Exportações do RN recuam 37,6% no primeiro semestre

Publicação: 2020-08-09 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

O primeiro semestre deste ano foi negativo para a balança comercial do Rio Grande do Norte. Dados do Centro Internacional de Negócios  (CIN/Fiern) apontam recuo de 37,6% de janeiro a junho de 2020 ante igual período de 2019. Esse percentual inclui itens extraordinários enviados aos Estados Unidos no primeiro semestre do ano passado, o que elevou positivamente as exportações do Estado no período. Sem eles, o percentual de recuo na mesma base de comparação é de 19%. A pandemia do novo coronavírus contribuiu para a redução do consumo dos principais itens da pauta de exportações potiguar, como frutas e peixes, o que puxou os dados para baixo. 


Créditos: Magnus NascimentoEnvio de produtos ao mercado internacional recuou no EstadoEnvio de produtos ao mercado internacional recuou no Estado


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Conforme planilha formatada pelo CIN/Fiern, houve redução de 39,4% na exportação de melões; de 43,4% no envio de melancias ao mercado internacional; de 40,3% nas remessas de tecidos de algodão e de 38,6% na comercialização de peixes com outros países. Outros itens, como o querosene de aviação, também tiveram queda significativa nas exportações no período em tela: -65,5%. Os itens que apresentaram variação positiva no período analisado foram: pedras preciosas, com 24,9%; bananas, com 29,4%; mangas, com 11,2%.

“Melões, sal, fuel oil, melancias e tecidos de algodão foram os produtos com maiores valores exportados no semestre, com os dois primeiros e melancias com maior percentual dos valores embarcados pré-pandemia. A situação é praticamente idêntica à de janeiro a maio em relação aos percentuais comparativos. Os mercados dos produtos do RN não demonstraram tendência de recuperação e poucos setores tiveram aumento em relação ao ano passado”, analisa Luiz Henrique Guedes, responsável técnico pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte.

Luiz Henrique Guedes ressalta, ainda, que “as exportações de junho ficaram 13% menores que as de junho do ano passado e 83% maiores que as de maio, um mês com exportações bastante reduzidas. Sal, peixes, produtos animais impróprios para alimentação humana e pedras preciosas foram os produtos com maiores valores exportados em junho”.

Cargueiro
A situação da balança comercial do Rio Grande do Norte poderá ficar ainda pior ao longo deste segundo semestre. A Lufthansa Cargo, companhia aérea alemã responsável pelo transporte semanal de frutas do Estado para a Europa, deixou de operar pelo Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, em julho.

A Lufthansa passou a utilizar o Aeroporto Internacional de Recife a partir do dia 21 de julho. A interrupção no transporte de cargas foi confirmado à TRIBUNA DO NORTE pelo diretor da Lufthansa no Brasil, Cleverton Holtz Vighy, e pela assessoria da Inframerica, empresa que administra o terminal. Por voo, a Lufthansa transportava cerca de 60 toneladas, principalmente de pescado e frutas (melão e mamão).  A companhia operava dois voos cargueiros regulares por semana. De acordo com o diretor da Lufthansa no Brasil, no primeiro semestre deste ano, a movimentação média chegou a 120 toneladas semanais para a Europa. Perto de 2.400 toneladas no período.  

Especialistas apontam que a mudança pode impactar diretamente o mercado de exportações do RN, que já sofre com a baixa oferta de rotas aéreas internacionais. Segundo estudiosos e especialistas da área de logística, a redução no escoamento aéreo pode ocasionar um aumento nos custos de transporte para os produtores potiguares serem enviados ao exterior. 

Balança comercial do RN
Exportações – Jan a Jun/2019
US$ 205.243.450,00

Exportações – Jan a Jun/2020
US$ 127.979.430,00

Queda de 37,6%

Produtos com maiores quedas
Castanha de caju: 
-65,6%

Querosene de aviação: 
-65,5%

Melancias: 
-43,4

Tecidos de Algodão: 
-40,3%

Melões: 
-39,4%

Fonte: CIN/Fiern