"Estamos no fundo do poço", diz Paulo Guedes

Publicação: 2019-05-15 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira, 14, que o governo “não vai vender falsas esperanças" em relação à situação fiscal difícil que o País enfrenta. “Não adianta achar que vamos crescer 3%, a realidade é que estamos no fundo do poço", afirmou.

Paulo Guedes disse que PIB deste ano deverá ficar em 1,5% se reforma da Previdência for aprovada
Paulo Guedes disse que PIB deste ano deverá ficar em 1,5% se reforma da Previdência for aprovada

Em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, Guedes disse que o governo trabalha com transparência e corrige previsões relacionadas à economia rapidamente.

Mais cedo, Guedes chegou a dizer que a previsão para o crescimento do PIB “já está em 1,5%" e o secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, completou que a previsão oficial, nesta semana em 2,2%, será reduzida.

O ministro disse, no entanto, que o cenário fiscal pode melhorar com questões como a cessão onerosa e as reformas, o que levaria a uma revisão das metas fiscais "muito proximamente.

Em relação à reforma tributária, Guedes disse que quer simplificar e reduzir alíquotas para aumentar a base de pagantes e cortar subsídios. “O objetivo da reforma tributária é que todos paguem para pagar menos", completou.

Com um projeto de crédito suplementar de R$ 248 bilhões para cumprir a regra de ouro tramitando no Congresso Nacional, o ministro afirmou que o governo pode aperfeiçoar a norma, que proíbe que o Executivo se endivide para pagar receitas correntes. "O pedido de crédito suplementar revela a indisciplina do governo", concluiu.

Guedes disse ainda que houve desvio “enorme" do papel das empresas estatais e defendeu a privatização delas, ponderando que o presidente Jair Bolsonaro tem reticências com algumas. “Houve um desvio terrível. As estatais quebraram. Não foram só os Correios. Quebraram também os Postalis (fundo de pensão dos Correios). Cem mil carteiros estão sem receber suas aposentadorias", afirmou.

O ministro mencionou a Petrobras e seu fundo de pensão, Petros, e também o Portus, fundo de pensão dos funcionários do Porto de Santos. “É um problema atrás do outro. A conta está chegando. São bilhões chegando."

Armadilha
Na audiência, Guedes disse que sempre olhou as estimativas de crescimento em torno de 2% “com ceticismo". “Havia expectativa de que reformas tivessem rapidez e antecipavam forte recuperação econômica", justificou. “Brasil está prisioneiro da armadilha de baixo crescimento, não é de hoje. Nunca achei que a coisa seria fácil "

O ministro reforçou que a estimativa de crescimento das receitas é impactada pelo crescimento da economia e exemplificou que, se o Brasil crescer 1%, a receita vai crescer um pouco mais.

Guedes repetiu que a reforma da Previdência é necessária para reverter o cenário de agravamento fiscal e o endividamento. “Nossa ideia é interromper bola de neve do endividamento ano que vem. A economia pode se recuperar com certa rapidez se fizer reformas encomendadas", concluiu.





continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários