Fábio, o desafio

Publicação: 2020-09-17 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação

Ninguém pode negar, sob pena de desabar no vale estéril da própria estupidez humana, a magnitude de ser ministro de estado. Nesse sentido, o deputado federal Fábio Faria é ministro tanto quanto os outros, uma singularidade que marca qualquer vida pública. Mas, até agora, seu módulo de navegação ainda não conseguiu desligar-se da nave-mãe que é ser genro de Silvio Santos, sem embargo da legitimidade do parentesco. Navega como parte inseparável do todo-poderoso SBT. 

Mas, a constatação, se é inegável, nem assim basta para garantir a estabilidade do seu vôo sobre a face do poder. E seu caminho não tem semelhanças estruturais com a riqueza do campo de atuação do conterrâneo e também ministro Rogério Marinho. Este tem nas mãos uma até majestosa capacidade de realização material na medida em que tem poder de interferir positivamente em toda região Nordeste, uma prioridade do presidente Jair Bolsonaro na busca do seu segundo mandato. 

Sobra para Faria, como uma chance importante e real, ter sucesso no desafio de pacificar em bases concretas e saudáveis as relações do presidente. Portanto, do governo com o ainda forte sistema privado de comunicação formado por tevês, rádios, jornais e revistas que produzem hoje o ruído mais intenso para construção de uma relação serena. Ruído que até hoje, quase dois anos de gestão, se não impediu uma boa imagem, tem reforçado a ação das instituições democráticas. 

Não foi à toa que Faria anunciou no próximo ano, terceiro dos quatro anos do mandato, a presença do governo nos planos de mídia poderá ser quatro vezes maior. Principalmente, sem os vícios da discriminação, máscara da censura econômica que se não fere o sentimento de liberdade do ponto de pista individual, acaba por ser uma forma velada de tentar calar as críticas pela força, num processo intencional de tentativa de desestabilização do qual ele não nega sequer as ameaças.

Inegavelmente sereno e negociador, o que demonstrou em episódios vividos aqui quando do governo do seu próprio pai, o ministro Faria sabe que não será no tabuleiro do xadrez político ministerial que encontrará o campo mais fértil para o plantio do seu prestígio. Será fora dos salões palacianos e se for uma ponte segura capaz de unir as duas margens sem que a vitória represente a derrota de qualquer lado, muito menos do presidente Jair Bolsonaro, com seu estilo recalcitrante. 

Não é uma construção fácil e rápida, como parece a alguns. É tortuosa, lenta e exige sacrifício e tolerância. O que tem de empecilhos para fracassar, tem de chances reais para alcançar a planície, se vencer o altiplano. Mas, se vencer, pode conquistar uma posição transcendental na construção da luta na direção do Nirvana que é contribuir, de fato, para a vitória. Por uma razão bem simples: o presidente não pensa noutra coisa a não ser na sua reeleição. O mundo que exploda.

AVISO - Um deputado de oposição garantia, ontem, de viva voz, que o governo chegará ao tempo das sessões presenciais sem cooptar nenhum dos onze votos da oposição. É negociar ou negociar. 

VEZO - O secretário do planejamento, Aldemir Freire, ainda não notou que o eleitor não elegeu um governo para pregar o apocalipse, mas pra enfrentar as lutas e melhorar de fato a vida de todos. 

LUTA - O deputado Hermano Morais optou por lutar elevando a fragmentação da oposição que hoje já tem mais de uma dezena de nomes. Evita cair no vazio sem acrescentar mudança ao pleito. 

$I$TEMA - O Ministério Público Federal denunciou na Folha: até um servidor do TCU recebeu propina para procrastinar o julgamento de Orlando Diniz, o ex-presidente da Fecomercio, no Rio. 

ALIÁS - Enfrentando graves denúncias e suspeições do Ministério Público Federal, o ‘$istema $’ não parece um exemplo salutar da nossa vida patronal. Há muita coisa entre o seu céu e sua terra.  

HUMOR - De um empresário do trade que luta para manter a sua empresa ao longo de seis meses de pandemia: ‘Em Mato Grosso o turismo protege as onças, já aqui as onças ameaçam o turismo’. 

MUNDO - A nova edição de ‘A Volta ao Mundo em 80 dias’ que acaba de chegar às livrarias do país na bem cuidada edição Zahar, demonstra que o homem mantém sua curiosidade aventureira.

PERIGO - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, sobre a falsidade dos que rezam e jamais perdoam: “O rancor na alma dos carolas é a mais invisível e perfeita manifestação do falso’.

$I$TEMA - Elio Gaspari, na Folha - grafa assim com o $ do cifrão o $istema $ - informou que no Piauí o presidente inaugurou a ‘Escola Jair Bolsonaro’, do Sesc. Encômios são sempre curativos. Guedes, segundo Gaspari, há tempos guardou a faca que dizia ter e não tem hoje nem um canivete

CORPO - Um dos temas da pós-pandemia é tentar compreender o corpo como inimigo. Virão daí as discussões em torno das questões físicas e metafísicas. O corpo que abriga as doenças e põe um fim à vida é o corpo que abriga a alma e os perigos reais de quando a própria alma também adoece. 

PERIGO - A ciência, segundo li nos blogs desse mundo tresloucado, desconfia seriamente de que há perigosos sinais de demência nos apaixonados. Talvez explique, se for constatado, as loucuras de amor que os apaixonados cometem. Mas, são pecados mais leves, se comparados com o rancor. 







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