Fadiga de material

Publicação: 2020-02-19 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: DivulgaçãoNatalNatal


Bem se sabe Senhor Redator, que faz parte das razões do bem-querer o forte prestígio que mantém a equipe do chamado trade oficial. São velhos grupos que se revezam no domínio da máquina de viagens e mordomias que já vem levando à decadência a promoção de Natal e do Rio Grande do Norte como destinos turísticos. Tanto que hoje, ontem e anteontem, esse jogo medíocre mostrou-se ineficiente diante do desempenho da Paraíba, Pernambuco e Ceará.

Para ter exemplos reais, basta lembrar o fenômeno de Pipa, uma vila de pescadores e praia municipal, hoje transformada no maior destino local, nacional e internacional do Estado e a mais próspera área de investimentos imobiliários, de hoteleira, comercial e residencial - se considerada a proporcionalidade da sua área física. E Santa Cruz, centro de turismo religioso que o trade, até hoje, não soube fazer, desde a beatificação dos mártires e Uruaçu e Cunhaú.  

Mais grave do que um ano de letargia, e de ter importado um especialista apresentado como a redenção do turismo, há uma lamentável indisposição do governo diante de qualquer crítica que se faça. Antes de avaliar o fracasso, como se fosse uma propriedade que se pudesse alforriar em benefício de alguém, a governadora Fátima Bezerra parece infensa a admitir a menor cobrança, levando o turismo a um quadro ainda mais crônico do que já foi até hoje.

Não bastasse padecer de uma falta de criatividade absoluta, o trade oficial há anos se nutre e se cerca de sua própria mediocridade improvisando falsos executivos, uns herdeiros de hotéis e outros de esquemas de grupos, o transtorno vai muito além: o desconhecimento das potencialidades do Estado. São jejunos, especialistas em dunas e bugres, ginga e tapioca, sem qualquer sensibilidade para os desafios que o turismo exige em todas as suas várias facetas.

Há décadas aposta nas feiras, levando seu fardo e seu caçuá de queijos e carne-de-sol, doce e bolachinha, quando as companhias e hotéis do mundo inteiro fecham seus escritórios e apostam na ocupação da força virtual, no e-commerce, hoje responsável por índices de venda cada vez maiores. O governo é populista, como os anteriores, e repete o modelo: gasta na promoção dissimulada do culto a si mesmo sem investir e garantir uma presença forte lá fora.

O marketing tem sido arma eficiente na promoção dos governos. Em alguns instantes, com um inegável padrão de qualidade. Mas como o contratante, no caso, o governo, impõe o tipo de mercadoria que deseja comprar, o mercado prestador de serviço não tem razões para se negar a fornecer. Quando o certo seria evitar a cantilena dos milagres falsos e estéreis para mirar no turismo, o terreno fértil para a geração de emprego, renda e riqueza. Até quando?

AVISO - De Roberto Pompeu de Toledo no fio perfeito: “O homem que poderia contribuir para desvendar o mistério do assassinato de Marielle Franco virou, ele próprio, um mistério”.

MULTA - Carece de exiquibilidade - a qualidade do que é exequível - a decisão da Prefeitura de Natal multar em R$ 5 mil a quem pichar prédios públicos e privados. O mundo fracassou.

COMO? - A Prefeitura fará rol das marcas com registro de patente para provar a autoria? Quem não pagar a multa é inscrito na dívida ativa? Os bens do pichador irão à hasta pública?

LUTA - Uma candidatura própria dos tucanos com apoio do deputado Ezequiel Ferreira fica para depois. A aliança PSDB-PT em Currais Novos será mantida. É o melhor para os dois.

ÚMIDAS -Sai até março a nova edição, pela UFRN, de “Páginas Úmidas”, reunião de textos da professora-doutora Maria Conceição Almeida. Pelo título, é um livro excitado e excitante.

SAMBA - Quem vai desfilar na Escola de Samba ‘Águia Dourada’, na noite de domingo, é o folclorista Gutemberg Costa. O enredo vai contar e cantar a vida e a obra de Câmara Cascudo.

LUTA - Não é que tenham enganado a governadora Fátima Bezerra na redução do preço do querosene de avião. A Paraíba, o Ceará e Pernambuco que chegaram. E com competência.

DAÍ - Não é o valor das tarifas aéreas que derrota Natal. Nem o querosene de aviação. Os paraibanos, cearenses e pernambucanos é que demonstram capacidade e habilidade de gestão.  

TOQUE - Os alunos da nona série do Cei-Romualdo Galvão estão agora fazendo a leitura, na versão em quadrinhos, de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, com adaptação de Cesar Lobo e Luiz Henrique Aguiar. Convenhamos: nesses tempos, é toque de classe e bom gosto.

CONCEITO - De Dora Kramer na ‘Veja’ desta semana, convencida de que a reforma da previdência pode fracassar em alguns estados, aqueles sob a tutela de governantes populistas: “Populista é por definição e conduta um ser egoísta, exibicionista e algo delirante”. E ponto.

EFEITO - Vida de colunista social nem sempre é das mais prósperas em matéria de livros. “A Vida é uma Festa”, de Bruno Meier, contando a história do colunista Amaury Júnior, caiu a R$ 10 reais na promoção de uma grande rede nacional de livrarias. E ainda está boiando.







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