Exportação de melão para a China deve impulsionar abertura de novos mercados para o RN na Ásia

Publicação: 2020-09-23 00:00:00
Mariana Ceci
Repórter

Com a abertura do mercado chinês e os sinais de recuperação da economia europeia, representantes do setor da fruticultura potiguar têm expectativas positivas para a safra 2020/2021. O crescimento do setor é impulsionado principalmente pelo melão, líder de exportações no Rio Grande do Norte, que até agosto havia gerado US$ 31,3 milhões em vendas para o mercado externo. O titular da Secretaria do Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (SAPE) Guilheme Saldanha, afirma que "não há dúvidas de que o Estado vai bater todos os recordes”, e a expectativa é de que o setor exporte até US$ 200 milhões até o fim da safra, e que dê prosseguimento ao processo de abertura de novos mercados na Ásia. 

Créditos: henrique araújoDia 18 de setembro, três toneladas de melões da empresa Bollo Brasil desembarcaram em XangaiDia 18 de setembro, três toneladas de melões da empresa Bollo Brasil desembarcaram em Xangai

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No dia 18 de setembro, três toneladas de melões da empresa Bollo Brasil, do grupo Bollo International Fruits, com sede em Mossoró, foram desembarcados no aeroporto de Xangai. A ocasião consolidou o acordo firmado em janeiro deste ano, quando uma comitiva da Administração Geral da Aduana Chinesa (GACC, órgão responsável pela sanidade vegetal e animal)  visitou fazendas de melão nos maiores estados produtores da fruta, Rio Grande do Norte e Ceará, para inspecionar as plantações nas áreas livres da mosca-da-fruta, e fechou acordo para viabilizar a exportação. Essa é a primeira vez que uma fruta fresca é exportada oficialmente para a China.

Somado a esse fato, a Europa, um dos principais destinos das cargas brasileiras, começa a apresentar sinais de recuperação da economia e aumento da demanda por produtos alimentícios. Considerados junto à elevada cotação do dólar, os produtores afirmam que esses fatores deverão fazer com que a produção se volte principalmente para o mercado externo. 

“Com o câmbio mais favorável lá fora, o consumo retraído no Brasil pela crise econômica e com esse mesmo consumo começando a aumentar no exterior, a tendência é que a gente direcione mais frutas para fora”, afirma Luiz Roberto Barcelos, sócio da Agrícola Famosa, uma das maiores produtoras de frutas do País, que tem sede no RN. 

No momento, de acordo com Barcelos, que também preside a empresa AbiFrutas, os olhares dos produtores estão voltados principalmente para a Ásia. Além de ampliar a exportação para a China, há outros dois processos de abertura de mercados em andamento: o das Filipinas e o do Vietnã. “Mas também a América do Sul tem comprado muito melão, países como Chile, Argentina e Uruguai. Hoje, nossa concentração está muito grande na Europa, mas os exportadores já estão procurando novos mercados”, completa. O principal deles, ressalta, é a China. 

O secretário de agricultura do Estado afirma que o Governo se prepara para o crescimento do setor nos próximos anos. Atualmente, eles preparam um plano de dois anos, com investimento para ampliação de áreas irrigadas para fruticultura no Estado. “A demanda internacional existente e a China facilmente absorvem mais 10 mil hectares”, afirma.  Os chineses consomem cerca de metade da produção mundial. Em 2017, foram 17 milhões de toneladas.

Balanço
Relatório do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do RN (Fiern) mostra que, no comparativo entre agosto e julho deste ano, houve crescimento de 55,87% nas exportações, considerando o valor total (em dólares) dos produtos. De janeiro a agosto, as exportações somaram US$ 155.233 milhões ante US$ 196.156 milhões do ano passado, considerando a pauta normal. O melão foi o terceiro produto com maior impacto na exportação (US$ 31,386 milhões).

Em 2019, o Brasil exportou mais de 251 mil toneladas de melão para diversos países. A expectativa, segundo o Mapa, é que esse número dobre caso conquiste no mínimo 1% do mercado chinês - a safra no Brasil coincide com a entressafra na China. Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Norte é o principal exportador. Em 2019, 30% de toda exportação do Estado foi de melão. Somente no ano passado, a venda potiguar da fruta fresca para países do exterior cresceu 65% e chegou a US$ 116,95 milhões. Segundo maior exportador do País, o Ceará exportou US$ 41,47 milhões.