Expectativa repercute em vários setores

Publicação: 2017-04-23 00:00:00 | Comentários: 0
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As dimensões do projeto e a importância da Transposição do Rio São Francisco para a região do Semiárido nordestino, a cada dia, ganham contornos mais concretos. A proximidade de conclusão das obras e a expectativa em torno da capilarização do fornecimento de água, que no Rio Grande do Norte irá beneficiar cerca de 90 municípios, repercute de maneira positiva e suscita reflexões sobre as  possibilidades para se ampliar seu uso – conforme defende o empresário Bira Rocha, que esteve envolvido na gênese da atual proposta quando foi secretário Nacional de Irrigação, durante a gestão de Aluízio Alves à frente do Ministério da Integração Nacional em 1994, no governo do ex-presidente Itamar Franco.

“A concepção da proposta atual é praticamente a mesma da elaborada há mais de 20 anos, com pequenas variações técnicas. A Transposição é uma garantia hídrica, quando não houver seca e o sistema (rios, bacias hidrográficas e reservatórios) estiver cheio ela deixa de funcionar. É uma alternativa reserva para se evitar colapso no abastecimento de cidades importantes, como Campina Grande (PB) por exemplo”, destacou. Rocha acredita que o período de seca na região, que entra no sexto ano consecutivo, acelerou a obra.

Para o empresário, que já exerceu diversos cargos como gestor na esfera pública, falta ao RN apresentar um plano amplificado para uso das águas do São Francisco: “Poderia se pensar em canalizar parte dessa água da Transposição, a partir do Rio Açu, ali na altura de Ipanguaçu, para irrigar 20 mil hectares na região do Mato Grande nas cidades de Jandaíra e Parazinho, além reforçar o Rio Maxaranguape”.

Bira Rocha acrescenta que Natal “vai precisar dessa água em breve, pois 70% do lençol freático que garantiria o abastecimento da capital está contaminado (por nitrato e metais pesados)”. Ele ressaltou, ainda, o mérito do então ministro Aluízio Alves (1921-2006), “que teve uma visão fantástica de futuro” e o mérito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em iniciar o processo de licitação das obras. “É um marco muito importante para o Nordeste”.

Opiniões compartilhadas


O opinião sobre a importância é compartilhada por Mairton França, secretário adjunto da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), representante do RN para o tema junto ao Ministério da Integração Nacional: “Mais de dois terços do território do Estado poderão direcionar as políticas públicas de recursos hídricos a partir da Transposição”, garante.

França lembrou que o RN não possui obras complementares para viabilizar o projeto. As águas do São Francisco irão entrar por dois portais de medição, em Major Sale e Jardim de Piranhas, para perenizar os rios Apodi-Mossoró e o Piranhas-Açu; abastecer os reservatórios de Santa Cruz do Apodi e Armando Ribeiro Gonçalves; e perenizar o açude de Pau dos Ferros.

Os portais de medição e o ramal do Apodi, orçado em R$ 1,3 bilhão, que levará água do Eixo Norte da Transposição até o sistema do Apodi-Mossoró, estão sob responsabilidade do próprio Ministério.

O ex-deputado Federal e presidente estadual do PMDB, Henrique Alves, que destaca o empenho do atual ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, e do presidente Michel Temer em viabilizar a obra. Henrique também reconhece o mérito do ex-presidente Lula, e recorda a participação decisiva de Aluízio Alves no projeto. “O momento mais difícil para dar forma a esse projeto de Transposição, tão sonhado por Aluízio e que traz uma marca muito forte do RN, foi logo no início, quando ainda havia grande resistência”, recorda o político.

Henrique citou a importante participação dos potiguares Bira Rocha, do ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra, e do engenheiro Rômulo Macedo (que acompanhou boa parte do processo de materialização da Transposição), no projeto.

“Nessa hora que o projeto caminha para sua conclusão, é muito justo que se lembre e se registre o nome dessas pessoas, que deixaram a marca do RN nessa história. Foi preciso muita luta e determinação para que essa se tornasse irreversível e indispensável para minimizar os efeitos da seca na região do Semiárido nordestino”.

O que é o projeto


O Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é a maior obra de infraestrutura hídrica do País, dentro da Política Nacional de Recursos Hídricos. Com 477 quilômetros de extensão em dois eixos (Leste e Norte), o empreendimento pretende garantir a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nas regiões do semiárido nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O projeto  engloba a construção de 13 aquedutos, nove estações de bombeamento, 27 reservatórios, nove subestações de 230 quilowats, 270 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão e quatro túneis. Com 15 quilômetros de extensão, o túnel Cuncas I é o maior da América Latina para transporte de água. As obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco passam pelos seguintes municípios no Eixo Norte: Cabrobó, Salgueiro, Terranova e Verdejante (PE); Penaforte, Jati, Brejo Santo, Mauriti e Barro (CE); em São José de Piranhas, Monte Horebe e Cajazeiras (PB). Já no Eixo Leste, o empreendimento atravessa os municípios pernambucanos de Floresta, Custódia, Betânia e Sertânia; e em Monteiro, na Paraíba.

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