Estudantes lotam ginásio do IFRN para evento com Guilherme Boulos

Publicação: 2019-05-15 14:43:00 | Comentários: 0
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Os protestos contra a decisão do Ministério da Educação de cortar os recursos da pasta, previstos durante toda esta quarta-feira (15) têm início no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) com uma 'aula pública' e presença do ex-presidenciável Guilherme Boulos. O ginásio da instituição, no campus central, está completamente lotado de estudantes, militantes políticos e professores.

Estudantes lotam ginásio do IFRN campus Central



A aula pública antecede o ato de rua marcado para o fim da tarde, nos cruzamentos das avenidas Bernardo Vieira e Salgado Filho. A manifestação acontece em várias capitais do país contra o corte e bloqueio de recursos do Ministério da Educação.

A principal presença é a de Guilherme Boulos. O partidário do PSOL começou a falar por volta das 14h com críticas ao governo de Jair Bolsonaro, principalmente às medidas relacionadas a Educação. “A crise a educação do Brasil, não é uma crise, é um projeto político", afirmou Boulos, citando a frase do educador brasileiro Darcy Ribeiro.

O discurso de Boulos é focado nas primeiras ações do governo federal, as quais ele classifica como retrocesso.

A participação de Guilherme Boulos não se limita às críticas ao presidente Jair Bolsonaro. Boulos anuncia as bases para o que ele acredita que deve ser um "novo projeto político" para o Brasil, fundamentada contra o agronegócio, a desigualdade social, a atual política de repressão às drogas, dentre outras pautas. "A gente não pode achar natural a locomotiva desse país ser o agronegócio, que mata indígenas e destrói as florestas. Não podemos ficar olhando só para trás, mas fazer um projeto político para o futuro".

Durante o discurso, ele também lembrou de Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em março do ano passado, e pediu justiça. "Marielle morreu por aquilo que representava. Por ser uma mulher negra, da favela e que decidiu entrar para a política. Eles não aceitaram isso".

A aula pública aconteceu sem intervenções durante a maior parte do tempo, mas um grupo de três alunos, vestidos com camisas do Movimento Brasil Livre (MBL), de direita, começou a gravar a aula e desagradou parte dos presentes, que entenderam o ato como provocação. A direção do sindicato dos professores, que organizou a ida de Boulos à instituição, conseguiu contornar a situação. "Eles podem permanecer aqui. Esse é um ambiente democrático. Se estão ou não provocando, esse é um ambiente democracia", declarou um dos diretores. Mesmo sob um forte calor, os presentes permaneceram até o fim do discurso de Boulos.


Cortes
Ao menos 75 das 102 universidades e institutos federais do País convocaram protestos para esta quarta-feira, 15, em resposta ao bloqueio de 30% dos orçamentos determinado pelo Ministério da Educação (MEC). Elas terão apoio de universidades públicas estaduais de diversos Estados. Um dos alvos do protesto, o ministro da Educação Abraham Weintraub, disse nesta terça (14) que as universidades precisam deixar de ser tratadas como "torres de marfim" e não descartou novos contingenciamentos.

O ministro se esquivou de fazer comentários sobre a greve, mas condicionou a liberação dos recursos bloqueados à aprovação da reforma da Previdência e não descartou novos cortes. Weintraub procurou ainda reduzir a importância do bloqueio sofrido pela pasta que lidera, citando outros ministérios que tiveram contingenciamentos maiores, como a Defesa.

Nesta quarta-feira (15) uma fala do presidente Bolsonaro inflamou o debate. Isso porque o presidente da república disse que os estudantes que protestam contra o corte de verbas para a educação são "idiotas úteis" e "massa de manobra". A frase foi dita em Dallas, nos Estados Unidos, onde o presidente cumpre compromissos de agenda.

É natural, é natural, mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais do Brasil", disse aos jornalistas na porte do hotel onde ficará hospedado.

Bolsonaro afirmou ainda que não gostaria de fazer o corte, mas culpou a situação herdada dos governos anteriores.





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