Falta assistência para autistas

Publicação: 2018-04-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Os obstáculos que Alberto, de 11 anos, enfrenta, são minimizados pela constante luta da mãe, Rochele Elias Barbalho, 37 anos, e sua família. Com o suporte necessário, os efeitos do Transtorno de Espectro Autista (TEA) são, pouco a pouco, minimizados. A realidade não se estende a maioria dos autistas, que contam com poucas políticas públicas eficazes no Rio Grande do Norte. Especialistas e pacientes reclamam da pouca assistência pública recebida dos entes públicos.

A médica Rochele Elias e o filho Alberto vivem uma luta diária contra o preconceito que atinge autistas e familiares
A médica Rochele Elias e o filho Alberto vivem uma luta diária contra o preconceito que atinge autistas e familiares

Apesar de ter percebido alguns comportamentos no filho, foi com um ano e sete meses, quando o menino entrou na escola, o alerta foi aceso.  Alberto faz parte de um universo de quase dois milhões de pessoas no Brasil que têm autismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 160 crianças no mundo é afetada pelo autismo. 

Fruto de uma gravidez planejada e sem nenhuma intercorrência, Alberto frequenta a escola e faz atividades como as outras criança. O começo da história, no entanto, deixou a mãe dele assustada. “No   começo foi difícil. Apesar de ser médica, as pessoas não tem noção do que é cuidar de uma criança com autismo. As pessoas não tem noção do que isso representa no dia-a-dia de cuidados”, explica a Rochele Elias. 

A carência de políticas públicas de inclusão reflete também no preconceito diário enfrentado por autistas e familiares. Alguns exemplos diários são dados pela mãe de Alberto. “Aquela criança que no parquinho do colégio é taxada de doida. O seu vizinho de porta que acha que a porta do carro dele amassada foi a criança que amassou, que não pode ter sido na rua. Alguém no prédio que não desce no mesmo elevador que você, de ficar apontando ou olhando”, lamentou a médica, que  frisa o comportamento como fruto de ignorância.

A mãe é idealizadora do projeto que exibe sessões de cinema voltadas para autistas, criado pelo Grupo Mães Corujas Batalhadoras. A próxima sessão exibirá o filme "Capitão Cuecas", em 28 de abril, às 10h. "Geralmente em sessões convencionais as pessoas não tem paciência para uma criança que grita ou que não fica concentrada. Elas tem razão assim como eu tenho também em levar meu filho para eventos culturais", defende a mãe.

O combate ao preconceito e estigmatização de pessoas autistas é uma das bandeiras levantadas pela pediatra potiguar, Luíza Meira Pires. A médica é categórica quando se fala em inclusão: “Não existe nenhuma inclusão, seja social, escolar ou qualquer outra forma, se não for através da família”. E para isso, a pediatra que também é hebiatra, ou seja, que trata adolescentes, defende a criação de políticas públicas eficazes na divulgação de informações e suporte profissional.

O neuropediatra Sávio Caldas explica que o autismo é uma condição neurobiológica de ordem genética que resulta no atraso de desenvolvimento e comunicação. Ao contrário da Síndrome de Down, por exemplo, os casos de autismo tem diagnostico completamente clínico, baseado em comportamento e características da pessoa.

O Simpósio Dialogando Sobre o Autismo, Síndrome de Down e TDAH, que se encerrou ontem, debateu o tema em Natal. Além de pais e profissionais, ele é voltado para toda sociedade, uma vez que está debatendo diversas questões que envolvem os assuntos que norteiam os Transtornos do Espectro Autista – TEA, a Síndrome de Down e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade – TDAH, que têm se tornado cada vez mais comuns.


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