Faixa de isenção do Imposto de Renda pode subir para R$ 2 mil

Publicação: 2019-12-03 00:00:00
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 2, que pretende elevar, ainda neste ano, a faixa de isenção do Imposto de Renda para atingir trabalhadores que ganham até “próximo de R$ 2 mil" por mês.

Créditos: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABREquipe econômica comandada por Paulo Guedes deverá analisar impacto na arrecadação federal com possibilidade de correção do IREquipe econômica comandada por Paulo Guedes deverá analisar impacto na arrecadação federal com possibilidade de correção do IR

Hoje, a faixa de isenção já é próxima desse valor: no IR de 2019, beneficiou quem ganhava até R$ 1.903,98. A mudança, se confirmada, valeria para o IR de 2020.

“Eu gostaria de entregar o meu governo, por exemplo, quem ganhasse até R$ 5 mil ficasse isento do Imposto de Renda. Estou trabalhando para que este ano a gente chegue próximo aos R$ 2 mil. O pessoal pode reclamar: 'só R$ 2 mil, prometeu R$ 5 mil.' Eu prometi R$ 5 mil, espero cumprir até o final do meu mandato", disse o presidente.

No ano passado, o então Ministério da Fazenda (hoje Economia) divulgou cálculo que apontava que, se a isenção para quem ganha até R$ 5 mil fosse aplicada, o governo deixaria de arrecadar R$ 60 bilhões por ano.

Bolsonaro admitiu que a sua proposta gerou “reação" por parte de sua equipe econômica e da Receita Federal, mas disse acreditar que seus “argumentos" serão ouvidos.

Ao elevar a faixa de isenção, o governo reduz o número de pessoas que pagam o Imposto de Renda e, com isso, arrecada menos.

“Tem reação por parte da equipe econômica? Tem, é óbvio que tem. Tem por parte da Receita? Tem. E isso daí em parte eu estou forçando um pouco a barra, mas não vou constranger a equipe econômica, muito menos a Receita Federal. Acredito que os meus argumentos sejam ouvidos por parte deles, apesar de eu não entender de economia", completou o presidente.

Salário mínimo pode ser alterado
O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou que o governo ainda não entregou a política de salário mínimo de 2020 e que o valor ainda pode ser alterado. Em entrevista à Rádio CBN, ele disse que a redução do valor no Orçamento, de R$ 1.039 para R$ 1.031, anunciada na semana passada, ocorreu devido à projeção menor para o INPC (índice de inflação que corrige o piso nacional) de 2019, para 3,26%.

“O Orçamento é feito baseado em parâmetros. O mínimo tem correção pelo INPC e temos observado redução do valor para o ano de 2019. Aplicamos diretamente uma fórmula. Como caiu, a estimativa anterior também foi reduzida. A lei não proíbe um valor maior (para o mínimo), mas estamos de forma transparente corrigindo pelo INPC", explicou Waldery. “Mas ainda poderemos ter alteração para o mínimo de 2020, pois o governo ainda não mandou o projeto que define o valor", completou.

De acordo com o secretário, todo recurso que entra como salário, grosso modo, permite maior consumo. “Esse é um dos itens mais importantes para a composição do PIB. Mais de 60% (do PIB) é consumo. Mas as despesas também são importantes. É importante ter equilíbrio para o crescimento do PIB no curto prazo e ao longo do tempo", afirmou. “A cada R$ 1 a mais no mínimo equivale a gasto de mais de R$ 300 mi."


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