"Existem obras que estão ligadas à transposição"

Publicação: 2017-03-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Bate Papo com Ivan Lopes Júnior, Secretário Estadual de Recursos Hídricos e Meio Ambiente.

Já é possível reavaliar a condição de abastecimento de algumas cidades considerando as chuvas até agora?

É possível identificar o aumento de alguns dos 47 reservatórios monitorados pelo Estado, através do Instituto de Gestão das Águas (Igarn), este monitoramento é feito nos reservatórios com capacidade acima de 5 milhões de m³. Dentre eles podemos destacar o aumento do volume hídrico do Açude de Pataxó (Ipanguaçu), que em janeiro tinha o suporte hídrico de até 7 meses, hoje (março) o suporte hídrico é de 23 meses, abastecendo a zona rural do município de Ipanguaçu; o açude Beldroega que abastece a zona rural do município de Paraú, estava em janeiro com seu volume hídrico morto, hoje (março) já sangrou e seu suporte hídrico passa a ser de 20 meses; o açude do Mendubim que se encontra na zona rural do município de Assú em janeiro tinha sua capacidade hídrica de suporte até de até 3 meses, hoje se encontra com o suporte hídrico de 30 meses, podendo citar ainda a Barragem de Santa Cruz em Apodi que abastece os municípios do Alto Oeste, que sua situação hídrica em janeiro era de suporte de 25 meses, atualmente passa a ser de 30 meses.

Quanto já investiram na perfuração e instalação de poços? Quantos, dos perfurados, estão de fato instalados?
Para perfuração e instalação de poços foi firmada uma parceria entre a Secretaria e as prefeituras dos municípios, onde a Semarh ficou responsável pelas perfurações e em alguns casos as prefeituras ficaram responsáveis pelas instalações. Na gestão Robinson (2015 até os dias atuais), já foram perfurados 1.322 poços à um custo total de R$ 13.220.000,00.
 
Qual a meta pra este ano, e especialmente em quais regiões?
A meta trabalhada para este ano é de 300 poços perfurados, um meta confortável que certamente será superada, uma vez que em 2016 nós superamos bem essa meta de 300 poços. As regiões são aquelas que dentro do quadro de criticidade apontados pelo comitê de seca, são aqueles municípios que mais se tem problema.

Considerando a situação da barragem do Açu, a Semarh/Igarn e ANA não cogitam restringir o uso da água somente para o abastecimento humano?
A gestão da barragem Armando Ribeiro Gonçalves é feita pela ANA e o IGARN em alocação negociada com o Governo do Estado, o comitê da Bacia e os demais usuários, chamada alocação negociada de água. Estamos reunidos com a ANA acompanhando a situação da barragem para qualquer providência necessária.

Estamos há cinco anos com quadro de seca severa. Aguardando como será este ano. Quantos reservatórios e rios assoreados passaram por alguma intervenção? Há orçamento para isso?
Não há como medir quantos foram assoreados, já que cada manancial tem sua especificidade. Ou seja, tem pontos de um rio assoreado e outros não. Para a equipe técnica da Semarh, desassorear açudes é uma questão que tecnicamente está em discussão ainda. Não é uma unanimidade entre os técnicos o desassoreamento de barragens. Então, o mais importante é criar um programa de manutenção e operação dessas barragens que já existem no RN.

A transposição do rio São Francisco chegou a Paraíba. Quais as obras e projetos já executados no RN, sejam de responsabilidade do governo federal ou estadual?
Com a chegada do São Francisco vamos ampliar o sistema de abastecimento para as cidades. A barragem Armando Ribeiro vai receber um trecho e um outro vai para a barragem de Apodi. Existem obras no Rio Grande do Norte que estão ligadas à transposição do Rio São Francisco. Uma delas já está concluída e em fase de testes, que é a adutora do Alto Oeste, a mesma receberá a água pela bacia Apodi-Mossoró, chegando pela cidade de Major Sales onde irá perenizar o açude de Pau dos Ferros. A obra já está concluída, mas está inoperante, pois, infelizmente, não há água na barragem de Pau dos Ferros. Já na bacia Piranhas-Açu, temos a barragem de Oiticica, que está passando por uma reformulação e adaptação para construção de uma nova tomada d’água que permitirá a passagem direta das águas do São Francisco para a barragem Armando Ribeiro Gonçalves. Também já temos os recursos para elaboração do projeto de viabilidade técnica, ambiental e econômica para implementação de uma adutora, a partir de Oiticica, que dará segurança hídrica para 18 municípios do Seridó. Uma vez que esse projeto seja concluído, podemos buscar recursos para execução da obra.

De quanto o Governo do Estado precisa, em recursos próprios, para viabilizar a parte que lhe cabe nessa transposição?
Com relação ao custo da água do São Francisco, o principal componente desse custo é a energia. As planilhas de custos  já estão sendo discutidas e foram propostas pela gestão final de água, e os estados estão negociando com o Governo Federal e com a Casa Civil para exatamente definir como será o repasse ao consumidor final desse custo das águas do rio São Francisco.

Qual a previsão para entrega da obra de Oiticica?
Se o Governo federal mantiver o cronograma, há possibilidade de entregar a obra de Oiticica no final de 2017. A secretaria vem fazendo um gestão para que esses repasses aconteçam, apesar dos atrasos.


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