Expedição Vale do Rhône III

Publicação: 2017-03-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Por Gilvan Passos

Subindo em direção ao Norte do Vale do Rhône, a partir da cidade de Valence, adentramos à área Setentrional da região, que abriga à margem do Rio Ródano (Rhône), as denominações que enfatizam em seus vinhos a variedade tinta Syrah em seu originalíssimo e mais que perfeito habitat. A primeira vila que dá nome ao vinho local no sentido sul-norte é Cornas. Apellatoin que faz um vinho homônimo, territorial e de muita estruta, com muita pureza de fruta e raça. Foi nessa pequena cidade (Cornas), que em 19 de outubro passado, as 10 horas, visitei a Maison do talentoso Jean-Luc Colombo, um produtor preocupado com a sustentabilidade e adépto do manejo orgânico (zero pesticida e zero herbicida), perfeitamente integrado a natureza, como bem atesta o rótulo do seu luxuoso Côte du Rhône Les Abeilles (as abelhas).
No “habitat” dos selecionados vinhos Syrah
O seu grande vinho é o Cornas Les Ruchets, um Syrah puríssimo, potente, complexo e longevo, cujas uvas procedem de um vinhedo de solo granítico em decomposição, onde as raízes das plantas chegam a 15 metros de profundidade, e onde as vinhas têm seus ramos conduzidos arqueadamente, em forma de igreja, como é comum na região. Em Cornas a floresta é protegida e o respeito pela natureza faz parte da ordem de todos os dias. Cordialmente recebido pela Assistante Commerciale, Anna Soret, tive a oportunidade de visitar a bordo de um Jeep 4 X 4 o vinhedo ícone do Jean-Luc Colombo, abrigado no topo de uma colina  íngreme, repleto de vinhas.
Com a assistente da Maison, Anna Soret em Cornas
Ali, depois de todas as informações e explicações dadas pela atenciosa Anna, descemos montanha abaixo até a vinícola para uma lauta degustação dos vinhos. De volta à planície, no interior da loja que abriga os produtos da vinícola, Degustei os seguintes vinhos: Côtes Du Rhône Les Abeilles Bco 2015 (80% Clairete e 20% Roussanne); Côtes Du Rhône Bco La Redonne 2015 (70% Viognier e 30% Roussanne fermentado em barrica); Saint Peray La Belle de Mai 2015 (60% Roussanne e 40% Marsanne, de uma diminuta appellation que produz apenas vinhos brancos, totalmente fermentados em barrica); Cape Bleue Rosé 2015 IGP Appellation Mediterrané (67% Syrah 33% Mouvedre, de uma região próxima a Marselle); Les Collines de Laure 2015 IGP Mediterrané (100% Syrah, sem passagem por carvalho); Cornas 2012 Terres Brulées (100% Syrah com 18 a 21 meses de barrica, com uvas procedentes de várias parcelas. Terres Brulées é o nome do solo granítico em decomposição dado pela cor da pedra); Cornas La Louvée 2014 (100% (Syrah de vinhedo único, vinho mais feminino, com 18 - 21 meses de barrica 10% novas), e o grande Cornas do produtor Les Ruchets 2011 (100% Syrah da parcela do vinhedo visitada, o ícone do Jean-Luc com 10 a 15% de carvalho novo e longevidade superior a 15 anos).

Uma curiosidade em relação ao Cornas produzidos pelo Jean-Luc Colombo é a garrafa, que contrariando a regra da região (que usa a garrafa modelo Bourgogne), são comercializados em garrafas tipo bordalesa. Os vinhos do Jean-Luc Colombo são de uma pureza e complexidade impressionantes, daqueles que ficam na memória por muitos e muitos anos, preservando o desejo do reencontro.
Seleção de vinhos provados no passeio pela Maison
No Brasil, eles chegam através da importadora Decanter. Depois dessa visita, primorosa, progredimos em direção ao norte da região, com as próximas paradas em Tain L’Hermitage (Hermitage) para visita técnica e degustação as Maisons: Michel Chapoutier e Paul Jaboulet Aine, e depois, mais ao norte, em visita a última denominação da região, Côte-Rotie, para visitar o Rei do Rhône. Etienne Guigal, da Maison E. Guigal. Na edição IV dessa expedição pelo Rhône você terá outras tantas descobertas sobre seus vinhos, seus produtores e sobre a cultura enológica dessa que é a AOC mais antiga da França. Au revoir.


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