Estreia promissora de Pedro Fasanaro

Publicação: 2018-01-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Quando surgiu a oportunidade de fazer um teste para “Onde Nascem os Fortes”, a nova supersérie da TV Globo, o natalense Pedro Fasanaro escolheu interpretar uma personagem mulher. Sua performance no vídeo enviado para a produção impressionou, mas ele não ficou com a personagem. Ganhou outro papel, o de Valdir, o jovem recepcionista do Hotel Pedra Bonita, um dos principais núcleos da trama escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, com direção artística de José Villamarim.

Pedro Fasanaro é Valdir, recepcionista do hotel onde Maria (Alice Wegmann) se hospeda em Sertão. Na cena, que será exibida no segundo capítulo, a jovem vai com o namorado, Hermano (Gabriel Leone), atrás do irmão desaparecido, Nonato (Marco Pigossi)
Pedro Fasanaro é Valdir, recepcionista do hotel onde Maria (Alice Wegmann) se hospeda em Sertão. Na cena, que será exibida no segundo capítulo, a jovem vai com o namorado, Hermano (Gabriel Leone), atrás do irmão desaparecido, Nonato (Marco Pigossi)

“Dos textos que recebi para fazer o teste, me identifiquei mais com o papel da Valquíria. Naquele momento foi o que me pareceu mais denso. O teste foi bem legal. Mas a produção me pediu para  gravar outro vídeo, dessa vez com o texto sugerido por eles. Queriam ver outras possibilidades de interpretação. Acho que deu certo”, comenta bem humorado o artista potiguar, por telefone, no intervalo das gravações no Rio de Janeiro.

Como Valdir, Pedro Fasanaro tem contracenado com Patrícia Pillar, Alexandre Nero e Alice Wegmann. Estar frente a frente com artistas mais experientes em televisão e ter no set de filmagem uma equipe gigante assustou um pouco o ator de 20 anos, que depois de trabalhos em Natal com performance arte, teatro e curta-metragem, estreia na TV justamente numa grande produção.

“A transição para a televisão foi um pouco drástica. Nos curtas que participei eram no máximo 10 pessoas no set. Nessa produção a equipe é gigante te assistindo. Dá uma pressão”, conta o ator. Mas o baque do começo se dissipou, tanto que sua desenvoltura diante das câmeras fez o personagem ganhar nova dimensão, como informou a assessoria de comunicação da Globo. “Fui muito bem recebido por todos. Isso me deixa confortável para gravar. Agora tem sido tranquilo. Já me sinto familiarizado com a equipe. E como a produção é longa, você acaba desenvolvendo vínculos”.

Prevista para estrear no primeiro semestre de 2018, “Onde Nascem os Fortes” trata de amores impossíveis, ódio e perdão no sertão nordestino, onde, às vezes, quem vence é o mais forte e não a lei. “A série fala de força, sobre a força que nasce em momentos de conflito. Me identifico bastante com isso”, comenta Fasanaro. As filmagens de “Onde Nascem os Fortes” começaram em outubro, em locações no interior de Paraíba  (Cariri) e nos estúdios da Globo. A produção ainda passará por Pernambuco e Piauí. O elenco ainda traz Zé Dumont, Irandhir Santos, Enrique Diaz e Jesuíta Barbosa.

Confira o bate papo com o ator, Pedro Fasanaro:

Pedro Fasanaro: O Valdir é recepcionista do Hotel Pedra Bonita, um lugar bem simples. Ele é um jovem que vive numa cidade sertaneja. De alguma forma me traz memórias de Natal
Pedro Fasanaro: ''O Valdir é recepcionista do Hotel Pedra Bonita, um lugar bem simples. Ele é um jovem que vive numa cidade sertaneja. De alguma forma me traz memórias de Natal''

Quem é Valdir, seu personagem em “Onde Nascem os Fortes”?
O Valdir é recepcionista do Hotel Pedra Bonita, um lugar bem simples. Ele é um jovem que vive numa cidade sertaneja, muito pequena. De alguma forma me traz memórias de Natal, que embora não seja do sertão, é uma cidade pequena onde muitos se conhecem, a classe artística é pequena.

Como tem sido as filmagens?
Gravei algumas cenas com a Patrícia Pillar, Alice Wegmann, Alexandre Nero. Me enquadro nesse espaço do hotel e as pessoas que passam por lá eu acabo interagindo. Ano passado gravamos na Paraíba e agora estamos filmando em estúdio, no Rio de Janeiro. Tem sido uma experiência incrível trabalhar com uma equipe tão profissional. Estou atuando com atores muito generosos. É uma experiência única. As coisas são feitas pensando em muitos detalhes. Estar participando disso é muito gratificante.

Em Natal você trabalhou com performance, teatro e atuou em curtas metragens. Como é participar de um grande projeto para TV?
É um processo mais intenso. Acabamos desenvolvendo uma relação muito maior com o personagem. Performance, teatro, cinema, televisão, é tudo muito diferente. Cada trabalho é uma experiências nova e é legal estar aberto para o novo.

No teste para “Onde Nascem os Fortes” você escolheu uma personagem mulher para interpretar o texto. O que te levou a isso?
Na faculdade vinha pesquisando bastante a Teoria Queer, que investiga questões de desconstrução de gênero. Nesse período comecei a me entender como indivíduo trans, no sentido do não binário. Mas nem gosto de definições. Dois gêneros não são suficientes para abraçar todas as possibilidades de identificação que existem. E acredito que todas as pessoas são dotadas de energias masculinas e femininas. Prefiro me identificar como “nada” e aceitar possibilidades do “todo”.

Você também tem uma banda, a Reconvexo, que se apresenta neste sábado, no Festival Ribeira 360º. Que banda é essa?
Sou um dos vocalistas do Reconvexo e toco percussão com castanholas em algumas músicas. Entrei na banda na metade do ano passado. A proposta da gente é desconstrução total. Trabalhamos com cantores e artistas LGBTs. As músicas tocam nessas questões, falam desse mundo, mas também abordam as pessoas negras, os trabalhadores. Queremos dar visibilidade a essas pessoas que antes eram minoria e hoje estão dando a cara.

Colaborou: Cinthia Lopes, Editora


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