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Estudos preliminares apontam para inverno positivo no semiárido do RN
Publicado: 00:00:00 - 19/12/2019 Atualizado: 00:34:44 - 19/12/2019
A oscilação da temperatura no oceano Atlântico é o fator preponderante para que ainda não haja uma definição sobre previsões pluviométricas para o inverno no semiárido potiguar, de acordo com gerente de meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), Gilmar Bristot. No entanto, segundo o especialista, a situação do momento aponta para números semelhantes na quantidade de chuvas que deve cair em 2020, em relação aos dois anos anteriores.

Bruno Andrade
O maior reservatório do estado,  a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, está com 25,12% dos 2,4 bilhões de metros cúbicos da sua capacidade

O maior reservatório do estado, a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, está com 25,12% dos 2,4 bilhões de metros cúbicos da sua capacidade

O maior reservatório do estado,  a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, está com 25,12% dos 2,4 bilhões de metros cúbicos da sua capacidade

As chuvas são aguardas principalmente em 18 municípios do Rio Grande do Norte que estão com o sistema de abastecimento de água em alerta. No entanto, a necessidade maior são nas cidades de Paraná e São Miguel, ambas no Alto Oeste Potiguar, que estão em situação de colapso em suas áreas urbanas. Neste mês, inclusive, 133 municípios potiguares tiveram a situação de emergência prorrogadas pelo Governo Federal, devido à estiagem, principalmente nas áreas rurais, que vêm sendo mantidas por abastecimento de água com carros-pipa. Isso alerta para eventuais faltas de distribuição de água e até a  necessidade de rodízio no abastecimento.

Mantendo-se as expectativas na comparação com este ano e o passado, no período chuvoso de 2020 deve haver um volume de chuva total de cerca de 750 mm, média aproximada entre os anos de 2018 e 2019. A mais recente previsão divulgada pela Emparn diz respeito aos três primeiros meses do próximo ano. De acordo com o levantamento, as chuvas no semiárido já podem cair a partir de janeiro do ano que vem. Porém, por características históricas, nos dois primeiros meses as precipitações não seguem um padrão de locais, dias e nem quantidade onde ocorrem.

Desde que o Atlântico mantenha temperaturas elevadas ao habitual, a previsão de chuvas tende a ser positiva, como neste ano. O que não dá uma garantia são os dados de variação entre esses níveis, segundo o meteorologista. "Águas mais quentes no oceano Atlântico favorecem a criação de umidade no ar, o que, por consequência, favoreceriam também a precipitação de chuvas", explicou.

Ao mesmo tempo que o oceano Atlântico mais quente pode ser um alavancador para as chuvas no semiárido, a aparição de fenômenos atmosférico-oceânicos como o El Ninõ, no Pacífico, podem contribuir para períodos de estiagem nesta área do país. O não entendimento momentâneo de como os mares vão se comportar nos primeiros meses do ano que vem dificulta uma previsão mais apurada e precisa, segundo Gilmar Bistrot. Ele também confirmou que os resultados dos estudos na Emparn sobre a quadra chuvosa  (de março a junho) serão desenvolvidos a partir do instante em que houver um cenário mais claro da situação climática.

Nível dos reservatórios 
Mesmo que as chuvas nos últimos dois anos tenham contribuído para o aumento do volume de água em barragens e açudes potiguares, 17 dos 48 reservatórios do estado com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos apresentam volumes de alerta - abaixo dos 10% - da sua capacidade total ou secos. Com esse número, significa dizer que 35,42% dos mananciais monitorados no Rio Grande do Norte estão nessa situação.

O maior reservatório do estado,  a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, na região do Vale do Açu, em contrapartida, está com 25,12% dos 2,4 bilhões de metros cúbicos da sua capacidade quando cheio. Neste ano, essa foi uma das que teve um aumento do volume, aumentando 2,88 pontos percentuais em relação aos 22,24% de ocupação em 2018. Na prática, isso representa 62,4 milhões de metros cúbicos a mais de água para o reservatório.

Algumas áreas tiveram seca agravada
No Rio Grande do Norte houve a expansão da área de seca grave em áreas do Médio, Alto Oeste e Seridó, quando é levado em consideração uma análise de curto prazo — até seis meses —, de acordo com os dados para o mês de novembro do Monitor de Secas. Já no restante do território potiguar não houve alterações na intensidade da seca. Nesse sentido, os impactos são de curto e de longo prazo em toda a área com seca no Estado.

O mapa mais recente do Monitor de Secas, publicado na última segunda-feira, aponta avanço do nível de seca grave na região Nordeste. A ferramenta indica que, em outubro, a taxa era de 23,02% e passou para 36,03% em novembro. Neste nível, os possíveis impactos são perdas de cultura ou pastagens, escassez e restrição de água imposta, alertam os especialistas.

De acordo com o monitoramento divulgado nesta semana, a região Nordeste apresenta atualmente 88,61% do seu território com algum nível de seca, segundo a classificação do Monitor. Somente áreas localizadas nos litorais ainda estão classificadas sem seca relativa. A área com nível um pouco mais intenso, classificado como extremo, está situada em uma faixa entre o norte da Bahia e Pernambuco, totalizando cerca de 2% da região Nordeste.

Em relação ao mesmo período de 2018, a atual situação da região é melhor. Naquela ocasião, o Nordeste apresentava 93,71% do seu território com algum nível de seca. Além disso, apresentava 2,99% com seca excepcional.

Apesar de não ser a única variável usada para classificar a presença ou não da estiagem, a redução da chuva nesta época do ano acaba contribuindo para o avanço dela. No Ceará, por exemplo, em outubro, a média pluviométrica é de apenas 3,9 milímetros e, neste ano, o acumulado foi de 1,3 mm, conforme dados Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Em outubro, a média pluviométrica é de apenas 3,9 milímetros e, neste ano, o acumulado foi de 1,3 mm.

O Monitor de Secas promove o monitoramento regular e periódico da situação da seca, por meio do qual é possível acompanhar sua evolução, classificando-a segundo o grau de severidade dos impactos observados.

Em operação desde 2014, a ferramenta iniciou suas atividades pela região Nordeste, historicamente a mais afetada por eventos de seca. Com a metodologia já consolidada e entendendo que todas as regiões do País são afetadas em maior ou menor grau por fenômenos dessa natureza, foi iniciada a expansão da ferramenta para a inclusão de outros estados. Em novembro de 2018, Minas Gerais foi incorporado ao processo.

O projeto é coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA), com o apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), e desenvolvido conjuntamente com diversas instituições estaduais e federais ligadas às áreas de clima e recursos hídricos.

Número de reservatórios entre as faixas de volume ocupados
0% - 10% (volume de alerta): 17
10% - 30%: 12
30% - 50%: 8
50% - 80%: 9
80% - 100%: 2

Fonte: Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn)

Situação de alguns dos principais reservatórios

Armando Ribeiro Gonçalves
Cidade: Assu
Capacidade total: 2.373.066.510 m³
Ocupação do volume: 25,12%

Itans
Cidade:  Caicó
Capacidade total:  75.839.349 m³
Ocupação do volume: 0,09%

Umari
Cidade: Upanema
Capacidade total: 292.813.650 m³
Ocupação do volume: 30,62%
 
Santa Cruz do Apodi
Cidade: Apodi
Capacidade total:  599.712.000 m³
Ocupação do volume: 20,1%

Marechal Dutra [Gargalheiras]
Cidade: Acari
Capacidade total: 44.421.480 m³
Ocupação do volume: 0,45%

Mendubim
Cidade: Assu
Capacidade total:  77.357.134 m³
Ocupação do volume: 79,3%

Passagem das Traíras
Cidade: São José do Seridó
Capacidade total: 49.702.39 m³
Ocupação do volume: 0,31%





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