Experiências além do café

Publicação: 2017-02-03 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Tádzio França
Repórter


A primeira refeição do dia não tem um sabor único. Pode ser leve, frugal, rápida. Ou farta, pesada, sem preocupações com a balança, cheia de 'sustância'. E também tradicional, regional, ou gourmetizada. Há um café da manhã para cada desjejum. Para quem deseja ir além do trivial, sem recorrer a caríssimos buffets de restaurantes ou hotéis, as opções estão em recantos tradicionais, lugares que têm história, personalidade – e muito sabor para oferecer. De Pium a Tabatinga, passando por Natal e Ceará-Mirim, o 'breakfast' também pede uma degustação mais curiosa. Nada como começar o dia com sabor.
Magnus NascimentoEm Ceará-Mirim, o belo prédio de estilo neoclássico abriga um mercado verfilhanteEm Ceará-Mirim, o belo prédio de estilo neoclássico abriga um mercado verfilhante

Café na estrada
O desjejum regional tem uma tradição de peso: não costuma ser light. É o que pode ser saboreado em um espaço igualmente tradicional, o Mercado Público de Ceará-Mirim. O belo prédio neo-clássico de 1881, localizado no coração da cidade, é um território saboroso para quem aprecia uma primeira refeição bem reforçada. As panelas fervem nos quiosques, e quase todos os comerciantes servem os mesmos pratos. O mercado abre de segunda a sábado, das 5 às 17h.

Quem vai ao mercado quer guisado de carne, carneiro torrado, picado de carneiro, e galinha torrada, para acompanhar  cuscuz ou macaxeira. “Às seis da manhã já tem gente pedindo esses pratos. A partir das oito chega o povo que vem de trem, e é o que eles querem comer”, diz Maria Epifânia, que serve num quiosque ao lado da mãe, há quatro anos. “Aqui raramente se come pão. Eu mesma não gosto”, brinca.
Magnus NascimentoDesde 1961, Sidrack mantém o caldo de cana no MercadoDesde 1961, Sidrack mantém o caldo de cana no Mercado

Além dos guisados, a feirante Cleide Aparecida também serve tapioca molhada no coco, queijo coalho assado, café com leite, e suco. “Pela manhã sai pouco 'lanche', o que vende mesmo é a comida pesada”, diz. Joseias Ribeiro trocou o comércio de artesanato pelo de comida, há quatro anos. Seu cardápio é similar aos dos outros feirantes, com espaço para a carne de sol, e bolos. A clientela maior é a da cidade, mas ele também cita os natalenses que vêm de trem e os turistas a passeio.

Um dos feirantes mais antigos em atividade no Mercado Público é Sidrack, dono do quiosque de caldo de cana. É o que ele serve no local desde 1961 – com uma pequena alteração: “No começo, a combinação era caldo de cana com pão doce. Depois vieram os salgados, mas a gente deixa o pão aqui até hoje pra quem gosta do sabor tradicional”, diz Leilson, filho de Sidrack. Os pastéis de carne, frango e queijo não mudaram esse sabor.
Magnus NascimentoGuizado com macaxeira é prato campeão de pedidos no MercadoGuizado com macaxeira é prato campeão de pedidos no Mercado

Em Pium, o café é de chef
O Nuh Café e Boutique do Pão colocou Pium na rota do desjejum  natalense há dois anos e meio. Há manhãs com filas para entrar. O toque veio dos chefs Rafael Almeida e Rafael Paulo, um mineiro e um natalense que juntaram várias ideias e referências para servir. O cenário é a bucólica Vila das Flores, um cenário que ajuda na degustação. Do forno saem o pão vegano, roscas mineiras (pães doces), pão de queijo, o bolo de milho com requeijão e cobertura de goiaba, e o bolo de cenoura com cobertura de nutela.

Os pães recheados são o carro-chefe do Nuh, que os chefs sempre incrementam com a criação de novos molhos e antepastos para harmonizar com as proteínas. A casa criou até um “café da manhã no escuro”, ou seja, um menu confiança onde o cliente não sabe o que vai comer. “A gente só pergunta antes sobre as restrições alimentares. As pessoas gostam das surpresas”, diz Rafael. O Nuh se propõe como uma experiência. “É um lugar pequeno, pra chegar cedo, esperar, conversar. Algumas pessoas ainda não entenderam”, diz. O público é 90% natalense.  Em maio a casa abrirá um novo espaço anexo.
Magnus NascimentoEm Tabatinga, a Casa da Tapioca serve a iguaria no forno a lenha, com base de barroEm Tabatinga, a Casa da Tapioca serve a iguaria no forno a lenha, com base de barro

Tapioca como dos nossos ancestrais
Quem passa por Tabatinga, sabe: a Casa da Tapioca é ponto de parada obrigatório. O local é conhecido pela sua produção artesanal e primitiva, o que dá aos quitutes um sabor diferenciado, sem igual nos menus industrializados. O cliente vê as iguarias sendo feitas num grande fogão à lenha feito de cimento, barro e tijolos refratários. A equipe peneira a goma e mistura o coco, espalhando a mistura na superfície quente do fogão, até ficar no ponto.
As tapiocas não são recheadas, apenas secas ou no leite de coco. O resultado é uma massa mais solta e macia. O forno também produz beijo de mandioca mole, bolos (batata, milho verde, pé-de-moleque e fruta pão), e cocadas. Na área externa há um espaço de taipa com mesas e cadeiras para receber o público. Café da manhã só no sábado e domingo, dias que a casa abre a partir das 6h. Chegue cedo.

Café natalense “das antigas”

O Mercado Público de Petrópolis ainda resguarda um pouco dos velhos sabores e tradições em suas bancas. O símbolo do mercado é o Café da Dalila, que serve gerações há mais de 40 anos. Fundado pela matriarca Dalila Barros – já aposentada –, o café segue administrado pela família, conservando seus sabores como o de décadas atrás.
O menu de Dalila tem o peso regional da tradição. Há porções de cuscuz (com ou sem ovo), macaxeira, ovo, pão, torrada, queijo de manteiga, picado, guisado, carneiro, paçoca, carne de sol com macaxeira, e queijo coalho. O cardápio de tapiocas é extenso, desde a simples com coco, até as recheadas com queijo e presunto, calabresa, ovo e queijo, queijo, ovo e carneiro, guisado, entre outras variações. Há ainda a opção do prato completo, com cuscuz, tapioca, queijo, e ovo, ao preço de R$20. O café abre diariamente. Também é possível encomendar os quitutes de Dalila para eventos. Tel.: 99614-1679.
Magnus NascimentoA Dalila é tradição no Mercado de Petrópolis desde dos anos 60A Dalila é tradição no Mercado de Petrópolis desde dos anos 60

Café de bairro

A comida caseira do restaurante Lumiar, em pleno Barro Vermelho, virou atração no bairro. O café da manhã da casa também tem o mesmo encanto culinário. Das 7h da manhã até 9h30, saem cuscuz, guisado, omeletes (queijo com presunto ou carne de sol com coalho), tapiocas recheadas, torradas, sucos, vitaminas e saladas de frutas. A proprietária Edileuza Medeiros não trabalha com cardápio fixo, e os itens do desjejum são vendidos separadamente, ao gosto do cliente. O Lumiar existe há três anos e meio, e recentemente passou a ser climatizado. Mesmo assim, não perdeu o charme de restaurante de bairro. Aberto de segunda a sábado. Tel.: 99935-0525.

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários