Exposição propõe o afrofuturismo potiguar

Publicação: 2018-02-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter do Viver

Difícil de resumir até para os seus adeptos, pode-se dizer de modo reduzido que o Afrofuturismo é um movimento estético e político que une cultura negra a ficção científica. O termo, que abrange o universo da moda, artes visuais, literatura, música e de outras linguagens, vem ganhando cada vez mais força no cenário cultural no mundo. Exemplo do que o Afrofuturismo representa pode ser visto no cinema com o filme Pantera Negra e na música do BaianaSystem. Em Natal o termo ganha atenção com a exposição “Afrofuturismo Potiguar”, do artista Gigio Almeida, montada na galeria Câmara Clara (Capim Macio). A vernissage acontece nesta sexta-feira (23), a partir das 19h, com entrada gratuita.

Na galeria Câmara Clara estão unidas diversas práticas artísticas, como bricolagem, colagem, readmadys e design efêmero, inserido todo o ambiente como parte da obra
Na galeria Câmara Clara estão unidas diversas práticas artísticas, como bricolagem, colagem, readmadys e design efêmero, inserido todo o ambiente como parte da obra

Gigio Almeida conta que o afrofuturismo está em seu trabalho artístico enquanto conceito de arte-revolta, invocando, segundo o artista, “forças de criação e resistência num campo de combate onde projetos de dominação querem se impor”. Nesse sentido, a negritude se faz presente na exposição em elementos de ancestralidade e de manifestações artísticas, xamânicas e místicas do povo africano.

De acordo com Gigio, a exposição se enquadra como site especific. No ambiente da galeria estão unidas diversas práticas artísticas, como bricolagem, colagem, readmadys e design efêmero. Há também intersecções entre trabalhos de artistas potiguares como Arbus, Pok e Nayara, além de móbiles, esculturas e assemblages. Permeando tudo está a negritude, que aparece em elementos como as adinkras (geometrias sagradas que remetem a cosmo africano), os búzios, alguns metais e minerais, além das referências ao Candomblé, capoeira e música afro.

“Na minha arte retrabalho diversas técnicas, onde se destaca o aspecto da bioconstrução, da arquitetura, da recombinação de épocas e espaços, do resgate do hábito de pensar e habitar como poeta”, diz Gigio, artista, professor universitário, adepto do Candomblé Nação Ketu e praticante da Capoeira Angola. “Estou inserido nas práticas de matriz africana há mais de dez anos, sejam elas espirituais, científicas e xamânicas”.

O artista ressalta o aspecto interativo de seu trabalho. “A exposição une vários elementos, mas tendo a interatividade como o grande jogo de toda a brincadeira, estimulando a sensorialidade, por meio de poesias espaciais”, explica.

Artista visual Gigio Almeida apresenta obra que dialoga com movimento estético e político, conhecido por unir cultura negra a ficção científica
Artista visual Gigio Almeida apresenta obra que dialoga com movimento estético e político, conhecido por unir cultura negra a ficção científica

Formado em Geografia e atualmente doutorando em Arquitetura e Urbanismo, Gigio tem como referência para sua arte  os artistas brasileiros Hélio Oiticica e Lygia Clark. Mas as manifestações do Egito Antigo, de povos orientais, além de Duchamp, Picasso e Basquiat também estão dentre as influências.

Gigio é pioneiro em Natal na área de bioconstrução, design efêmero e cenografia. Seus conceitos artísticos e arquitetônicos ele aplica em projetos de bio estruturas para o mercado, por meio da empresa Artes Espaciais. “Fazemos palcos, pistas, instalações, espaços cenográficos, arquiteturas, tudo erguido de modo a proporcionar o máximo de conforto e o mínimo de impacto ambiental. Utilizamos eucalipto, barro, argila e principalmente bambu. Fomos os primeiros a colocar o bambu na cadeia produtiva”, diz o artista, que há anos vem atuando no circuito potiguar de música eletrônica, dando suporte na elaboração de estruturas cenográficas.

Diálogos Criativos
A abertura da exposição “Afrofuturismo Potiguar” vai contar com a roda de conversa “Diálogos Criativos: Afrofuturismo como possibilidade", a Jam Session “Sonoridades Criativas", além de comida vegana.

Participam da roda de conversa tem como convidados o Mestre Mieli, do Grupo Egbe de Capoeira Angola, o músico e historiador potiguar Henrique lopes, o escritor e cineasta político Lucas Fortunato e o cineasta e Ogã (ilê olorum) Pedro Herisson. No comando da Jam Session estão os músicos Daniel Necroellzee, Pedras Leão e Zé Caxangá.

Serviço
Abertura da exposição “Afrofuturismo Potiguar”, de Gigio Almeida. Dia 23 de fevereiro, às 19h

Galeria Câmara Clara (Rua Missionário Joel Carlson, 1955, Capim Macio)

Entrada gratuita


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