Eventos Esportivos sobem de nível

Publicação: 2017-08-06 00:00:00
A busca por bem-estar e qualidade de vida tem levado milhares de pessoas às ruas para participar de eventos esportivos ao ar livre. É o caso do servidor público federal Carlos Augusto da Silva que, aos 49 anos, acumula três medalhas em provas de 10Km. Para conquistá-las, ele associa a prática de exercício físico com uma alimentação balanceada. “Além de despertar o desejo de manter uma vida saudável, essas provas proporcionam a integração com pessoas de vários lugares do Brasil e são maneiras de quebrarmos recordes pessoais”, diz o corredor que já se prepara para a quarta corrida, onde disputará pela primeira vez os 21Km da meia maratona. 

Os benefícios proporcionados aos atletas pelos eventos esportivos exigem, além de feeling, know-how, métodos, procedimentos, profissionalismo e planejamento muito antes de serem executados. Tais expertises são de responsabilidade dos organizadores, que suam a camisa antes, durante e depois das competições, para garantir aos participantes tudo o que foi estabelecido em regulamento. 
Créditos: DivulgaçãoO maior interesse da população pelo esporte, exigiu a qualificação das empresas organizadorasO maior interesse da população pelo esporte, exigiu a qualificação das empresas organizadoras

O maior interesse da população pelo esporte, exigiu a qualificação das empresas organizadoras

Em Natal, os grandes eventos esportivos são realizados sob o comando de empresas que nasceram com a proposta de despertar na população uma vida mais saudável e ativa, tornando a cidade um excelente destino para o turismo esportivo, tendo em vista a quantidade excessiva no número de participantes de várias regiões do país, segundo os organizadores de corridas de rua.

No mercado há oito anos, a HC Sports desenvolve sistemas de tecnologia e realiza assessoria na elaboração de ações esportivas, sejam elas recreativas, amadoras ou profissionais na capital. Liderada por Nivaldo Pereira, a empresa surgiu após o empreendedor participar da Maratona do Rio de Janeiro em 2009, onde teve inspiração ao perceber a ausência de empreendimentos que suprissem o mercado de eventos de esportes em terras potiguares e aliou os conhecimentos de outra graduação, Marketing, com o novo negócio. Se atualmente a empresa se prepara para relançar o site www.horadecorrer.com com a proposta de ser ainda mais acessível para os internautas, com informações e serviços usados nos eventos, antes de ser tornar referência no segmento, o portal servia apenas para propagar notícias esportivas. 

Outra empresa que idealiza e consolida atividades no mundo dos esportes em Natal há cinco anos é a Fábrica de Esportes e Eventos, chefiada por Gabriel Negreiros. O empresário, que antes trabalhava como jornalista esportivo e nas horas vagas organizava iniciativas de diferentes áreas, agregou a paixão pelo esporte à falta de empresas que provessem a demanda crescente a cada ano. 
Créditos: DivulgaçãoGabriel Negreiros decidiu investir no mercado, trocando o jornalismo pelo empreendedorismoGabriel Negreiros decidiu investir no mercado, trocando o jornalismo pelo empreendedorismo

Gabriel Negreiros decidiu investir no mercado, trocando o jornalismo pelo empreendedorismo

Visionário, o comunicador fechou parceria com Nivaldo Pereira em 2014. Para trazer novidades para as provas locais, os dois viajam todos os anos para participar de outras competições nacionais e internacionais. Juntos, promovem os principais eventos esportivos do Rio Grande do Norte, sobretudo do Nordeste e Brasil: Circuito Gillette de Tênis e Beach Tennis, Nordeste Open de Jiu-Jitsu (NEOJJ) e a Meia Maratona do Sol. Além dos eventos próprios, ambas as empresas também planejam e executam eventos corporativos e institucionais, como a Corrida Pague Menos, Corrida Soldados do Fogo, Corrida Miranda, Carreira Jurídica, entre outros.

Para organizar uma corrida é necessário, dentre outros procedimentos, planejamento de pelo menos um ano de antecedência, obter licença junto à Prefeitura, aval dos órgãos de trânsito e segurança, adequar a prova às normas da federação da modalidade, de engenharia e captar patrocinadores. Para projetar a Meia do Sol, por exemplo, HC Sports e Fábrica de Esportes contam com um total de 10 profissionais que trabalham diariamente no planejamento e produção da prova. Nos dias que antecedem a competição, a equipe chega a ter 400 colaboradores envolvidos.

As responsabilidades passam pela distribuição dos kits para prova, logística, emergência, produção e montagem de estruturas, sinalização do percurso, distribuição de kit fruta, medalhas, hidratação, cerimonial, entre outros. Além do cuidado com o atleta, seja local ou "maraturista",  atletas que viajam o país para participar de corridas de ruas. “Quando realizo um evento esportivo, vendo conceito de saúde, então não posso colocar o atleta na rua sem que ele receba toda a estrutura necessária”, diz Gabriel Negreiros.

Todo o material tecnológico é adaptado para qualquer modalidade esportiva. No caso de corridas de rua, o acervo conta com sistemas de e-mail marketing, SMS, inscrição online, cronometragem e captação de foto para que, após a corrida, o atleta consiga ter acesso às imagens.

“Colocar uma corrida na rua não é tão simples quanto parece”, comenta Nivaldo Pereira. Segundo ele, o valor da inscrição de uma corrida bancam menos de 60% do evento. “Enquanto a inscrição gira em torno de R$ 90, um atleta custa para nós pelo menos R$ 110. O restante nos captamos por meio de patrocínio, que é para baratear os custos para o corredor.

Entrevista: Nivaldo Pereira e Gabriel Negreiros - empreendedores de eventos esportivos


Por que as pessoas têm procurado cada vez mais eventos esportivos, sobretudo corridas de rua?
 
Nivaldo Pereira - A corrida é um esporte muito democrático,  acessível e para quem está iniciando, basta ter vontade e disposição. 

 Por que pessoas de outros estados do Brasil prestigiam a Meia do Sol? 

Gabriel Negreiros - O país é muito carente de corridas longa distancia. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos contam com quase 400 maratonas por ano. Já o Brasil tem cerca de 15 provas de 42Km. As meias maratonas também são poucas. Por essa carência e também por conta da credibilidade e referência, além da beleza da nossa cidade, o número de pessoas de fora só tende a aumentar.  

Em tempos de crise econômica, tem sido mais difícil conseguir patrocínios e fazer parcerias?

Nivaldo Pereira -  A crise na economia também prejudicou os eventos esportivos. No entanto, os nossos patrocinadores e parceiros entendem que investir em esporte é investir em saúde e qualidade de vida. 

Vocês têm apoio de confederações e federações esportivas? 

Gabriel Negreiros -
Somente no auxilio ao cumprimento das regras e normas de cada modalidade. Mas nenhuma das competições é bancada ou patrocinada por elas, nem poderia. São iniciativas privadas que viabilizam os eventos. Sentimos falta sim, do apoio e reconhecimento dos setores públicos.  

Não há apoio, mas esses eventos geram impactos positivos na economia local? 

Gabriel Negreiros - Sim. A cidade fica mais visível. Geralmente, os atletas vêm com suas famílias e se hospedam por dias na cidade. Eles chegam com antecedência e permanecem na cidade por até quatro dias. Além disso, tem a mão de obra, que também não é acessível. Para executar a Meia do Sol, contratamos cerca de 400 pessoas. Então é algo que gera emprego e renda. 

Um evento ao ar livre movimenta toda a cidade, inclusive pessoas que não estão participando. Vocês também se preocupam com elas? 
Gabriel Negreiros - Com certeza. É uma das regras fundamentais para quem deseja realizar esse tipo de atividade. Por isso é importante ter cuidado com o local da prova, evitando o mínimo de transtornos no trânsito, por exemplo. E, para o atleta, a nossa ideia é fazer com que ele termine a prova e já pergunte quando será a próxima. 

O que motiva vocês a realizarem esses eventos na capital? 

Nivaldo Pereira - Saber que semeamos um pouquinho de saúde na vida das pessoas é o que nos motiva a cada evento. Além de trabalhar com o que nos satisfaz, o que é muito recompensador.