Estamos perdendo batalhas na luta contra os vírus

Publicação: 2020-07-15 00:00:00
Ricardo Lagreca
Médico

É verdade que a medicina alcançou progressos muito expressivos, a partir da década de 30 do século passado e do século atual.
As descobertas das vacinas antivirais através das pesquisas de homens como Pasteur, Salk, Sabin e do antibiótico penicilina, por Fleming, foram os mais importantes marcos, responsáveis pelo aumento da vida média da população do nosso planeta.

Também é verdade,  que o avanço da tecnologia, notadamente nas últimas décadas, é um outro fator que eleva a vida média das pessoas para um outro patamar, trazendo os que foram salvos pelas vacinas e antibióticos para um outro período de maior longevidade. Cirurgias invasivas como a do coração, do cérebro,  as cirurgias laparoscópicas, métodos diagnósticos certeiros e menos ou não invasivos , como o ultrassom, a tomografia computadorizada , a ressonância magnética, a endoscopia e o emprego de próteses as mais variadas, foram frutos da própria natureza do homem, irrequieta e sempre em busca de  descobertas desafiadoras.;

Por outro lado, ainda não observamos tamanho progresso, no enfrentamento dos vírus. Continuam sendo uma ameaça constante à humanidade. Os tratamentos mais eficazes para eles, até o momento, continuam sendo de natureza imunológica, através dos anticorpos naturais e de anticorpos  induzidos pelas vacinas. Além disto, a diminuição das replicações e alguns  outros mais, não tem demonstrado uma eficácia que nos deixe sentir seguros, o bastante, para  a luta. Um exemplo disto, é o que vem ocorrendo com o coronavirus 2 (SARS CoV-2).

 E por que continuamos assim?  O vírus tem alguns atributos  de um ser vivo, como material genético e evolução, mas não realiza atividades bioquímicas ou metabólicas fora da célula do hospedeiro, essenciais para ser classificado como ser vivo.

De uma maneira ou de outra, poderia se esperar uma maior vulnerabilidade a alguns tratamentos físicos ou químicos alterando a  sua estrutura, como se realiza com as bactérias e fungos. Mas até agora, infelizmente, isso não foi possível. 

O caminho imunológico, sem dúvida, continua sendo o essencial e ai de nós se não fosse ele. Todavia, o aspecto de se aprofundar os estudos para intervir, como já foi dito, na sua própria  estrutura, poderá oferecer  outro recurso de enfrentamento, a este agente de tamanha agressividade, as vezes parecendo ser  maior do que o homem, causando significativa  mortalidade, através de todos os tempos.