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Exposição 'O Sertão Virou Mar' abre nesta terça-feira (24), na Pinacoteca do Estado
Publicado: 00:01:00 - 24/05/2022 Atualizado: 23:26:36 - 23/05/2022
Tádzio França
Repórter

Azol nasceu em Natal, formou-se artista visual nos Estados Unidos, tem uma carreira consolidada há 30 anos em São Paulo, mas nunca afastou o Nordeste de seu trabalho. O mais novo exemplo é a exposição “O Sertão Virou Mar”, que será aberta nesta terça-feira, às 19h, na Pinacoteca do Estado, Cidade Alta. Através de experimentações entre pinturas, fotografias e imagens, o autor propõe ao observador uma jornada poética por cenários sertanejos criados entre as fronteiras da realidade e do sonho.

Magnus Nascimento


O conteúdo da exposição veio de duas viagens que Azol realizou entre os interiores do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e Bahia. O artista estava registrando em fotos e desenhos os caminhos pelos quais passaram o cangaço, mas o apelo visual daqueles cenários foram além em sua imaginação. O laboratório rendeu um acervo com mais de seis mil fotografias. Em seguida,  uma curadoria selecionou 60 imagens. Foram essas que serviram de base para “O Sertão Virou Mar”. 

A mostra conta com três videoartes, uma instalação, dez pinturas, e 43 fotomontagens digitais (fusão de fotografias e pinturas). O processo de fotomontagem é realizado com a utilização de multicamadas de filtros, recortando e colando digitalmente, fundindo arquivos de fotos e de pinturas, e manipulando as imagens. Apesar de toda a habilidade técnica envolvida, o que importa para Azol é como as imagens dialogam entre si e geram sensações de mistério, deslumbramento ou espanto.   
Expressionismo sertanejo 

“Eu procurei uma representação utópica do sertão, mas em sintonia com o imaginário popular. As fotomontagens trazem um mundo mágico, mas inspirado nas cores, nas histórias, lendas e causos típicos do sertão, é realmente uma jornada poética”, explica Azol à TRIBUNA DO NORTE. Segundo ele, desde suas pesquisas com o cangaço, foi desenvolvendo uma visão mística do universo que logo desembocou nessa representação mais onírica e até dramática do sertão. 

O artista, que também é formado em cinema, conta que suas influências do expressionismo alemão encontraram facilmente a estética lendária do cangaço. “É algo que me encanta e que aprendi a admirar ainda mais desde que conheci a obra de Frederico Pernambucano de Mello, um pesquisador e historiador fundamental sobre o assunto. Foi a base do trabalho que estou fazendo agora”, afirma. 

Mesmo estando geograficamente longe do Nordeste há três décadas, Azol ressalta que a região está sempre presente nele em lembranças e paixões. “Fazer uma exposição como essa é um reencontro comigo mesmo, com minhas raízes. Tudo que envolve a cultura popular nordestina sempre me norteou, desde a estética do cangaço até o apego ao elemento místico que eu sempre apreciei”, explica. 

O mar citado no título da exposição, além de referenciar o misticismo de Antônio Conselheiro, é também uma metáfora otimista, segundo Azol. “É uma utopia. O mar significa abundância, dias melhores. A aspereza dos ambientes registrados são transformadas em novas realidades, de esperança, fertilidade”, diz. A curadoria da mostra foi assinada por Marcus de Lontra Costa, renomado jornalista, crítico de arte e curador independente com mais de 30 anos de experiência. 

“O Sertão Virou Mar” estreou no Rio de Janeiro, em setembro de 2021, passando depois por Recife (PE) e Fortaleza (CE). Agora, em sua terra Natal, Azol exibe suas transversalidades artísticas, e diz que vem mais sertão por aí – na literatura. “Eu tenho ideias o tempo todo, e agora quero escrever. Uma literatura de terror com cenários sertanejos”, afirma, anunciando um novo capítulo em suas releituras do sertão mágico. 

Serviço:
Exposição “O Sertão Virou Mar”, de Azol. Abertura nesta terça (24), às 19h, na Pinacoteca. Até 24/07. Visitações de terça a domingo. 

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