Exortação Apostólica “Querida Amazônia”

Publicação: 2020-02-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Queridos irmãos e irmãs! No último dia 12, em Roma, foi publicada a Exortação Apostólica Pós-sinodal Querida Amazônia, fruto das reflexões do Papa após a realização da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, realizada em Roma, no mês de outubro do ano passado, com o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”

A Exortação Apostólica consta de 4 capítulos e uma conclusão com oração à Virgem Maria, “Mãe da Amazônia”. Os capítulos são apresentados como “sonhos”, e assim resumidos no número 7:  Sonho com uma Amazónia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida (capítulo 1 – Um sonho social); Sonho com uma Amazónia que preserve a riqueza cultural que a caracteriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana (capítulo 2 – Um sonho cultural); Sonho com uma Amazónia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas (capítulo 3 – Um sonho ecológico); Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazónia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazónicos (capítulo 4 – Um sonho eclesial).

Nos seus 11 números, o Papa exorta a toda a Igreja a olhar para a Amazônia e a “admirá-la e reconhecê-la como um mistério sagrado” (FRANCISCO. Exortação Apostólica Pós-sinodal Querida Amazônia, n. 7). Já no número 2, Francisco expressa o sentido da Exortação: “Ouvi as intervenções ao longo do Sínodo e li, com interesse, as contribuições dos Círculos Menores. Com esta Exortação, quero expressar as ressonâncias que provocou em mim este percurso de diálogo e discernimento. Aqui, não vou desenvolver todas as questões amplamente tratadas no Documento conclusivo; não pretendo substitui-lo nem repeti-lo. Desejo apenas oferecer um breve quadro de reflexão que encarne na realidade amazónica uma síntese de algumas grandes preocupações já manifestadas por mim em documentos anteriores, que ajude e oriente para uma recepção harmoniosa, criativa e frutuosa de todo o caminho sinodal”.

Embora apresente uma Exortação Apostólica após a realização de um Sínodo especial, para uma determinada região do mundo, a região Amazônica, a intenção do Papa é universal: “Todavia dirijo esta Exortação ao mundo inteiro. Faço-o, por um lado, para ajudar a despertar a estima e solicitude por esta terra, que também é «nossa», convidando-o a admirá-la e reconhecê-la como um mistério sagrado; e, por outro, porque a atenção da Igreja às problemáticas deste território obriga-nos a retomar brevemente algumas questões que não devemos esquecer e que podem servir de inspiração para outras regiões da terra enfrentarem os seus próprios desafios” (FRANCISCO. Idem, n. 5).

O caminho sinodal não se acaba com a publicação da Exortação Apostólica. Em 2015, na comemoração do quinquagésimo aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos. No seu discurso, o Papa Francisco ressaltava que, desde a instituição do Sínodo dos Bispos “a Igreja experimentou de modo bem intenso a necessidade e a beleza de ‘caminhar juntos’”.  Na Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”, ele também afirmou: cada batizado, qualquer que seja a sua função na Igreja e o grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo na evangelização e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas ações (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 120).






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