EUA suspendem viagens da Europa com o avanço do coronavírus

Publicação: 2020-03-12 00:00:00
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (11) a suspensão de todos os voos da Europa com destino ao território americano. A medida tem por objetivo frear o avanço do coronavírus. A suspensão vale a partir desta sexta-feira (13) e se estenderá por ao menos 30 dias. A única exceção é o Reino Unido. "Para evitar que ingressem novos casos em nosso país, suspenderei todas as viagens da Europa aos Estados Unidos nos próximos 30 dias", disse Trump em um pronunciamento oficial na Casa Branca.

Créditos: Ajene Dinar Ulfiana/Estadão ConteúdoSegundo a OMS, o termo pandemia é utilizado quando uma epidemia se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentadaSegundo a OMS, o termo pandemia é utilizado quando uma epidemia se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada


Os Estados Unidos tinham, até a noite desta quarta-feira, 1.039 casos confirmados da Covid-19 e 29 mortes notificadas. Estamos confiantes de que vamos significativamente reduzir a ameaça de coronavírus", afirmou o presidente norte-americano.

Na Itália, em meio ao aumento de casos de coronavírus e mortes pela doença, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou a ampliação das medidas de prevenção e o fechamento de todos estabelecimentos comerciais do país, exceto os de setores de alimentação e saúde. "Fechamos os comércios, bares, pubs, restaurantes", disse Conte em um discurso. "Continuará autorizada a entrega em domicílio", afirmou. Segundo Conte, o efeito da medida será visível em 14 dias. Epicentro da epidemia de coronavírus na Europa, a Itália registrava ontem 12,4 mil casos da doença e 827 mortes. O país já estava em quarentena, com restrições à circulação de pessoas.

Também nesta quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu declarar o coronavírus uma pandemia, termo utilizado quando o estágio de transmissão de uma doença é global. “Estamos profundamente preocupados com os alarmantes níveis de disseminação e severidade, e de falta de ação", disse o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.

Segundo a OMS, 118 mil pessoas foram diagnosticadas com o vírus em 114 países, entre as quais 4.291 morreram. “Descrever a situação como pandemia não muda o que a OMS está fazendo e não deve mudar o que os países precisam fazer", ressaltou Tedros, alertando para que o uso da palavra não leve a temores irracionais. Nas duas últimas semanas, o número de casos da covid-19 fora da China aumentou 13 vezes e o número de países afetados triplicou.

A OMS se disse preocupada com a “disseminação e a severidade" do coronavírus. A entidade garantiu estar em coordenação com líderes globais, com uma estratégia para não faltar medicamentos. De acordo com a OMS, todos os países agora devem rever suas estratégias contra o coronavírus, ativando e ampliando seus mecanismos de resposta a emergências. “Orientamos nações para que encontrem, isolem, testem e tratem todos os casos de coronavírus", afirmou.

Coronavírus no Brasil
No Brasil, o número de casos confirmados da doença subiu para 69 na noite desta quarta-feira (11), de acordo com o Ministério da Saúde. No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB), decidiu suspender as aulas em escolas públicas e privadas e eventos públicos pelos próximos cinco dias, por causa dos riscos de contaminação pelo novo coronavírus.  A paralisação das escolas vai deixar cerca de 500 alunos em casa.

Além de aulas e eventos públicos, ficam suspensas todas as atividades que necessitam de alvará do governo, como shows, missas e eventos. "Uma decisão de precaução. As pessoas estão voltando de férias, há falta de kits para atendimento médico. Então, é prudente ter menos pessoas circulando. Precisamos organizar o sistema de saúde", disse Ibaneis ao Estado. "Serão cinco dias de paralisações, podendo ser prorrogáveis por mais cinco", disse ele. Brasília tem dois casos confirmados de coronavírus até o momento, além de outras 72 pessoas que estão em observação.

Bolsonaro: “não sou médico”
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que ainda deve conversar com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a situação do surto de coronavírus. “Vou ligar para o Mandetta agora a pouco. Eu não sou médico, eu não sou infectologista. O que eu ouvi até o momento, outras gripes mataram mais do que essa", disse. Questionado se a disseminação da covid-19 poderia atrapalhar a convocação para as manifestações do próximo domingo (15) o presidente não respondeu e negou ter convocado a população para os atos. “Eu não convoquei ninguém, pergunta para quem convocou", declarou.

O que é pandemia?
Segundo a OMS, uma pandemia é a disseminação mundial de uma nova doença. O termo é utilizado quando uma epidemia – grande surto que afeta uma região – se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. Atualmente, há mais de 115 países com casos declarados da infecção. A questão da gravidade da doença não entra na definição da OMS de pandemia que leva em consideração apenas a disseminação geográfica rápida que o vírus tem apresentado.