Fórum debate cenário atual e perspectivas para a energia

Publicação: 2016-10-26 00:00:00 | Comentários: 0
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A geração de energias, sobretudo as renováveis e as tendências no cenário mundial são temas do 4º Fórum de Energia do RN, que começa hoje em Natal e reúne especialistas, pesquisadores, empresários, gestores e operadores de energia. Em coletiva de imprensa realizada na sede do Cerne, na tarde de ontem, especialistas do setor anteciparam alguns cenários.
Ana SilvaAndrew McAllister (à esquerda) e Jean-Paul Prates: Foco em soluções de geração de energiaAndrew McAllister (à esquerda) e Jean-Paul Prates: Foco em soluções de geração de energia

Em meio a estiagem prolongada, o presidente do Cerne, organizador do evento, Jean-Paul Prates, alerta para a necessidade de soluções de geração de energia que evitem o  uso de água. “Essa mudança de matriz energética passa por energias dos ventos, solar, biomassa. Nada que emita carbono”, afirma.

O estado Califórnia é considerado uma referência em tecnologia e gestão da geração de energia solar.   No Brasil, a ampliação da geração distribuída de energia solar (mini e micro geração  para consumo próprio) esbarra ainda na falta de informação e do custo para instalação do sistema, que apesar de já ter reduzido, ainda é tido como alto por quem procura a tecnologia.

Um sistema de paineis fotovoltaicos custa em média entre R$ 15 a R$ 20 mil, para uma família de quatro pessoas. O prazo de retorno do investimento (pay back) é de cinco a oito anos e a vida útil do equipamento de 25 a 30 anos. Em alguns casos, a economia no final do mês na conta de luz chega a 90%.

“O custo a pagar pode ser menor do que é pago para a concessionária. Vai ter o mesmo serviço, mesmo nível de confiabilidade, mas para um por um preço menor todos os meses”, afirma. Andrew McAllister, membro da Comissão Energética do Estado da Califórnia, que fará palestra sobre a era das energias renováveis, a partir da visão de mercado internacional e perspectivas de futuro.

McAllister defende a necessidade de  implantar políticas para desenvolver o mercado de energia solar,  gerar em escala e reduzir os impostos. Entre os resultados da troca de experiência, o consultor americano acredita que modelos de tecnologia solar e de negócios usados nos Estados Unidos para implantar energia limpa possam ser desenvolvidos e contextualizados a realidade local.

Estudo da EPE mostra que se instalar sistemas fotovoltaicos nos telhados das residências brasileiras, a geração será 2,3 vezes maior do que o consumo de energia em todo o país. Para “destravar” a micro e mini geração de solar, algumas medidas governamentais são pleiteadas pelo setor, como o uso do FGTS para financiar os sistemas de placas fotovoltaicas e subsídios para estimular a geração e promover a economia na conta.

“O Brasil vai chegar em 2050 com matriz 100% renovável. Se há dúvida sobre isso, não é de ordem tecnológica e nem econômica. O que segura essa revolução no Brasil é  vontade política”, afirma Barbara Rubim.

Bárbara é coordenadora da campanha de energias renováveis do Green Peace, que desenvolve  estudo trienal que apontam as diretrizes para que o Brasil atinja, até 2050, a totalidade da matriz energética em renováveis. O que em princípio parecem metas radicais, segundo ela, é totalmente viável.

 O estudo lançado pelo Green Peace, em agosto deste ano, mostra  o desenvolvimento da matriz energética e traça os passos que o Brasil deve seguir para se tornar um país 100% renovável, em 2050. “Este é um imperativo  em todo o mundo devido a questão das mudanças climáticas”. O estudo será detalhado durante o Fórum.

A realidade californiana, assim como a brasileira, é de uma matriz energética predominantemente  hidrelétrica. A diferença, segundo Rubim, é que a crise hídrica lá fora levou o governo, de fato, a repensar como balancear a matriz energética. “Infelizmente não é o aprendizado que nós temos visto Brasil, mesmo após esta crise hídrica que enfrentamos. O Governo continua a investir em hidrelétrica e termoelétrica, que consome muita água no seu processo”, lamenta Bárbara Rubim.

Bate papo com Andrew McAllister, membro da Comissão Energética do Estado da Califórnia
Como o senhor avalia essa interação com o Nordeste brasileiro e que resultados pode gerar?
É importante esta troca de experiência porque o Nordeste é o  líder na geração de energia eólica no Brasil. Também porque o Nordeste e o Estado da Califórnia (EUA) tem climas bem parecidos. A Califórnia é líder em termos de energia solar nos Estados Unidos. É um dos setores que mais cresce no Estado. E aqui no Nordeste, mais especificamente em Natal, tem 300 dias de sol por ano o que é perfeito para a instalação de paineis solares, para o uso e a geração da energia solar. Nossa intenção é trazer essa colaboração e também aprender. Trazer soluções que causem um impacto mais forte e que chegue mais rápido a economia e a população.

A escassez de água, comum ao Nordeste e a Califórnia, sinaliza o uso maior de energias renováveis. O que é necessário para viabilizar?
A situação da Califórnia é semelhante a do Nordeste com seca prolongada. E a mudança climática nos traz uma realidade de possível seca permanente. Esta nova realidade nos leva a repensar outros aspectos. Em termos da água, ela é energia. Precisamos de energia para tudo. E quando economizamos água economizamos também energia. Pensar soluções a partir do uso de energia solar, eólica, de biomassa, entre outras fontes da matriz energéticas. O sistema energético da Califórnia e sua gestão é muito complexo. E como se resolve? Com tecnologia, inovação e pessoas inteligentes. É o que buscamos. A Califórnia usa a matriz solar, eólica, térmica e geotérmica e, até 2050, é de ter 90% de energia renováveis. Para isso, precisamos de novos sistemas de gestão e a armazenagem. É chave fazer a gestão dessa armazenagem. Neste sentido eu acredito que o Nordeste do Brasil e a Califórnia vão caminhar em paralelo.



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