo edital será aberto ainda esta semana. “O que queremos é exaurir a fila”. 

Uma série de especialidades serão contempladas com o programa, entre cirurgia geral adulto, vasculares, anestesiologia, traumato-ortopedia, ginecologia e urologia. 

“Estamos migrando de um sistema antigo e criando um Regula Ambulatorial. E assim como o Regula Covid, poderemos ver o cenário dentro de uma sala de situação pública”, acrescenta. 

Quem está aguardando há pelo menos dois anos por uma cirurgia de hérnia em decorrência de outro procedimento (apendicite) é o potiguar Francielio Medeiros, morador da cidade de Campo Redondo. As fortes dores  na barriga o impedem de exercer sua profissão, de taxista, e ele está conseguindo se manter graças a benefícios do INSS.

“Estou sem poder trabalhar, sou transplantado de rins. E ultimamente piorou. Sinto muitas dores”, explica Francielio. Ele está internado desde o dia 21, no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e vive a expectativa de fazer a cirurgia e voltar a poder trabalhar. 

Histórico
No início da pandemia, em março do ano passado, as cirurgias foram suspensas pela primeira vez por causa do quadro epidemiológico da Covid-19. Com a queda nos novos casos e mortes no segundo semestre, os procedimentos foram retomados em 3 de setembro de 2020, com a possibilidade de serem paralisados com um eventual recrudescimento da pandemia. Foi o que ocorreu na segunda onda da Covid-19 neste ano, com a Sesap tendo de suspender mais uma vez em abril. Em julho de 2021, os procedimentos foram retomados.

Em reportagem publicada no último dia 25 de abril, a TRIBUNA DO NORTE mostrou que a pandemia impediu 12.818 cirurgias eletivas em todo o Rio Grande do Norte, no comparativo com o ano de 2019. 

Brasil reduziu 26 milhões em procedimentos
Ao comparar o volume de atendimentos médicos registrados no Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA-SUS) e realizados entre março (primeiro mês da pandemia no Brasil) e dezembro de 2020 com o mesmo período do ano anterior, o CFM constatou a redução de pelo menos 16 milhões de exames com finalidade diagnóstica, 8 milhões de procedimentos clínicos, 1,2 milhão de pequenas cirurgias e 210 mil transplantes de órgãos, tecidos e células.

“Uma das medidas de enfrentamento à covid-19, de reconhecimento nacional e internacional, foi a suspensão de procedimentos eletivos com o intuito de preservar equipamentos de proteção individual, preservar leitos e evitar o colapso do SUS e consequente desassistência a pacientes infectados pelo novo coronavírus”, lembra Mauro Ribeiro, presidente do CFM. O desafio agora, avalia, é “preparar o Brasil para a retomada segura desses atendimentos”.

Segundo o CFM, os procedimentos realizados por oftalmologistas, sobretudo consultas e exames de mapeamento de retina e aferição da pressão intraocular (tonometria), caíram de 18,5 milhões em 2019 (março a dezembro) para 12,2 milhões. Um déficit de pelo menos 6,3 milhões (-34%) entre os períodos analisados. 

No ranking das áreas médicas mais acometidas além da oftalmologia estão a radiologia, com redução de 5,4 milhões de procedimentos; a clínica médica (-2,8 milhões); e a radioterapia (-2,6 milhões).

Também figuram entre as dez áreas mais afetadas a anatomopatologa (-2 milhões); cardiologia (-992,6 mil); medicina laboratorial (-973,5 mil); citopatologia (698,7 mil), neurologia (-535,8 mil); e ginecologia e obstetrícia (-534,3 mil). 

De modo geral, a consulta médica em Atenção Especializada foi o procedimento ambulatorial mais afetado pela pandemia: baixou de 8,3 milhões para 5,6 milhões – redução de 2,6 milhões de acolhimentos (-32%). Em segundo lugar na lista dos dez procedimentos com maior queda absoluta está a tonometria: quase 2 milhões de exames a menos. 

2021
No 1º semestre de 2021, o número de procedimentos eletivos foi de 50 milhões, 20% a mais do que no 1º semestre de 2020, quando foram registrados 41,6 milhões de consultas, exames e cirurgias. Quando comparado com o 1º semestre de 2019, o número representa uma queda de -14%.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) avalia que é possível adotar uma série de medidas para tentar compensar a queda, como campanhas junto aos pacientes, sobretudo para os que têm doenças crônicas.

Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde afirmou, em nota, que a organização dos procedimentos de saúde e dos critérios para definir prioridades cabe aos estados e municípios. Segundo a nota, o órgão disponibilizou R$ 350 milhões em recursos adicionais para esse tipo de procedimento.

De acordo com a pasta, no primeiro semestre foram realizados 3,7 milhões de cirurgias eletivas, com aumento em relação ao mesmo período de 2020, com 3,4 milhões desses procedimentos, mas ainda há queda se comparado ao primeiro semestre de 2019, quando equipes de saúde fizeram 4,9 milhões de cirurgias.

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