Fé no sonho: potiguares se planejam para Jogos Olímpicos de Tóquio

Publicação: 2020-08-02 00:00:00
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Ícaro Carvalho
Repórter

Um dos maiores sonhos de um atleta, seja de qual for o esporte, é representar o seu país na maior competição esportiva do planeta: os Jogos Olímpicos. A tradicional competição que acontece de quatro em quatro anos precisou ser adiada em 2020 para 2021, em virtude da pandemia de coronavírus, que se alastrou pelos quatro cantos do mundo com efeitos devastadores. A chegada da doença fez com que vários atletas potiguares adiassem o sonho de disputar os Jogos Olímpicos, que aconteceriam em Tóquio, no Japão. Para a delegação potiguar, seria a primeira vez da maior parte dos atletas.

Créditos: DivulgaçãoMudança na data prejudicou as contas das Olimpíadas de TóquioMudança na data prejudicou as contas das Olimpíadas de Tóquio


Esta foi a primeira vez que o Comitê Olímpico Internacional (COI) precisou adiar os Jogos Olímpicos em toda a história da competição. Em outras três ocasiões, como em 1916 (Alemanha), 1940 (Japão) e 1944 (Londres), os jogos chegaram a ser cancelados, em virtude da Primeira e Segunda Guerra Mundial.

O adiamento dos Jogos trouxe prejuízos financeiros ao COI de "centenas de milhões de dólares em custos adicionais", segundo o presidente da entidade, Thomas Bach. O rombo poderia ser ainda maior caso a entidade não tivesse um seguro financeiro que vai render até R$ 10,1 bilhões (US$ 2 bilhões) para o comitê organizador dos Jogos.

Atletas potiguares ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE classificaram o adiamento como seguro e necessário em virtude da pandemia de coronavírus, aliado ao fato de que outros competidores passaram a ter mais tempo para se prepararem e recuperarem pontos nos rankings de suas respectivas modalidades. Além disso, há a dificuldade em relação a países que não controlaram a doença ou ainda passam por pico de casos, falta de leitos e até segunda onda de novos registros de covid.

Em 2016, na primeira edição dos Jogos Olímpicos no Brasil, o Rio Grande do Norte teve 12 atletas potiguares na delegação brasileira, sendo 11 deles paratletas, nas modalidades de natação, atletismo, judô, basquete, halterofilismo e thriatlon. A delegação norteriograndense levou ainda outros 28 profissionais, entre guias, técnicos, médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, massoterapeutas, árbitros e auxiliares. Naquele ano, o RN ficou em terceiro lugar entre os estados com mais medalhas entre os paratletas: 9 no total (1 ouro, 6 pratas e 2 bronzes). As conquistas foram de Clodoaldo Silva, Joana Neves, Thalita Simplício, Petrucio Ferreira e Romário Marques.

Para a próxima edição, vários atletas do Rio Grande do Norte estão cotados para a disputa. Neste domingo, em que o mundo estaria acompanhando mais uma semana de Jogos Olímpicos na capital japonesa, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou atletas cotados ou garantidos nas Olimpíadas para saber como eles estão se preparando para chegar ao grande objetivo. Confira!

Confira alguns dos potiguares cotados para  os Jogos de Tóquio

Ítalo Ferreira, surfe

Foi um dos primeiros potiguares a garantir vaga nos Jogos de Tóquio. Campeão Mundial em 2019, ele será um dos primeiros brasileiros a competir no surfe, modalidade que vai estrear na próxima edição. Natural de Baía Formosa, Ítalo disse que tem treinado com cuidados durante a pandemia e que tem boa expectativa para os jogos.

Créditos: WSLItalo vai participar da primeira edição dos Jogos com o surfe incluído nas modalidadesItalo vai participar da primeira edição dos Jogos com o surfe incluído nas modalidades


“A preparação está sendo em casa, com pouco mais de intensidade, já que eu tenho um pouco mais de tempo para aproveitar minha casa. Costumo treinar algumas vezes por dia e surfar também. Acho que assim consigo manter meu corpo e minha mente bem e ter um bom rendimento em qualquer sessão de surfe que eu fizer”, disse em entrevista recente à Jovem Pan News Natal.

Ayrton Lucas, futebol masculino

O potiguar de Carnaúba dos Dantas formado no ABC, atualmente morando na Rússia, onde defende o Spartak Moscou, quase desistiu de ir às Olimpíadas. Isso porque, em 2021, Ayrton terá 24 anos, acima da data preconizada no futebol olímpico, que é de 23. Com uma medida recente anunciada pela FIFA, o seridoense estará apto a jogar pelo Brasil, caso seja convocado por André Jardine. Em 2016, o Brasil foi medalha de ouro pela primeira vez na história.

Créditos: Reprodução/InstagramAyrton Lucas poderá ser convocado para defender a Seleção OlímpicaAyrton Lucas poderá ser convocado para defender a Seleção Olímpica


“A gente sempre tem esperança, tudo vai depender de como vou estar no clube. Estando bem no clube, fazendo um bom trabalho, estamos sendo vistos. Primeiro tem de estar focado no clube para quem sabe, no dia que chegar a convocação, eu possa estar na lista. Mas estou tranquilo, sei que é difícil, mas sei da minha capacidade, da qualidade, no que depender de mim vou fazer de tudo para estar na lista”, comentou.

Emanuel Borges, remo

Natural de Natal, Emanuel Borges, praticante do remo, um dos primeiros esportes de que se tem conhecimento na capital, nutre esperanças de ir aos Jogos pela primeira vez. Com 32 anos e defendendo o Flamengo, além de ser terceiro sargento da Marinha, ele comenta que, nos primeiros três meses de pandemia, treinou em casa para manter a forma. Com a retomada gradual das atividades no Rio de Janeiro, ele comenta que tem voltado aos poucos às águas nas últimas semanas.

Créditos: Divulgação/FlamengoAtleta defende o FlamengoAtleta defende o Flamengo


“Me sinto seguro porque estamos tendo todos os cuidados e todos que estão indo treinar no clube foram testados, mais de uma vez. O Flamengo está tendo os cuidados. Estamos treinando em barcos individuais, treinamos separados, fica quatro metros de distância um do outro. Não tem aglomerações. Estou confiante no protocolo para retomarmos os treinos, porque temos o sonho olímpico de conquistar essa vaga”, disse.

Antônia da Silva, futebol feminino

Atleta internacional e um dos destaques do futebol feminino do RN nos últimos anos, Antônia da Silva pode se tornar a segunda potiguar a defender o Brasil no Futebol nos Jogos Olímpicos, ao lado da volante Suzana, natalense da Redinha. A zagueira de 26 anos joga atualmente no Madrid CFF, da Espanha. Natural de Riacho de Santana, ela já vestiu as camisas da Ponte Preta, Iranduba/AM, Corinthians e São Paulo, além de acumular convocações para a Seleção Brasileira. Próximo sonho: Jogos Olímpicos.

Créditos: Reprodução/InstagramAntônia joga pelo Madrid CFF, da EspanhaAntônia joga pelo Madrid CFF, da Espanha


“Expectativa é sempre grande de poder representar a Seleção Brasileira em qualquer competição, ainda mais que eu vinha de convocações recentes. Sabemos que o melhor foi ter adiado porque não havia nenhuma possibilidade de acontecer as Olimpíadas esse ano. Os treinos na Espanha já voltaram porque lá melhorou, mas ainda estou no Brasil por questões de documentação. Mas eles seguem me acompanhando e passando treinos para eu não ficar atrás das demais atletas do grupo”, aponta.

Samara Vieira, handebol

A natalense Samara Vieira é outra potiguar que sonha com os Jogos Olímpicos de 2021. Morando na Eslovênia, onde defende o Rkkrim, ela vem sendo convocada pelo técnico Jorge Dueñas na Seleção Brasileira de Handebol. A armadora esteve presente na última conquista da equipe, em 2019, quando as brasileiras venceram a Argentina e faturaram o hexacampeonato do pan-americano de Handebol.

Créditos: COBSamara Vieira (centro) vem sendo convocada pelo técnico da Seleção Brasileira de HandebolSamara Vieira (centro) vem sendo convocada pelo técnico da Seleção Brasileira de Handebol


“As expectativas estou bem tranquila, esperando ver se as competições vão ser realizadas primeiro, porque precisam ter ritmo de jogo para poder ir aos Jogos Olímpicos e também corre o risco de ser adiada ou cancelada. Espero que seja realizada agora em 2021. Com relação às voltas, os clubes estão tendo bastante cuidado. Aqui na Eslovênia não vamos sair do país para fazer amistosos com outras equipes e acho seguro. A situação aqui ainda está bem complicada”, diz.

Thalita Simplício, atletismo

Uma das atletas potiguares garantidas em Tóquio é a velocista Thalita Simplício, que foi medalha de prata nos Jogos Paralímpicos no Rio 2016. Com 22 anos, a atleta natural de Natal já vai disputar a sua segunda olimpíada e se prepara com várias adaptações durante a pandemia para não perder a forma física. Com a ajuda do seu treinador, a ideia é chegar na melhor forma possível para as próximas competições, incluindo os Jogos de Tóquio.

Créditos: Daniel Zappe/Exemplus/cpbThalita é uma das atletas já garantidas nos JogosThalita é uma das atletas já garantidas nos Jogos


“A gente tem um acompanhamento com psicólogo e para treinar tivemos que mudar toda uma estratégia de treino, pois vínhamos treinando forte, bem e de uma hora para outra tivemos que mudar toda uma estratégia. Manter a força. E em questão de treino em pista tivemos que dar uma segurada, diminuir a intensidade, fazemos algumas atividades, mas só para manter o ritmo que vínhamos trazendo para esse ano, com o auge em Tóquio”, comenta.

Joana Neves, natação

Um dos principais nomes do esporte paraolímpico do RN e do Brasil, Joana Neves, 33 anos, nutre as esperanças de participar de mais uma edição dos Jogos Olímpicos. Se em 2016 ela foi prata no Rio de Janeiro, a meta agora é voltar a defender o Brasil em Tóquio em busca de boas exibições. Com boa exibição no Mundial em Londres, no ano passado, ela está em 5º lugar no ranking e espera manter as atuações para conseguir a vaga.

Créditos: DivulgaçãoA nadadora Joana Neves espera participar de mais uma edição dos Jogos OlímpicosA nadadora Joana Neves espera participar de mais uma edição dos Jogos Olímpicos


“Estou bem esperançosa para conseguir pegar o índice. Todos os tempos que eles estimaram são todos meus, então eu conseguindo bater essas marcas, consigo entrar na lista dos contemplados para ir à Tóquio. Estou em isolamento porque sou do grupo de risco, mas a partir da próxima semana vou retornar meus treinos. Vai ter menos gente para treinar, vai ter um horário que a piscina vai ficar só para mim, então vou retornar os treinos”, diz a atleta do Vasco.

Ana Raquel Lins, paraciclismo

Outra potiguar que sonha em voltar aos Jogos Olímpicos é a paraciclista Ana Raquel Lins, 29 anos, natural de Natal. Ela esteve na delegação Rio 2016 no parathriatlon, mas agora está somente no ciclismo desde abril de 2018. Na pandemia, a atleta potiguar comenta que tem treinado com equipamentos específicos em casa e pedalado também na Rota do Sol, zona Sul de Natal. Atualmente, ela está em terceiro lugar no ranking e aguarda a definição do quantitativo de vagas por país por parte do COI para saber se vai à Tóquio.

Créditos: ReproduçãoAna Raquel Lins disputou as Olimpíadas no Rio de JaneiroAna Raquel Lins disputou as Olimpíadas no Rio de Janeiro


“Manter a forma está difícil, mas fico adaptando os treinamentos. Como sou do ciclismo, existe um material chamado rolo fixo que eu acoplo a bicicleta nele e consigo fazer os treinamentos específicos nele. Em alguns momentos, dependendo do dia e do horário, consigo sair só para treinar na rua. Não treino em grupo, treino sozinha, com máscara, mas adaptando os treinamentos.”, falou.

Junior França, halterofilismo

Um dos principais nomes do Rio Grande do Norte no halterofilismo, o paratleta Junior França, 24 anos, vive a expectativa de disputar os Jogos Olímpicos pela primeira vez na carreira. Em fevereiro de 2020, antes da pandemia, ele havia sido medalha de ouro na Copa do Mundo de parahalterofilismo, com foco voltado totalmente para Tóquio. Da categoria até 49 kg, Junior espera representar o Brasil em 2021 nos Jogos e luta para estar entre as oito posições do ranking mundial do parahalterofilismo.
Créditos: Ivo Felipe/CBPJúnior França tem boas expectativas de representar o Brasil pela primeira vez nos JogosJúnior França tem boas expectativas de representar o Brasil pela primeira vez nos Jogos


“A expectativa está boa. Terei mais tempo para me dedicar a um evento, porque necessito de mais um evento internacional e já tem possíveis competições no próximo ano. Estarei nessas competições para cravar minha vaga em Tóquio”, disse Junior, que tem treinado em casa para manter a forma física. Na parte de levantamento de peso, ele espera fazer os treinos específicos nos próximos dias.