Fátima Bezerra toma posse como governadora em solenidade na Escola de Governo

Publicação: 2019-01-01 16:47:00 | Comentários: 0
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A sessão solene da posse de Fátima Bezerra e Antenor Roberto como governadora e vice-governador, respectivamente, teve início às 15h50 desta terça-feira (1º). Com 50 minutos de atraso, o presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira deu início a sessão. Fátima Bezerra e Antenor Roberto entraram acompanhados dos deputados Fernando Mineiro, Márcia Maia e Larissa Rodado até o auditório da Escola de Governo.

Após o juramento de respeito à Constituição Federal e Estadual, Fátima Bezerra fez o seu primeiro discurso como governadora do Rio Grande do Norte. “A generosidade e o sentimento de mudança do povo do Rio Grande do Norte nos trouxe aqui hoje. Assumo sem dúvida nenhuma a tarefa mais desafiadora da minha vida política: ser governadora do Rio Grande do Norte, o estado que me acolheu”, iniciou emocionada Fátima Bezerra.
Fátima foi empossada em solenidade na Escola de Governo
Fátima foi empossada em solenidade na Escola de Governo

Durante a solenidade, apoiadores de Fátima Bezerra gritaram palavras de apoio ao fato dela ser a única governadora entre todos os estados brasileiros. A petista foi empossada acompanhada com a música “Maria, Maria” de Milton Nascimento. Apoio pela soltura do ex-presidente Lula, atualmente preso em Curitiba, também foram manifestados.

O presidente do Legislativo, Ezequiel Ferreira, defendeu a soberania popular, a democracia e disse que a eleição de Fátima significou a confiança da população nas mudanças que ela pode promover. “A chegada do novo governo representa a esperança do povo potiguar por um Rio Grande do Norte mais equilibrado”, afirmou Ezequiel. “O povo reconheceu a sua história de vida formatada na sensibilidade social e reconhecimento público para transformar o Rio Grande do Norte para um estado mais equilibrado”, acrescentou.
“Desejamos a senhora na chegada ao novo desafio que buscou na vida pública muita luz, equilíbrio, resiliência que faça o Rio Grande do Norte retomar o crescimento social, econômico e administrativo”, concluiu Ezequiel Ferreira. “Vamos juntos trabalhar e fazer o Rio Grande do Norte que queremos”.

O primeiro discurso de Fátima Bezerra como governadora do Rio Grande do Norte ressaltou o desafio do mandato, o diálogo com os segmentos sociais e a confiança dos um milhão de eleitores da petista. “Quero liderar um processo de diálogo que envolva todos os setores representativos da sociedade. Quero construir convergências em prol do nosso principal objetivo; melhorar a vida do povo do Rio Grande do Norte”, declarou a governadora, visivelmente emocionada durante todo discurso.

Fátima Bezerra também ressaltou que serão necessárias medidas para enfrentar o que ela chamou de “legado dramático” do atual governo. A governadora anunciou que recebe o Governo do Estado com R$ 2,6 bilhões em dívidas. “É grave a realidade que vivem os servidores, que não só não recebem seus salários em dia, como não dispõem sequer de um calendário de pagamento. Essa situação, que se tornou rotineira, não pode ser por nós naturalizada”, disse. “Nosso foco, antes de mais nada, será organizar as contas para colocar em dia o pagamento dos servidores”.

As primeiras medidas devem ser anunciadas nesta quarta-feira (2) em uma reunião com representantes dos poderes, empresários e categoria de servidores.

Leia o discurso na íntegra:

Excelentíssimo Sr. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira;
 
Excelentíssimo Sr. Vice-Governador, Antenor Roberto;
 
Demais autoridades presentes;
 
Meus amigos e minhas amigas,
 
A generosidade e o desejo de mudança expressos pela população do Rio Grande do Norte nos trouxe até aqui hoje. Assumo, sem dúvida nenhuma, a tarefa mais desafiadora da minha vida política: ser governadora do estado do Rio Grande do Norte. Um estado que me acolheu desde a minha juventude, e para o qual dediquei uma vida de trabalho como professora, deputada estadual, deputada federal e senadora.
 
O sentimento de gratidão que quero externar para vocês hoje, tem a dimensão da esperança que foi depositada nas urnas por mais de um milhão de pessoas; da responsabilidade de quem sabe que foi eleita para fazer diferente; do compromisso com aqueles e aquelas cujos direitos sempre foram negados; e da humildade de quem sabe que não se pode governar sozinha.
 
Em um momento tão difícil da história do nosso Estado e do nosso País, onde o desemprego, a escassez de serviços públicos de qualidade, o desrespeito aos trabalhadores e a insegurança afetam grandemente as famílias, me foi confiada a honrosa tarefa de governar o Rio Grande do Norte. De colocá-lo nos trilhos do desenvolvimento, da justiça e da inclusão social.
 
Sou a única mulher a tomar posse hoje como governadora. A única governadora eleita em todo o país. Eleita pelo estado onde as mulheres primeiro conquistaram o direito ao voto; que primeiro elegeu uma mulher ao cargo de deputada estadual; e que teve a primeira prefeita eleita em toda a América Latina.
 
Por isso, trago aqui a memória de Maria do Céu Fernandes, de Alzira Soriano, de Clara Camarão, de Nísia Floresta, de Alta de Souza, de Celina Guimarães e Dona Militana. De todas as mulheres potiguares e brasileiras que me inspiram cotidianamente a seguir a luta. Vocês tomam posse hoje comigo.
 
Fizemos uma linda campanha. Responsável, propositiva, que não brincou com a esperança ou vendeu ilusões à população. Uma campanha marcada pela participação popular, pelo pé no chão e pelo respeito aos nossos adversários e ao povo. Debatemos ideias, confrontamos projetos, apresentamos propostas que contaram com a aprovação da maioria do povo potiguar.
 
Agora, governadora eleita, vou governar para todos. Para os que votaram e para os que não votaram em mim. Quero liderar um processo de diálogo que envolva todos os setores representativos da sociedade. Quero construir convergências em prol do nosso do nosso principal objetivo: melhorar a vida do povo do Rio Grande do Norte.
 
Queremos fazer do nosso governo um instrumento de transformação social. Não um governo para o povo potiguar, mas um governo COM o povo. De mãos dadas com todos para superar desafios e encontrar soluções capazes de fazer do nosso estado um GRANDE Rio Grande do Norte.
 
Sabemos que o legado que estamos recebendo é dramático. Basta falarmos da crise fiscal. Estamos herdando uma dívida da ordem de R$ 2,6 bilhões; três folhas de pagamento do funcionalismo público atrasadas; dívidas com fornecedores que fornecem para áreas essenciais do governo. Uma das faces mais cruéis dessa herança se expressa no completo desrespeito com os servidores públicos.
 
É grave a realidade que vivem os servidores, que não só não recebem seus salários em dia, como não dispõem sequer de um calendário de pagamento. Essa situação, que se tornou rotineira, não pode ser por nós naturalizada. Nosso foco, antes de mais nada, será organizar as contas para colocar em dia o pagamento dos servidores. Isso exigirá de nós muito esforço fiscal, tanto para conter o crescimento das despesas obrigatórias como para ampliar a arrecadação. Nos empenharemos nisso.
 
Precisamos superar gradativamente a grave crise fiscal em que o RN se encontra; regularizar o pagamento dos servidores públicos; aprimorar a política de segurança pública e valorizar os seus profissionais, dando paz à população; garantir segurança hídrica para todas as regiões do estado; qualificar os serviços públicos, em especial nas áreas de educação, saúde e assistência social; retomar a capacidade de investimento do nosso estado, para que possamos impulsionar a geração de emprego e renda, e assim garantir cidadania e vida digna.
 
Entendemos que não é possível um estado com tantos potenciais de riquezas naturais, como o petróleo, a fruticultura, o sal e os minérios, com um gigantesco potencial para o turismo, não converter essas riquezas em cidadania para o seu povo. Isso só se explica pela visão arcaica das gestões oligárquicas, de perfil conservador, que tivemos até hoje.
 
Não, não faremos um governo olhando para o retrovisor. Ao nosso projeto não serve recorrer à herança maldita. Mas temos a obrigação de sermos cristalinos com a população a respeito do quadro atual do nosso estado. Tenham certeza que começaremos a enfrentá-lo já no primeiro dia de governo, quando iremos promover um encontro com diversas entidades representativas, para adotar um conjunto de medidas que visam retomar o desenvolvimento econômico do nosso Rio Grande do Norte.
 
Não será fácil, já sabíamos. Mas, afinal, fácil nunca foi. Como a maioria do povo potiguar, eu não nasci em berço de ouro, sempre lidei com as dificuldades. Com a fome, a pobreza, a falta d’água, a dificuldade para estudar. Sei o significado da luta e da construção de oportunidades.
 
Sei também a responsabilidade que me trouxe cada um dos mais de um milhão de votos recebidos, carregados de esperança e do desejo de mudança que brotou nos corações simples, corajosos e indignados da nossa sociedade. Me emociona lembrar cada abraço e cada palavra de encorajamento que recebi durante a campanha.
 
Não queremos apenas inverter prioridades, queremos promover uma Educação Democrática e Libertadora, uma Segurança Cidadã, uma Saúde Humanizada, a Participação Popular e a Transparência como princípios norteadores das políticas.
 
Como guia, temos o nosso programa de governo que foi construído a muitas mãos e amplamente debatido com o conjunto da sociedade. Nele não há soluções mágicas ou promessas intangíveis, mas propostas que visam a construção de um governo verdadeiramente popular, capaz de enfrentar os tempos difíceis que vivemos.
 
Com esse espírito compus o meu Secretariado, formado por lideranças sérias e comprometidas das áreas econômica e sociais do governo, com o qual trabalharei em equipe, sem personalismo, com ética e espírito público, pensando exclusivamente no melhor para a população do Rio Grande do Norte.
 
Com esse espírito iremos também manter uma relação construtiva e fraterna om os demais Poderes, respeitando sua independência e o exercício de suas funções constitucionais. O Poder Legislativo, que neste ato empossa a mim e ao meu vice, Antenor Roberto, é o mesmo que tive a honra de compor quando fui parlamentar, e com o qual desejo contar para o debate e a viabilização das mudanças que a sociedade espera de nós.
 
Quero dizer a vocês que minha dedicação será integral, minha disposição será absoluta e que meu compromisso é inegociável em fazer do Rio Grande do Norte um Estado mais justo, que trate com dignidade o seu povo. Para isso fui eleita. Para isso me elegeram a primeira governadora de origem popular do nosso Estado.
 
A população disse que esse Estado não tem mais donos e que mesmo na adversidade nós devemos ter esperança. A esperança que Paulo Freire nos ensinou, do verbo esperançar. Não a esperança que espera, mas a que se levanta, que vai atrás, que constrói, que não desiste. Esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.
 
Esse é o pacto que quero fazer com vocês. Vamos sonhar e organizar o sonho. Vamos governar para todos e para os que mais precisam. Vamos ter esperança e coragem. Paciência e perseverança. Serenidade para lidar com os desafios, sabedoria para governar e união para juntos trilharmos um outro caminho. Vamos juntos!
 
Viva o povo do Rio Grande do Norte!



Atualizada às 17h21



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