Ex-presidente da Fecomércio do Rio contratou Wassef para monitorar ex-mulher

Publicação: 2020-09-26 11:19:00
Na denúncia por peculato e lavagem de dinheiro apresentada nesta sexta-feira, 25, contra o advogado Frederick Wassef, ex-defensor da família Bolsonaro, a força-tarefa da Operação Lava Jato afirma que ele foi contratado e pago com dinheiro desviado do Sistema S fluminense para monitorar a ex-mulher do então presidente da Federação do Comércio do Rio, Orlando Diniz.

Os pagamentos, segundo a denúncia, usaram um escritório de advocacia interposto para não chamar atenção ao contrato. Oficialmente, foi usada como justificativa a prestação de assessoria jurídica em sindicâncias administrativas para apurar vazamentos de informações. Mas, segundo a Lava Jato, o verdadeiro objeto dos serviços foi o monitoramento pessoal de Daniele Paraíso que, além de funcionária do Senac, era recém-separada de Orlando Diniz.

"(Daniele) havia recém se separado dele, pessoa a quem o colaborador (Orlando Diniz) imputava a pecha de persegui-lo, razão pela qual ele desejava responsabilizar por suspeitas de vazamentos", sustenta a denúncia.

Em depoimento, o empresário Ivan Guimarães, pessoa próxima de Orlando Diniz, descreveu o ex-presidente da Fecomércio como alguém que imaginava conspirações e tinha uma ‘fixação muito grande na história da ex-mulher dele, Daniele’.

"A real intenção de Orlando Diniz ao firmar contratos com a empresa Corseque e com o escritório de Luiza Eluf era criminalizar condutas pessoais de Daniele Paraíso, algumas das quais sequer relacionadas a sua condição de funcionária do Sistema S (como, por exemplo, as relativas a guarda da filha comum do casal), e, para tanto, ele também contratou Frederick Wassef para defendê-lo - frise-se, defender Orlando - em processos criminais que desejava instaurar contra sua ex-esposa e demais funcionários que o colaborador "imaginava estar conspirando contra ele"", afirma a Lava Jato.

Ainda segundo Guimarães, Wassef foi contratado em razão do ‘talento incrível para lidar com escrivães de polícia’.

Estadão Conteúdo



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