Exposição ao sol tem efeito cumulativo, diz especialista

Publicação: 2019-12-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

Para fazer sombra ao câncer de pele, só muita prevenção e informação. É o tipo mais incidente no Brasil, responsável por 30% de todos os tumores malignos do país, acometendo, em média, mais de 165 mil pessoas todos os anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em pleno verão, quando o calor aumenta e a exposição ao sol costuma ser excessiva, entra em cena o Dezembro Laranja, ação que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove desde 2014, e que estimula ações em parceria com instituições públicas e privadas para informar sobre medidas preventivas, além de incentivar o tratamento e diagnóstico precoce.

A prevenção deve começar desde muito cedo, pois a pele tem memória, afirma a dermatologista Isadora Rosado. “A exposição da pele ao sol tem efeito cumulativo e a pior exposição costuma ocorrer dos zero aos 20 anos de idade. A pele tem memória e os efeitos são vistos a longo prazo, portanto o paciente que se expõe hoje pode desenvolver o câncer daqui a 20, 30 anos”, ressalta. Calcula-se que 80% de toda radiação solar recebida durante toda a vida ocorre nos primeiros 18 anos de idade.
O exame de prevenção ao câncer de pele é realizado pelo olhar clinico do dermatologista e através da dermatoscopia
O exame de prevenção ao câncer de pele é realizado pelo olhar clinico do dermatologista e através da dermatoscopia

Parte daí a importância do exame preventivo, um dos motes para o Dezembro Laranja de 2019.  A SBD convocou no início de dezembro quatro mil dermatologistas e voluntários ao redor do Brasil para prestarem atendimento visando a identificação e direcionamento da doença, além de esclarecer sobre a importância de medidas preventivas. “O exame de prevenção ao câncer de pele é realizado pelo olhar clinico do dermatologista e do exame feito através da dermatoscopia. Essas duas ferramentas apresentam alterações específicas para cada tipo da doença. Deve ser realizado anualmente para os pacientes sem histórico de câncer de pele e com mais frequência para os que já tiveram. Essa periodicidade depende do tipo de câncer”, explica.

Tipos de câncer


Para saber como lidar com o câncer de pele, é preciso saber que há três tipos: o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. A dermatologista ressalta que o basocelular é o mais comum no Brasil, e o mais perigoso é o melanoma maligno, pelo alto índice de mortalidade e risco de metástase que apresenta.

O carcinoma basocelular (CBC) corresponde a 70% da doença no Brasil. Acontece principalmente após os 50 anos e é mais comum nas áreas da pele exposta ao sol diariamente, mas também nas áreas cobertas com histórico de queimadura solar. Podem surgir nas formas de manchas avermelhadas que sangram facilmente; nódulos altos e brancos, ou lesões semelhantes a pequenas cicatrizes.

O carcinoma espinocelular (CEC) corresponde a 20% dos diagnósticos e pode se apresentar como uma lesão avermelhada verrucosa ou uma ferida que não cicatriza. É mais comum em idosos, principalmente homens, no rosto, orelhas, lábios e pescoço.  Já o melanoma se apresenta na maioria das vezes como uma pinta irregular na pele. Quem tem a pele clara, com muitas pintas, com diagnósticos na família ou que tiveram episódios de queimadura solar, tem maior risco de desenvolver um melanoma. Quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, maior a chance de sucesso no tratamento.

Proteções


As pessoas de pele clara/branca são naturalmente mais vulneráveis aos efeitos solares – o que não significa que gente de pele morena/escura está imune e não precise também se prevenir. “A prevenção é igual para todo tipo de pele: evitar se expôr ao sol no período entre 10h da manhã e 15h da tarde, onde os raios UVB responsáveis pelo câncer de pele incidem mais fortemente, usar protetor solar diariamente e visitar o dermatologista, no mínimo uma vez por ano”, diz.

Isadora Rosado enfatiza que o protetor solar ainda é a ferramenta mais importante de prevenção, embora não seja uma defesa absoluta contra a doença. “O câncer também depende de fatores genéticos e outros ambientais também”, diz. Recomenda-se que o protetor solar deve ser aplicado diariamente, com aplicação repetida a cada duas horas – com fator de proteção de no mínimo 30.

Há que se prestar atenção também no tipo de filtro solar. Nem todos protegem. Alguns filtros solares não excluem totalmente os riscos da exposição ao sol. De acordo com especialistas, muitos produtos não oferecem a proteção completa de raios UV-B e UV-A. O ideal é verificar o rótulo do protetor, se confere a proteção na pele. Além desse produto, recomenda-se também o uso de camiseta (incluindo roupas com proteção UV), boné ou chapéu de abas largas, sombrinha, guarda-sol, óculos escuros, e mesmo fotoprotetores orais podem ser recomendados nesses casos.

Moderação de verão


A conscientização sobre os perigos da superexposição solar não significa que os apreciadores de uma boa praia devem fugir do sol. É uma questão de moderação. “A exposição solar moderada traz benefícios principalmente para o humor, mas não indicamos a exposição para produção de vitamina D, pois o risco de câncer de pele não supera o benefício. Assim a Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta a suplementação oral nos casos de deficiência”, diz.

O câncer de pele surge com maior freqüência em partes do corpo que ficam mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. “As áreas expostas à exposição solar são as mais comumente afetadas, embora o câncer cutâneo possa aparecer em qualquer região da pele”, alerta a dermatologista. A cura a partir dos exames vai depender muito do tipo de câncer que a pessoa possui. Em alguns casos a cura chega a ser de 100%, principalmente com o diagnóstico precoce.

Para o tratamento, existem métodos utilizados em medicina nuclear que  detecta lesões do melanoma antes das alterações anatômicas e permitem tratamento mais eficaz da doença. A medicina nuclear já é aplicada no Brasil e possui diversos exames. Atualmente, esse segmento já conta com dois exames que identificam as metástases provocadas pelo melanoma antes das alterações anatômicas, ou seja, antes que elas estejam visíveis.

Apesar dos altos números de casos de câncer de pele no Brasil, Isadora Rosado é otimista quanto ao futuro. “Por ser um país tropical, o Brasil ainda tem uma alta incidência de câncer de pele, infelizmente, mas acredito que isso irá mudar nas gerações futuras. É fato que as nossas crianças estão se protegendo mais do sol, pelo fato de seus pais estarem mais conscientizados”, conclui.

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