Fãs de Maradona se aglomeraram em frente à Casa Rosada para o último adeus ao ídolo

Publicação: 2020-11-27 00:00:00
Fãs do argentino Diego Maradona e policiais entraram em conflito na tarde desta quinta-feira, em Buenos Aires, do lado de fora da Casa Rosada, local do velório do astro. um grupo de pessoas tentou derrubar as grades de proteção para ganhar espaço na longa fila. A polícia local respondeu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e prisões para dispersar o tumulto. Após o velório, o corpo de Diego Maradona foi levado ao cemitério Jardín Bella Vista, a cerca de 40 quilômetros da capital argentina. O ex-camisa 10 foi enterrado junto de seus pais, Diego e Dalma. Até o local, houve um cortejo fúnebre com passagens pelas principais avenidas da cidade. 

Créditos: martin zabala xinhua/estadão conteúdoEm frente à Casa Rosada os fãs de Maradona iniciaram um tumulto tentando se aproximarEm frente à Casa Rosada os fãs de Maradona iniciaram um tumulto tentando se aproximar

No meio da grande aglomeração de pessoas na esquina da Avenida de Mayo com a 9 de Julho, perto da Casa Rosada, foram registradas empurrões, correria e gritos. Enquanto alguns tentavam furar a fila, a polícia reagiu e começou a dispersar o tumulto. As balas de borracha também feriram algumas pessoas, que tiveram de receber atendimento médico. Houve também o uso de caminhões hidrantes e de motos para fazer com que alguns se afastassem da região.
Alguns fãs reagiram à ação da polícia com o arremesso de garrafas e hidrantes. Diante da violência, famílias com crianças pequenas tiveram de fugir pelas ruas secundárias enquanto a polícia avançava. A fila para entrar no velório de Maradona tinha mais de 20 quadras de extensão. Durante o tumulto, alguns invadiram a Casa Rosada. Por precaução, o caixão do ídolo foi transferido para um outro salão.

A confusão teve início perto do fim do velório, que a pedido da família, terminou às 16h. Com longas filas desde a madrugada, o público estava muito ansioso para passar pelo salão onde estava o caixão do ídolo argentino. Por causa dos cuidados com a pandemia do novo coronavírus, a presença foi restrita a no máximo 20 pessoas por vez.

Casa Rosada
A cerimônia ocorreu no Salão de Los Patriotas e reuniu autoridades e fãs do craque campeão mundial em 1986. Maradona é um dos poucos argentinos que foram velados na Casa Rosada. A última pessoa a ser velada na sede do governo argentino foi o ex-presidente Néstor Kirchner, falecido em outubro de 2010. A cerimônia atraiu milhares de pessoas ao local e ainda hoje é lembrada como um momento histórico.

Antes de Kirchner, em 1995, um outro ídolo do esporte, Luis Manuel Fangio, cinco vezes campeão da Fórmula 1 e um dos maiores pilotos da história, teve o corpo velado no Salão Branco. Isso aconteceu porque, além da popularidade de Fangio, o presidente na época era Carlos Menem, um fanático declarado das corridas.

A lista de argentinos que tiveram a honra de ter seu funeral no emblemático edifício possui, com exceção de Fangio, apenas presidentes: Bartolomé Mitre, Manuel Quintana, Carlos Pellegrini, Roque Saenz Peña, Julio Roca, Marcelo Torcuato de Alvear e Néstor Kirchner.

Créditos: reprodução/rede socialO cortejo fúnebre, que percorreu várias ruas da cidade de Buenos Aires, reuniu uma multidãoO cortejo fúnebre, que percorreu várias ruas da cidade de Buenos Aires, reuniu uma multidão

Polêmicas
Um dia depois da morte de Diego Maradona, o seu advogado Matias Morla usou as redes sociais nesta quinta-feira para reclamar da demora no socorro por parte do serviço de saúde da Argentina ao ex-craque no final da manhã de quarta. Em um comunicado oficial, ele disse que também que é "inexplicável" que Maradona não tenha tido atenção durante 12 horas do pessoal destinado a cuidar dele.

"Quanto ao informe da perícia de San Isidro, é inexplicável que durante 12 horas meu amigo não tenha tido atenção nem controle por parte do pessoal de saúde deslocado a esse fim. A ambulância demorou mais de meia hora para chegar, o que foi um crime. Este fato não pode passar por alto e vou pedir que se investigue até as últimas consequências", escreveu Morla em seu Instagram.

A autópsia, realizada no início da noite de quarta-feira, concluiu que a causa da morte foi por insuficiência cardíaca, que gerou um edema agudo no pulmão e um mal súbito. "Insuficiência cardíaca aguda, em um paciente com uma miocardiopatia dilatada, insuficiência cardíaca congestiva crônica que gerou edema agudo de pulmão", disse o comunicado.

"Hoje é um dia de profunda dor, tristeza e reflexão. Sinto em meu coração a partida de um amigo, a quem honrei com minha lealdade e acompanhamento até o ultimo dia. Minha despedida dele foi pessoalmente, o velório deve ser um momento íntimo e familiar", prosseguiu Morla.

"Como dizia Diego: você é meu soldado, atua sem piedade. Para definir Diego nesse momento de profunda desolação e dor posso dizer: foi um bom filho, foi o melhor jogador de toda a história e foi uma pessoa honesta. Que descanse em paz, irmão", completou o advogado.

O último registro público de Maradona aconteceu por meio da publicação de uma foto no dia 11 de novembro. O clique, onde o ídolo argentino aparece com um curativo na cabeça, ainda no hospital, ao lado de seu médico pessoal, Leopoldo Luque, incomoda parte de seus familiares. Isso segundo a imprensa do país.

Na ocasião, Maradona havia acabado de receber alta da clínica Suizo Argentina, em La Plata, onde foi submetido a uma cirurgia para tratar um hematoma no lado esquerdo de sua cabeça. "Jamais tive intenção de gerar algum conflito. Peço desculpas aos que se sentiram ofendidos", disse Leopoldo, responsável pela publicação da imagem.

Segundo o médico, sua intenção era mostrar que Maradona estava melhor. Isso porque em sua última aparição pública, antes da internação, no dia 2 de novembro, o ídolo nacional aparentava estar debilitado e apresentava dificuldades de locomoção. "Pensei que seria uma imagem para apagar a última de Diego", revelou. Leopoldo disse ainda que a publicação da imagem teve o consentimento de Maradona. 

Créditos: reprodução/rede socialO caixão com o corpo de Maradona permaneceu fechado e foi coberto por camisas e bandeiras. Sepultamento foi no início da noiteO caixão com o corpo de Maradona permaneceu fechado e foi coberto por camisas e bandeiras. Sepultamento foi no início da noite