Expedição ao Vale do Rhône V

Publicação: 2017-04-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Gilvan Passos

Ainda em Tain l’Ermitage, prosseguindo em viagem pelo Norte do Rhône (Rhône Setentrional), no dia 20 de outubro último, às 10 horas provei no VINEUM, Boutique, Bar à Vin e Restaurant da Domaine Paul Jaboulet Aîné, na Place du Taurobole, 25, os seus grandes vinhos numa prova gentilmente preparada por Mme Lydie Arnaud, assitente comercial de exportação da vinícola.

O colunista Gilvan Passos participou da degustação no balcão do Bar a Vin, em norte do Rhône
O colunista Gilvan Passos participou da degustação no balcão do Bar a Vin, em norte do Rhône

Dos 9 vinhos degustados no balcão do Bar a Vin, 3 foram brancos: Saint-Péray Les Sauvagères 2014, Crozes Hermitage Domaine Mule Blanche 2015 e Hermitage Chevalier de Sterimberg 2013, e 6 foram tintos: Chateauneuf-du-Pape Domaine de Terre Ferme 2013, Saint Joseph Domaine De La Croix des Vignes 2013, Côte Rôtie Domaine des Pierrelles 2011, Cornas Domaine de Saint-Pierre 2011, o Grande Hermitage La Petite Chapelle 2010, e ainda maior Hermitage La Chapelle 2013, dois vinhos aos quais Robert Parker faz reverência quando os vê na taça. A Domaine Paul Jaboulet Aîné foi fundada em 1834, e teria a sua frente hoje a sexta geração da família não fosse sua aquisição em 2006 por Caroline Frey, uma jovem enóloga e empreendedora, cuja gestão gerou ainda mais reconhecimento internacional para a marca, com sua conversão para viticultura bio (orgânica), a produção atual de três milhões de garrafas anuais com exportação para inúmeros países do globo, com os Estados Unidos liderando o ranking.

O almoço no Restaurant VINEUM foi um capítulo a parte coroando a visita com o menu de outubro, composto de 2 entradas, 2 pratos e 2 sobremesas magistralmente harmonizados com os vinhos da Domaine numa sinergia mais que perfeita. 1ª Entrada: Creme de abóbora e batata com espuma de ervilha, com o branco rico e fresco: Crozes-Hermitage 2015 Domaine Mule Blanche, um branco rico em frescor. 2ª Entrada: Escargots de Bourgogne com salsa em crosta de amêndoas, puré de feijão e emulsão de alho, com o branco potente: Saint-Joseph Le Grand Pompée 2015. Com o 1º e 2º pratos: Filé de salmão, puré de aipo com gergelim e peito de porco defumado ao molho de Crozes-Hermitage tinto, e Filé de frango com batatas e creme chanterellle, um só vinho: Crozes Hermintage Les Salets 2011. Com as sobremesas: Bolo de chocolate doce com coração de castanhas d’Ardèche e sorvete de castanha bio, e Bolo de manga com cobertura de coco e frutas vermelhas, o vinho: Muscat de Beaumes-de Venise Le Chant des Griolles 2014. Uma degustação e harmonização dos deuses, capaz de impressionar os mais exigentes discípulos de Baco.  

Menu do restaurante Domaine Paul Jaboulet Aîné
Menu do restaurante Domaine Paul Jaboulet Aîné

Minhas Impressões Sobre  os Vinhos
Foi a prova mais perfeita de toda viagem, dadas as condições em que fui recebido, com um rico material personalizado, composto da informações sobre a Domaine e ficha técnica completa dos vinhos. Quero destacar aqui os 2 Hermitages degustados nessa casa, estrelas de quinta grandeza no universo de Baco: Hermitage La Petite Chapelle 2010 e o Gigante Hermitage La Chapelle 2013. Apesar de mutio jovens, com 6 e 3 anos respectivamente, era notória em ambos a personalidade, potencialidade e complexidade. Apenas o La Chapelle foi decantado, e com uma generosa dose, servida pela sommelière em minha taça, depois de degustado e devidamente vertido no cuspidor, fui acomodar-me a mesa para o almoço e pude desfrutar então de toda sua abertura duas horas depois, quando seus aroams fragrantes e multifacetados, com diversas camadas de frutas e especiarias, mesclados à notas da madeira, revelavam uma profusão de aromas que inquietavam os sentidos. Com um ataque de boca impactante e macio, uma longa persistência e um retrogosto limpo, saboroso e equilibrado, esse vinho fechou com um prazer sem precedente essa manhã de outubro.  O Hermitage La Chapelle chega ao Brasil através da Importadora Mistral. A safra 2005 no site da importadora custa R$ 1.696,10, mas safras mais antigas deste vinho podem valer mais que ouro.


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