Estudo aponta desafios e oportunidades para micro

Publicação: 2016-01-31 00:00:00 | Comentários: 0
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A instalação de novos parques de energia eólica no Rio Grande do Norte abre também a oportunidade para empreender. Novos negócios em diversas áreas da economia que, segundo especialistas, se bem aproveitadas podem mudar a qualidade de vida nas cidades da região. Um Guia do Setor Eólico  do Rio Grande do Norte  foi criado para nortear investidores e garantir a criação de um arranjo produtivo.

O estudo, elaborado pelo Sebrae, CTGás-ER, Sistema Fiern e o Banco do Nordeste, mapeou as perspectivas de mercado e desafios encontrados nos processos de construção, montagem, operação e manutenção de parques eólicos. E analisa a cadeia produtiva e indica onde e como as micro e pequenas empresas podem encontrar oportunidades de negócios.
Ana SilvaZeca Melo: Guia lista atividades, tecnologia e serviços em todas as fases dos empreendimentosZeca Melo: Guia lista atividades, tecnologia e serviços em todas as fases dos empreendimentos

O documento, explica o superintendente do Sebrae, Zeca Melo, lista todas as atividades, tecnologia e serviços  necessários  em todas as fases dos empreendimentos eólicos, de forma a identificar que atividades podem se integrar à cadeia produtiva do segmento. A ideia é orientar como cada empresa pode se estruturar para fornecer, como terceirizado.

“É um instrumento que facilita o diálogo entre fornecedores de bens e serviços do estado e e empresas eólicas que precisam ter acesso a esta  oferta. São oportunidades das mais diferenciadas, desde o serviço de terraplenagem, drenagem a fornecimento de alimentos, hospedagem e consultoria jurídica”, diz Zeca Melo.

A perspectiva de novos postos de trabalho, aumenta também a exigência por qualificação.  Mesmo com o  nível de formação de profissionais  crescendo nos últimos cinco anos, a diretora do Centro deTecnologia do Gás e Energias Renováveis, Cândida Amália, admite ser preciso ampliar ainda mais a oferta de cursos nas áreas técnicas e de especialização superior para dar suporte ao setor.

“Qualificação de mão de obras não é, no Rio Grande do Norte, um gargalo para o setor. “Ao contrário, temos um bom nível de profissionais ma a diretora. “E o Centro  cumpre o seu papel de prover soluções em educação profissional e tecnologia em energias renováveis”, acrescenta.

Desde 2011, o Centro passou a ofertar cerca de 20 cursos entre técnicos de curta e longa duração, além de especialização lato sensus em energias renováveis. “Para este ano, trabalhamos para oferecer especialização em aerogeradores em cooperação com institutos alemãs, considerados referência nesta tecnologia”, afirma.

E na hora de contratar, os cursos de capacitação e especialização são considerados diferenciais,  conta o professor do curso de especialização em energia eólica do Ctgas-ER e co-autor do Guia, Darlan Santos. “Há  oportunidades para quem tem o conhecimento específico. Mesmo em época de crise, o mercado não sofre o desaquecimento da economia e continua buscando e remunerando melhor esses profissionais”, afirma o professor.

Em média, as empresas contratam um profissional técnico em energia renováveis com salários de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil.

Números
20 - é o número de cursos de qualificação de mão de obra oferecidos no RN
2.500 - reais é o salário médio pago pelas empresas de energia eólica que instaladas no Estado

Bate papo com Jean-Paul Prates, diretor do Cerne
A que se deve o crescimento na geração de emprego, na avaliação do senhor?
O crescimento é proporcional ao número de empreendimentos eólicos.  Enquanto houver parques sendo erguidos o número de postos de trabalho vai seguir sendo expressivo. E a tendência será de decréscimo a partir de 2020, pela própria saturação do território.  Mas, por outro lado, a onda da energia solar, que começa a despontar, deve suprir e compensar essa queda.

Onde estão estas oportunidades?

Sempre na fase de construção dos parques é que o grosso da mão-de-obra é utilizado. Depois de prontos, a maior parte é operada à distância e conta com poucos técnicos no local, para o suporte presencial. 

A qualificação de mão de obra ainda é um entrave para o setor?
Não. Deixou de ser à medida em que as instituições de ensino e outras como o Cerne passaram a investir em novos cursos voltados para esse público. E o interesse é grande. A primeira turma do curso de Gestão em Energia Eólica organizado pelo Cerne esgotou as vagas em poucos dias. Há qualificação ocorrendo pelo Senai, pelo Ctgas-ER que é um centro de excelência em energias renováveis, em formação de mão de obra e pesquisas do setor e garante para Natal reserva de capital humano. Também já temos graduação e especialização superior pela UFRN e UnP e os Institutos Federais (IFs), em João Câmara.  O que é importante pois precisamos do profissional de campo, não de escritório, com  de conhecimento para que as vagas sejam perenizadas na região.

A crise econômica não tem, a exemplo de outras atividades, atingido o segmento de eólica?
Atingiu também o setor eólico, mas numa escala bem menor quando comparamos a outros setores. Vale frisar que no mundo, com crise ou não, os números em eólica não param de crescer. Outro ponto altamente relevante: diferente da Europa e Estados Unidos, o Brasil ainda nem passou pela primeira repotenciação (que é quando os equipamentos mais antigos e menos eficientes começam a ser trocados por novos, e isso gera novas obras, mas mais potencia futura). Isso se fala pouco, mas tem muita relevância. Em breve este processo vai começar a acontecer e é uma nova geração de empregos.   

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