Estudo elaborado pelo Banco Mundial aponta desafios às mulheres

Publicação: 2019-11-17 00:00:00
O estudo Mulheres, Empresas e o Direito 2019, elaborado pelo Banco Mundial mostra que, em termos globais, o Brasil apresenta uma boa posição, comparativamente a outros países no que diz respeito à liberdade para a mulher se deslocar, iniciar um trabalho, no casamento – já que não há lei no país que impeça a continuidade do trabalho depois de uma união, como acontece em outros países –, além da autonomia de poder gerenciar seus próprios ativos, não tendo esse poder outorgado ao marido. Entretanto, o país ainda peca no quesito remuneração, em que há claras diferenças entre homens e mulheres, bem como na maternidade – onde que não há licença parental estabelecida por lei, apenas maternidade. Outro aspecto fundamental apontado no estudo, é a questão do empreendedorismo. Segundo o Banco Mundial, o Brasil poderia melhorar sua pontuação se introduzisse uma cláusula de não discriminação com base no gênero, no acesso ao crédito. Já o estudo Empreendedorismo Feminino no Brasil, produzido pelo Sebrae, aponta que os desafios ao empreendedorismo feminino ainda são enormes, mas importantes conquistas já foram alcançadas.

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Os dois estudos foram apresentados durante o seminário “Mulheres, Empresas e o Direito 19”, promovido pelo Banco Mundial, Sebrae e Fundação Getúlio Vargas (FGV) mês passado. O evento marcou o lançamento do relatório do Banco Mundial que apresenta uma análise dos problemas jurídicos que as mulheres enfrentam para desempenhar trabalho remunerado em todo o mundo e como que as leis de cada país influenciam nessa decisão. O seminário, mediado por Lígia Sica, coordenadora do Núcleo de Direito, Gênero e Identidade da FGV Direito SP, contou com a participação da coordenadora nacional de projetos de empreendedorismo feminino do Sebrae, Renata Malheiros, além de Junia Nogueira, da Rede Mulher Empreendedora, e Paula Tavares, do Banco Mundial.

Renata Malheiros reforçou que o trabalho do Sebrae é fomentar o empreendedorismo, e que, por isso, é tão importante apoiar os projetos de mulheres, já que elas representam 50% dos novos negócios no país. “É mais difícil empreender quando se trata de mulheres, e os motivos são basicamente culturais. A legislação avançou bastante, mas as questões culturais ainda são barreiras”, avaliou. “Metade das empresas são abertas por homens, mas 44% das mulheres que empreendem, o fazem por necessidade, frente a 32% dos homens. O ideal é empreender por oportunidade”, explica ela, detalhando que, nesse último caso, o benefício é que há um maior planejamento antes de se abrir o próprio negócio. “Nós do Sebrae buscamos trabalhar para que a maior parte do empreendedorismo seja por oportunidade”.

A analista do Sebrae ressaltou ainda que os principais setores liderados por mulheres no país são de alimentos e bebidas, vestuário e beleza. Explicou que é preciso aumentar a presença de empresas lideradas por mulheres em setores altamente inovadores, como robótica, biotecnologia, tecnologia da informação, entre outros. Segundo Renata Malheiros, essa é ainda uma questão cultural, pois as mulheres têm capacidade para estarem em todos esses setores, mas as barreiras culturais ainda prejudicam. Ela também destacou a importância de políticas empresariais que englobem questões relacionadas à maternidade, bem como o engajamento dos homens neste debate.