Exercícios físicos melhoram saúde e aumentam expectativa de vida

Publicação: 2019-05-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

Quem fica parado corre mais risco de contrair uma série de doenças crônicas não transmissíveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é o quarto maior fator de risco de mortes no mundo. Manter o corpo em movimento melhora a capacidade cardiovascular, diminui a inflamação sistêmica, a obesidade, a concentração de colesterol no sangue, e melhora a expectativa de vida. Não precisa ser maratonista, atleta, ou um assíduo frequentador de academias; precisa estar em movimento.

Uma pessoa é considerada sedentária quando não chega a praticar 150 minutos de atividade física por semana. E por atividade física considera-se qualquer movimento que aumente a frequencia cardíaca pelo menos 10% acima do patamar mínimo. “Somos uma espécie que no último século reduziu drasticamente o tempo de atividade física, e isso trouxe diversas consequências negativas para nossa saúde”, lamenta o educador físico Lucas Roberto. Personal trainer e coach, ele afirma que a maior parte de sua clientela é formada por sedentários. 

OMS aponta o sedentarismo como 4º maior fator de risco de mortes
OMS aponta o sedentarismo como 4º maior fator de risco de mortes

Os problemas de saúde enfrentados pelos sedentários refletem a gravidade da ausência de atividades físicas. “Já se sabe que existe relação com diversas doenças crônicas não transmissíveis e também com o aumento do risco de morte por infarto, derrame cerebral e até alguns tipos de câncer”, diz Lucas.  Segundo ele, o sedentário costuma procurá-lo por motivos de dores e taxas alteradas, cansaço e fadiga excessivas, emagrecimento,  e melhoramento da performance física no dia a dia.

Aeróbicos


Adotar um estilo de vida mais ativo e romper com o sedentarismo não precisa ser algo abrupto ou radical. Uma simples caminhada ou um esporte coletivo podem ser o começo. O passeio a pé no parque ou na praça pode ter 15 minutos  diários, 20 minutos em três vezes por semana, ou 30 minutos em pelo menos cinco dias por semana. Além da caminhada, outros exemplos de atividades aeróbicas moderadas são a dança, hidroginástica ou natação, bicicleta (em terreno plano), jogar tênis ou peteca de duplas.

Lucas Roberto costuma dizer que a melhor atividade fica ao gosto da cada um, mas as atividades que trabalham os músculos podem oferecer benefícios a mais. “A musculação, junto com o aeróbico, são duas atividades essenciais. A primeira para diminuir e até evitar a sarcopenia (diminuição da massa muscular e potência), já a segunda  melhora o condicionamento cardiorrespiratório, diminui os riscos de morte, melhora a performance e a produtividade no trabalho e na vida”, afirma. Outras atividades musculares recomendadas são pilates, yoga, tai chi chuan, e artes marciais em geral.

O educador físico ressalta que a falta de tempo não pode mais ser a desculpa eterna para não se exercitar. “Para quem não tem tempo, já existem treinos de quatro minutos que melhoram o condicionamento, então essa não pode ser uma desculpa. E pode-se utilizar mais recursos do dia-a-dia, como usar mais as escadas, ir comprar o pão andando. Atividades comuns do dia pode ser incorporado o exercício”, explica.

A forma como o sedentarismo atinge faixas etárias diferentes também prova que ele deve ser combatido em todas as idades. “A perda da potência e da massa muscular tem muita relação com quedas em idosos, e isso a musculação entra como forte aliado para diminuir os riscos. Já para o adolescente os exercícios físicos são interessantes devido ao estilo de vida já ativo, para crescer um adulto saudável e com menos chances de desenvolver doenças como diabetes e hipertensão”, diz. Adultos mais velhos que estão ativos irão reduzir riscos de doença cardíaca e AVC a um nível semelhante ao de pessoas mais jovens que estão ativos.

Metabolismo


A atividade física costuma ser complementada pela boa nutrição quando se combate os males do sedentarismo. “São pontos que se complementam”, segundo a endocrinologista Lana Brasil. “A atividade física tem uma importante ação sobre o controle do peso pois estimula a formação da massa magra, que vai agir na queima calórica e diminuir a massa gorda. Acrescido a isso melhora o metabolismo da glicose no nosso organismo e ajuda a regular os lipídeos, diminuindo o risco de doenças cardiovascular”, explica.

A hipertensão arterial e o diabetes são as doenças mais favorecidas pelo sedentarismo. As atividades físicas contribuem como prevenção e até como tratamento em alguns casos. “Os exercícios estimulam a liberação de alguns hormônios, inclusive o da insulina que é importante na fisiopatologia do diabetes”, diz. Ela exemplifica com a situação do indivíduo com histórico familiar de diabete/obesidade: “A atividade física contribui na regulação do metabolismo da glicose podendo, inclusive, reverter um quadro inicial de diabetes tipo 2. Como?  Através da substituição de um padrão de vida sedentário pela pratica regular de atividade física”, ressalta. Todo movimento ordenado melhora o metabolismo e a bioquímica corporal.

O segredo é começar


O jornalista, ator e produtor Marcílio Amorim nunca pensou que seria personagem numa reportagem sobre sedentarismo – em que ele não fosse o sedentário. Desde o final do ano passado ele iniciou uma rotina séria de exercícios diários com academia, acompanhamento profissional e dieta que modificou sua vida. “A influência de pessoas que estavam a minha volta foi o estímulo que eu precisava. Encarei como um desafio pessoal”, diz. Ele, que no início de seu “renascimento” fit tinha 142kg, agora está com 99kg. “Já cansei de responder que não fiz cirurgia bariátrica. E nem pretendo!”, enfatiza.

O palco foi o pontapé inicial de  Marcílio na perda de peso. Ele recebeu o convite para atuar na peça “Meu Seridó”, aceitou, e teve que voltar a ser ator. Isto incluía seis horas de ensaio por dia. Quando começou, em maio de 2017, diante de nove meses puxados de ensaio (que exigem bastante dedicação física), perdeu 15kg. “Eu já me sentia outra pessoa. Minha meta depois disso era não recuperar mais esses quilinhos, e quem sabe até perder mais”, afirma ele, que também é hipertenso e pré-diabético.

O ator, que já havia tentado academias e dietas outras vezes sem sucesso, resolveu encarar um treino sério com personal no final de 2018. “No começo eu não queria fazer dieta, a ideia era só desenvolver resistência física para aguentar o tranco do teatro. Mas depois se revelou ser muito mais que isso. Após cinco meses, minha vida mudou toda. Passei a encarar a rotina regrada como algo positivo. Ter hora pra dormir e acordar, comer, treinar, etc. Isso faz bem para o resto do dia”, afirma.

Agora, quando está em Natal, Marcílio treina no mínimo cinco vezes por semana, uma média de duas horas. Geralmente à noite, horário em que a academia tem menos gente e os professores estão mais disponíveis. Trabalha aquecimento, mobilidade, flexão, abdominal, agachamento e musculação. O suadouro é apenas na academia; fora dela, nem pensar. “Não gosto de atividades ao ar livre. A rua é pra viver, passear. Eu gosto da rotina de academia, ajuda a me concentrar e manter meu foco”, ressalta.

O desafio agora é manter o foco fit durante as viagens ao redor do país com o espetáculo, sem engordar. Através do projeto Palco Giratório, “Meu Seridó” fará 55 espetáculos em 46 cidades diferentes. Vai ter viagem até novembro. “Estou tentando me adequar ao tempo na estrada. Agora tenho um nutricionista esportivo, e até meus hábitos alimentares mudaram naturalmente. Mas tenho que ficar atento para não fugir da dieta. Só agora eu vejo o quanto era preguiçoso e acomodado”, afirma.






















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