Estudos comprovaram ineficácia de medicações

Publicação: 2021-01-24 00:00:00
Quando a pandemia teve início e ainda não se sabia o que fazer para salvar os pacientes, profissionais de saúde tentaram administrar o que havia de disponível e pesquisas foram iniciadas com o objetivo de reverter os impactos devastadores da doença. Infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Maria Cláudia Stockler explica que a tentativa de intervenção acompanha a história da humanidade, desde a pajelança ao uso de sanguessugas, mas que a Medicina busca inovação com eficácia e testes já apontaram que essas medicações não funcionam contra o vírus.

"Esta doença, por ser nova, não tem ainda critérios prognósticos", afirma ela. 'O que a gente sabe de tratamento para covid? Dexametasona para quem precisa de oxigênio suplementar. O remdesivir tem impacto para pacientes graves, mas é muito caro. Todo o resto não é nada. Em sites americanos e europeus, não há recomedação para usar azitromicina, hidroxicloroquina e ivermectina."

No Brasil, a Coalizão Covid-19, que reúne hospitais e institutos de pesquisa do País, realizou estudos com hidroxicloroquina e azitromicina, associadas ou não, e os resultados não apontaram eficácia. "No primeiro deles, em pacientes hospitalizados com covid-19 de gravidade moderada, verificamos que hidroxicloroquina ou azitromicina são incapazes de melhorar a evolução clínica dos pacientes. Nos grupos que receberam hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, houve aumento no risco de alterações de exames laboratoriais refletindo lesão do fígado e alterações do eletrocardiograma que podem predispor a arritmias cardíacas", explica Alexandre Biasi, superintendente de pesquisa do HCor e membro do grupo.

"O segundo estudo avaliou o efeito da azitromicina em pacientes hospitalizados com formas mais graves de covid-19. Verificamos que não havia efeito algum da azitromicina para estes pacientes", completa. Segundo Biasi, o grupo não estudou com ivermectina e nitazoxanida, mas pesquisas realizadas ainda não têm dados robustos para que a indicação seja feita.

"Em relação à ivermectina, não há trabalhos randomizados publicados. Alguns dados disponíveis de estudos no Irã, no Egito e na Índia sugerem potencial benefício, mas não há como avaliar conclusivamente os resultados, porque ainda não estão publicados A nitazoxanida também tem sido estudada por ter efeito in vitro Mas ainda se desconhece o real benefício nas infecções pelo Sars-CoV-2. Estudo brasileiro sugere redução modesta da carga viral nos pacientes que receberam a medicação, porém não houve efeito nos sintomas", diz ele. O estudo sobre o vermífugo foi divulgado em cerimônia pelo Planalto apenas com dados parciais e com a divulgação de um gráfico de barras retirado de um banco de imagens. (AE)













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