Evento debate saneamento no País

Publicação: 2019-06-18 00:00:00
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Yuno Silva
Repórter

Soluções sanitárias e ambientais, tecnologia, debates, palestras, empreendedorismo e oportunidades de negócios, interatividade e ações educativas estão entre as atividades que ilustram a programação do 30º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. O evento bienal promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) reúne cerca de 4 mil participantes de todo o Brasil até o próximo dia 19 de junho no Centro de Convenções de Natal, Via Costeira, e se constitui no palco mais expressivo e qualificado do setor no País.

Créditos: Alex RegisUma atração do evento proporciona ao visitante acompanhar o processo de urbanização em torno do rio Pinheiros a partir de 1920Uma atração do evento proporciona ao visitante acompanhar o processo de urbanização em torno do rio Pinheiros a partir de 1920
Uma atração do evento proporciona ao visitante acompanhar o processo de urbanização em torno do rio Pinheiros a partir de 1920

A abertura do Congresso coincide com a divulgação do “Ranking da Universalização do Saneamento” no Brasil, que utiliza dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS) – as informações consolidadas mais atuais são referentes ao ano de 2017.

Entre as capitais, no período avaliado, Natal aparece em 17º lugar com 381,25 pontos somados de um total de 500 possíveis: em 2017, de acordo com o ranking, o abastecimento de água na capital potiguar chegou a 93,66% da população. Porém, apenas 36,78% dos natalenses têm acesso à coleta de esgoto e destes 51,91% contam com tratamento.

Outros dois índices compõem o ranking: o acesso à coleta de resíduos sólidos (98,90% em Natal) e destinação adequada dos resíduos sólidos, índice que alcança 100% por aqui.

“A situação do Brasil, de maneira geral, é muito ruim: temos mais de 30 milhões de pessoas sem acesso à água potável, mais de 120 milhões de pessoas sem acesso à coleta e tratamento de esgotos”, destacou Roberval Tavares de Souza, presidente da ABES Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.

O objetivo do ranking, segundo Roberval, “é classificar os municípios quanto às questões de saneamento. Temos quatro faixas de classificação, e os primeiros colocados consideramos que estão rumo à universalização: está quase lá ou já está universalizado. Os que estão mais atrás, ainda estão no início do processo de universalização: não tem planos adequados e mesmo não possuem planos”, explicou.

O presidente da ABES disse que Natal “tem uma oportunidade muito grande com relação ao esgoto, no tocante à coleta e ao tratamento. Observamos também que a cidade possui planos muito bem estruturados e muitas obras em andamento. Acredito que Natal irá atingir a meta de universalizar os serviços até o ano de 2033”. A data foi estipulada pelo Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico).

“Nada impede de cidades atingirem essa meta antes. No caso específico de Natal, o planejamento indica que essa meta será atingida”, acrescentou Roberval Souza. Ele reforça que “ter um plano de saneamento” é o primeiro aspecto legal de um município acessar financiamento do governo Federal.

No topo da lista estão Curitiba (PR), a única cidade do Brasil na faixa “Rumo à universalização”, seguida por Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO); enquanto Macapá (AP), Teresina (PI) e Porto Velho (RO) ocupam as últimas posições – Porto Velho, aliás, é a única entre as capitais na faixa “Primeiros passos para a universalização”.

Natal está atrás de Salvador (BA), João Pessoa (PB), Recife (PE), Aracaju (SE) e Fortaleza (CE); e à frente de Maceió (AL) e São Luís (MA). Nove capitais estão posicionadas na faixa “Compromisso com a universalização”, e 16 (incluindo Natal) na categoria “Empenho para universalização”.

Desafio envolve despoluição do Rio Potengi
O Congresso, que acontece simultâneo à Feira Internacional de Tecnologias de Saneamento Ambiental (Fitabes) com projetos de toda a América Latina, amplia seu horizonte de alcance e oferece ao público em geral, no Espaço Água, acesso à iniciativas de sustentabilidade e conscientização ambiental como o passeio virtual no estande Nosso Rio pelo Rio Pinheiros – curso de água que corta a capital paulista. Montado pela Sabesp, companhia de águas e saneamento de São Paulo, e conhecer os projetos em andamento para sua despoluição.

“O objetivo do Espaço Água é trazer a comunidade para dentro do evento, para que possa ter acesso a informações sobre como tratar melhor o meio ambiente”, observou Roberval Tavares de Souza, presidente da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

O evento também abre espaço para o empreendedorismo. Álvaro Diogo Teixeira, coordenador nacional do programa jovens profissionais do saneamento da ABES, destacou o 'hackathon' realizado na segunda (17) que envolveu cinco equipes em torno do desafio de apresentar ideias para a despoluição do Rio Potengi. A proposta vencedora os profissionais desenvolveram um software em maratonas de trabalho com o objetivo de criar soluções específicas, será conhecida amanhã. “A execução do projeto depende de como a ideia será abraçada pela Prefeitura de Natal. Várias empresas mostraram interesse em conversar com o grupo vencedor”, afirmou Teixeira.

Dados atuais da Caern
A Caern atualizou os números apresentados pelo “Ranking ABES da Universalização do Saneamento”, que traz dados de 2017. A assessoria de imprensa da Companhia de Águas e Esgotos do RN informou que os índices de Natal, no tocante ao abastecimento e esgotamento sanitário, são mais favoráveis. Conforme a Caern, 50% da capital   já conta com esgotamento sanitário e 80% da rede já está implantada – aguarda conclusão das ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto) para começar a operar. A ETE Jaguaribe, que atenderá a zona Norte, está com a obra em 44%; e a ETE Guarapes na zona Oeste com 4% executada. A perspectiva é que os primeiros módulos das estruturas passem a operar em meados de 2020.







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