Exportações do Rio Grande do Norte têm recuperação, mas estão 18% menores que em 2019

Publicação: 2020-09-17 00:00:00
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As exportações do Rio Grande do Norte tiveram recuperação em agosto, mas ainda estão muito abaixo do patamar registrado no ano passado. Relatório do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do RN (Fiern) mostra que as exportações reduziram 18,8% na comparação entre agosto deste ano e o mesmo mês de 2019. No entanto, no comparativo com julho deste ano, que teve uma carga baixa de produtos exportados, houve crescimento de 55,87%. Isso, considerando o valor total (em dólares) dos produtos que saíram do Estado. Em julho, as exportações  apresentaram um recuo de 58,2% em relação a junho deste ano e de 64,8% ante julho de 2019.

Créditos: ARQUIVO/TNNo mês de agosto, o melão liderou o volume de exportação, com 2.062 toneladas escoadas do RNNo mês de agosto, o melão liderou o volume de exportação, com 2.062 toneladas escoadas do RN

O relatório do CIN/Fiern, divulgado nesta quarta-feira (16) mostra que, no total, de janeiro a agosto, as exportações importaram em US$ 155.233 milhões  ante US$ 196.156 milhões do ano passado, considerando a pauta normal (com os itens extraordinários, esse valor passa para US$ 243.465 milhões). Em agosto deste ano, a soma dos produtos exportados foi de US$ 12.526 milhões, contra os US$ 15.421 milhões registrados em agosto do ano passado, e US$ 8.036 milhões em julho deste ano. A alta do dólar, neste ano, tem forte influência nesse resultado.

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De acordo com os dados divulgados pela Fiern, no mês de agosto, os dez produtos com maior volume de exportação foram melões (2.062 toneladas); granito (1.703 toneladas); resíduos de ferro fundido (1.310 toneladas); sal (1.126 toneladas), melancias (837 toneladas); balas e bombons (604 toneladas); mamões (501 toneladas); tecidos de algodão (409 toneladas); chapas plásticas (178 toneladas) e castanhas de Caju (182 toneladas). Em termos de valores, os maiores foram na exportação de tecidos de algodão (US$ 1.846 milhão); produtos de animais - impróprios para alimentação humana (US$ 1.718 milhão); melões (US$ 1.230 milhão) e granito (US$ 1.014 milhão).  

No acumulado deste ano, de janeiro a agosto, a retração foi de 20,9% ante igual período do ano passado, se considerados os itens regulares da pauta. Quando incluso os itens extraordinários exportados para os Estados Unidos  no primeiro semestre de 2019 e que elevaram positivamente as exportações no Estado no período, a queda vai a 36,2%. 

Melões, sal, fuel oil, tecidos de algodão e peixes foram os produtos com maiores valores exportados respectivamente, de janeiro a agosto deste ano. Quando se considera o volume das exportações, a ordem é a seguinte: sal, melões, fuel oil, melancias e granitos, tiveram maiores cargas exportadas. O Centro Internacional de Negócios divulgou que as importações foram 2,8% menores que no mesmo período de 2019, mas não detalhou os dados. O resultado da Balança Comercial ainda não foi divulgado.

A análise mostra alta desvalorização na exportação de querosene de aviação (-93,8%); do sal (-82,3%); melão (-56,1%), abobrinha (-37,5%) e tecidos de algodão (-32,7%). Houve alta nos produtos animais (541%) e mangas (255,6%).

Cenário nacional
No Brasil, tanto as exportações como as importações caíram no mês passado. Em agosto, o país vendeu US$ 17,741 bilhões para o exterior, com recuo de 5,5% pelo critério da média diária em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações, no entanto, caíram mais, somando US$ 11,133 bilhões, redução de 25,1% também pela média diária. A queda nas importações em ritmo maior que a redução das exportações fez a balança comercial registrar superávit recorde em agosto. No mês passado, o País exportou US$ 6,609 bilhões a mais do que importou, o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989.

Com o resultado de agosto, a balança comercial acumula superávit de US$ 36,594 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Esse é o terceiro melhor resultado da série histórica para o período, perdendo para janeiro a agosto de 2017 (superávit de US$ 48,1 bilhões) e de 2018 (superávit de US$ 36,7 bilhões). No acumulado de 2020, as exportações somam US$ 138,633 bilhões, retração de 6,6% na comparação com o mesmo período de 2019 pela média diária. As importações somam US$ 102,039 bilhões, recuo de 25,1% pelo mesmo critério.

A maior parte da alta do saldo em agosto é explicada pela queda da importação da indústria extrativa, que recuou 59,51% em relação ao mesmo mês do ano passado, e da indústria de transformação, cujas compras do exterior encolheram 23,78%. Do lado das exportações, as vendas da indústria de transformação caíram 14,2%, e as vendas da indústria extrativa recuaram 8,6%. Em contrapartida, as exportações da agropecuária subiram 32,64%.

Entre os produtos que puxaram o crescimento das exportações agropecuárias em agosto, os destaques foram a soja, cujo valor vendido aumentou US$ 443,3 milhões em relação ao mesmo mês do ano passado, e o algodão bruto, com alta de US$ 80,9 milhões na mesma comparação.

Na indústria extrativa, caíram as exportações de minério de ferro, com retração de US$ 442 milhões em relação a agosto do ano passado, e de óleos brutos de petróleo, com recuo de US$ 451,6 milhões. Nos dois casos, a queda deve-se à variação negativa dos preços internacionais na comparação com 2019.

Depois de o saldo da balança comercial ter encerrado 2019 em US$ 48,035 bilhões, o segundo maior resultado positivo da história, o mercado estima menor superávit em 2020, motivado principalmente pela pandemia do novo coronavírus. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, os analistas de mercado preveem superávit de US$ 55 bilhões para este ano.