Exportadores desconhecem logística no novo aeroporto

Publicação: 2014-05-27 00:00:00
Karla Larissa
repórter

Com o início do funcionamento do Aeroporto  Governador Aluízio Alves, marcado para o dia 31 de maio, além do transporte de passageiros, as operações de exportações também deverão migrar do aeroporto Augusto Severo para São Gonçalo do Amarante. No entanto, os detalhes de como se darão estas operações ainda estão indefinidos.
Atum chega ao Porto de Natal para posterior exportação. Maior parte do produto segue para outros países, embarcada em aviões
Na manhã de hoje, a partir das 9h, o Sindicato das Indústrias de Pesca do Estado do RN e empresários do setor irão fazer uma visita ao terminal de cargas do novo aeroporto e se reunir com o gerente de logística do consórcio Inframérica, Marcos Trindade,  para acertar os detalhes sobre a transferência. O consórcio construiu e vai operar o novo aeroporto.

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Segundo dados da Infraero, que gerencia o Augusto Severo, em 2013, foram exportadas 1.782 toneladas de carga  por meio do Aeroporto Augusto Severo. No acumulado de 2014, somam-se 495 toneladas. Boa parte dessas exportações é de pescado.

O diretor da Atlântico Tuna, Gabriel Calvazara, afirma que o setor pesqueiro ainda está apreensivo com a mudança, pois ainda não sabe como serão as operações. “O pescado representa 70% da movimentação de carga no aeroporto e 90% do nosso produto é exportado de avião. O RN é o maior exportador de atum do país. Temos que saber como vai ser o procedimento”,  destaca.

Distância
Calvazara ressalta ainda que, uma das maiores preocupações é com o transporte até o aeroporto, pois por se tratar de um produto perecível, o tempo de deslocamento é muito importante. “Estamos preocupados com o acesso ao novo aeroporto e o trânsito”.

O diretor da Produmar, Arimar França Filho, também vê a distância e o acesso ao aeroporto como o principal desafio dos exportadores com relação ao aeroporto de São Gonçalo. “A distância é um pouco maior, não sabemos se o trânsito vai atrapalhar e nem como tudo irá funcionar. Mas esperamos que seja mantido tudo como era feito”.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte, Jorge Bastos, disse que até ontem as empresas ainda não tinham sido notificadas pela Inframérica sobre a mudança e como se darão as operações no novo aeroporto.

A reunião de hoje foi marcada a pedido dos empresários  e do Sindicato para conhecer a estrutura do terminal de cargas, os procedimentos, o início do funcionamento e também os acessos.  “As exportações não podem parar. Por isso, temos que saber como vai ficar. Isso deveria ter sido anunciado com antecedência, mas não fomos notificados. A reunião será para conhecer a estrutura e saber como  serão os procedimentos”.

Bastos diz que espera que o novo aeroporto ofereça uma estrutura igual ou melhor do que aeroporto Augusto Severo. E também vê o deslocamento como o principal problema que os exportadores podem enfrentar. “Esse vai ser o desafio grande. Não sabemos ainda como o trânsito irá fluir e, talvez, a gente sofra um pouco com isso”.

Átila Feitosa, CEO da Unos, empresa de consultoria de comércio exterior que atua na negociação de transporte aéreo para empresas de pescado, acredita que a logística será mais complicada no novo aeroporto. Mas ainda não sabe se a mudança irá implicar em mais custos. “Estamos analisando a tabela da Inframérica. Mas acredito que em um primeiro momento, o calo vai ser a logística. Trata-se de um produto perecível, que exige que seja transportado com “X” horas de antecedência para que sejam feitos todos os procedimentos, e teremos que enfrentar alguns gargalos, principalmente no trânsito”, opina. 

O gerente de logística da Inframérica, Marcos Trindade,  garante que o processo do aeroporto Aluízio Alves será o mesmo do Augusto Severo, pois é regido pela legislação federal. “O processo de exportação seguirá o mesmo ritmo de todos os aeroportos do Brasil. A diferença será com relação a estrutura, pois a nossa é maior do que o aeroporto atual. Mas iremos manter todas as funcionalidades do outro aeroporto”, afirmou, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

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O terminal de cargas do Aeroporto Governador Aluízio Alves terá um edifício de estocagem e operações de importação e exportação composto por áreas de serviços e escritórios. O terminal terá área de 4 mil m² e capacidade de processamento de 10 mil toneladas por ano. No Augusto Severo, a área do terminal de cargas é de 2.500 m² e capacidade para entre 5 mil e 6 mil toneladas/ ano. Procurada pela reportagem para comentar a operação dos exportadores no novo aeroporto, a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República reforçou que as operações em São Gonçalo do Amarante começam a partir das 8h30 de 31 de maio, e que as operações no aeroporto Augusto Severo serão encerradas às 8h29 do mesmo dia. “Cabe à Inframérica (operadora do ASGA) e as empresas aéreas notificarem os exportadores”, acrescentou. Além de pescados, frutas e rosas naturais estão entre os produtos que o RN exporta por via aérea.