Exportações fecham o semestre em alta no RN

Publicação: 2012-07-13 00:00:00
Andrielle Mendes - repórter

Apesar de registrar um recuo de 20,6% em junho de 2012 (em comparação com o mesmo período do ano passado), o Rio Grande do Norte conseguiu fechar o semestre com crescimento de 15% no valor exportado (15,9 milhões de dólares a mais).
Atum para exportação: o produto foi um dos que mais avançaram no RN
A exportação de minérios e pescados, com incremento bem acima de 100%, conseguiu puxar os números para cima. Mas apesar da média local ter ficado acima da regional (+7,93%) e da nacional (-0,9%), o RN ficou bem atrás de estados como Sergipe (+73,75%), Pernambuco (+75,82%) e Piauí (+79,53%).

Os dados, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), mostram que o RN continua crescendo menos, observa o economista William Pereira, doutor em Ciências Sociais, professor do departamento de Economia e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Espaço, Trabalho, Inovação e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Isso se deve, em grande parte, à falta de políticas que favoreçam a industrialização. Exportamos bens primários com baixo valor agregado”, ressalta .

O recuo verificado em junho, segundo William, se deve ao agravamento da crise internacional. Para Otomar Lopes Cardoso, professor do curso de Comércio Exterior da Universidade Potiguar, questões pontuais, como queda na produção de castanhas e banana, também contribuíram para o quadro.

Segundo William, a queda nas exportações em junho já era esperada. “A Europa, grande consumidora dos produtos potiguares, reduziu o consumo de forma significativa”, justifica. Apesar da queda, o estado conseguiu fechar o semestre com saldo positivo – exportando mais do que importando.

Para o  professor do departamento de Economia da UFRN, a tendência é fechar o ano com incremento no valor exportado. Ele não arrisca um percentual. “Não podemos esquecer a crise”. 

O valor exportado, que chegou a 121,6 milhões de dólares no primeiro semestre do ano, admite o pesquisador, seria muito maior se o governo estadual incentivasse a industrialização. “Exportar bens primários é bom. Agora exportar bens manufaturados, com maior valor agregado, é muito melhor”, afirma.

Para Otomar Lopes Cardoso Júnior, incremento na exportação se traduz em mais emprego, renda e imposto. “O impacto  é maior nas cidades de menor porte, pois a mão de obra local tem a tendência a consumir produtos localmente. É aí que “gira” a máquina do estado, pois a exportação gera imposto no consumo (pelos salários)”, esclarece.

William relembra que a pauta de exportação do Rio Grande é frágil e que estados como Pernambuco e Ceará só conseguem avançar desta forma porque tem uma pauta bem mais diversificada. “Para agregar valor à produção é preciso incentivar a indústria”, defende o economista.

Gabriel Calzavara, empresário potiguar que arrendou barcos japoneses especializados na captura de atuns e mais do duplicou a exportação de atuns no país, concorda. Entre janeiro e junho de 2012, a exportação de albacora-bandolim pelo Rio Grande do Norte - uma espécie de atum – subiu mais de 430%, com relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento poderia ser maior se as condições fossem  mais favoráveis, afirma Calzarava, que enfrenta dificuldades para manter a frota em alto mar. Dos 11 atuneiros arrendados, apenas quatro permanecem no Brasil.

“Apesar da redução da frota, conseguimos manter a produtividade”, destaca. Calzarava só não sabe até quando. Obstáculos, segundo ele, ameaçam a sustentabilidade do projeto. Qualificar a mão de obra do local e reduzir o custo de produção é essencial para sustentar a alta nas exportações. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Rio Grande do Norte qualifica potiguares para a atividade, mas segundo Calzavara, a ação ainda é insuficiente. “Por enquanto, estamos conseguindo manter o crescimento. Mas não tem sido fácil”.

Leia também: