Fábio Faria nega 'queda de braço' com general Ramos

Publicação: 2020-07-25 00:00:00
No momento em que o Palácio do Planalto tenta organizar sua articulação política no Congresso Nacional, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse ter assumido o papel de apaziguador de conflitos na relação com o Legislativo, mesmo se for preciso "lavar roupa suja". Em entrevista ao programa Poder em Foco, do SBT, que será veiculada domingo à noite, 26, Fábio Faria negou a existência de uma queda de braço entre ele e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, a quem cabe comandar as articulações políticas com o Congresso, e disse não entrar na seara do general.

Créditos: Marcelo Camargo/ABrFábio Faria afirma que não faz a articulação política, mas tenta desobstruir o diálogoFábio Faria afirma que não faz a articulação política, mas tenta desobstruir o diálogo


"Ele (Ramos) tem conversado comigo diariamente. Querem fazer até minha intriga com ele, mas não vão conseguir, porque todo dia eu falo com ele às sete horas da manhã. E a gente já desmonta isso", afirmou o ministro, na entrevista que vai ao ar amanhã.

Como mostrou a Agência Estado, o governo pretende reorganizar sua articulação no Congresso após a derrota na votação da proposta de emenda à Constituição que transformou o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) em programa permanente. O revés sofrido na Câmara foi debitado na conta do ministro da Economia, Paulo Guedes. Com bom trânsito no Congresso, Faria promoveu recentemente um encontro entre Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - havia um estresse na relação entre os dois.

Escolhido para o ministério após quatro mandatos de deputado federal, Fábio Faria negou que esteja exercendo o papel que cabe a Ramos, de negociar a votação de projetos e emendas parlamentares, mas admitiu já ter entrado em campo para desfazer problemas, como os ocorridos entre Guedes e Maia.

Foi aí que ele classificou o seu trabalho como o de "lavar roupa suja". "Eu não entro na articulação política. Por quê? A articulação política é o seguinte: vamos votar aqui o projeto tal. Aí negocia emenda, destaque, vê quem vai ser o relator.

Isso é um trabalho da articulação política. O meu trabalho é quando eu vejo: ‘Fernando está chateado com Fábio’. Eu sou amigo do Fernando e vou promover ali um encontro dos dois para fazerem uma DR (sigla usada para se referir a "discutir a relação"), lavar roupa suja e pronto", argumentou. E concluiu: "Esse é o meu papel. Um papel de apaziguar relação. Não entro na seara exclusiva de articulação política. Isso aí é outra forçação (sic) de intriga. Mas não cairemos nisso". 

Conexão 
Na quinta-feira, em visita às instalações da Empresa Brasil de Comunicação - EBC, o ministro das Comunicações, falou sobre o que acredita que será um dos assuntos mais discutidos em 2021: a tecnologia 5G. “O 5G trará para a realidade a telemedicina, veículos autônomos, cirurgia à distância. Ele vai mudar a vida do cidadão, não apenas com velocidade de download. O impacto na economia será muito forte. Vários investimentos de fora virão para o Brasil”, afirmou o ministro. 

Fábio Faria argumentou ainda que o avanço na discussão do 5G trará, inevitavelmente, um aumento na cobertura e no uso da rede para as camadas mais carentes da população, que ainda permanecem sem acesso, que chamou de “órfãos da internet”.