Cookie Consent
Natal
Falta de insumos traz problemas para abastecimento de remédios
Publicado: 00:01:00 - 13/05/2022 Atualizado: 21:07:29 - 12/05/2022
A Unidade Central de Abastecimentos Terapêuticos do Rio Grande do Norte (Unicat) registrava, na última quarta (11), a falta de 63 medicamentos, provocada, principalmente, pela escassez de insumos no mercado, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN). A pasta informou que não há desabastecimento nos hospitais da rede no momento. Questionada se há risco de que isso aconteça, a Sesap respondeu que, “por enquanto, não”.

Adriano Abreu
Dos 63 medicamentos em falta na Unicat, 38 estão em processo de licitação. Carência não afeta os hospitais da rede estadual

Dos 63 medicamentos em falta na Unicat, 38 estão em processo de licitação. Carência não afeta os hospitais da rede estadual


 Dentre os medicamentos em falta na Unicat, 38 estão em processo de licitação, 20 aguardam distribuição, 4 estão indisponíveis e 1 aguarda finalização do processo de aquisição. A Sesap afirmou que o grande número de medicamentos em licitação se dá porque muitas delas ficam desertas, em razão, especialmente, da falta de insumos.

A pasta esclareceu que tem empreendido esforços no sentido de mitigar a falta desses remédios, com o contingenciamento e uso racional do estoque nas próprias unidades. “A Unicat foi orientada a emergencialmente abastecer toda a rede, inclusive, aquelas unidades gestoras, como o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel e o Hospital Regional Tarcísio Maia, para as quais o consumo não havia sido dimensionado, o que fez com que o estoque já reduzido da Central se exaurisse rapidamente”, explicou a Sesap.

De acordo com a Secretaria, algumas providências foram tomadas para tentar sanar o desabastecimento na Unicat, mas as ações não foram suficientes, porque esbarraram na escassez do mercado. “O Estado aplicou a modalidade 'requisição administrativa' (uma intervenção do Estado na propriedade privada que  consiste na aquisição de bens – nesse caso, medicamentos – móveis ou imóveis, pertencentes ao particular para atendimento de uma necessidade pública urgente)”, informou a Secretaria.

“Paralelamente, houve o desencadeamento do processo de  compra direta, com dispensa de licitação, como mais uma frente de ação. É mister salientar que eventuais atrasos de pagamento a fornecedores na esfera pública em todo o País também têm dificultado a atratividade dos fornecedores, assim ocasionando muitas licitações desertas ou fracassadas”, complementou a Sesap.

A Secretaria Estadual sublinhou que alguns fornecedores se habilitaram ao  chamamento público da pasta em atenção ao apelo da Sesap feito com o argumento de que valores foram empenhados como 'garantia' de pagamento. “Alguns desses fornecedores têm se antecipado e já estão atendendo aos pedidos feitos na quantidade que tinham em estoque, enquanto outros itens seguem aguardando o fornecimento por parte das indústrias”, pontuou a pasta. 

“Vale ressaltar que vários itens  estão sendo contingenciados pelas indústrias e, portanto, continuarão em falta no mercado consumidor até que a produção esteja normalizada, o que se espera acontecer até o meio do próximo ano. Esta falta de insumos é uma realidade  vivenciada por praticamente outros estados e países, uma vez que a crise é globalizada”, ressaltou a Sesap, ao afirmar que não há suspensão de procedimentos nos hospitais por falta de medicamentos.

Natal registra falta de dipiriona injetável
A falta de remédios em hospitais e farmácias tem sido uma realidade em alguns Estados brasileiros, como São Paulo e Minas Gerais. No Rio Grande do Norte,  embora o problema não tenha chegado ainda à rede estadual, o desabastecimento já é sentido nas farmácias de Natal e nas unidades de Saúde da capital.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS/Natal) informou que há registros de falta  de dipirona injetável “devido à alta demanda na indústria farmacêutica, uma vez que o mercado não encontra insumos para produzir o medicamento diante da necessidade em todo o País”.

A pasta municipal informou que  aguarda a normalização dos referidos medicamentos junto aos fornecedores o mais breve possível e disse que existem alternativas “que podem ser utilizadas conforme prescrição médica”, como o Tramadol. 

A TRIBUNA DO NORTE questionou a SMS se há risco de faltar outros medicamentos, mas a Secretaria não respondeu. Nas farmácias da cidade, o desabastecimento registrado no final de abril era de medicamentos como  novalgina, dipirona e amoxicilina. Além dos serviços públicos, a reportagem entrou em contato com alguns hospitais da rede privada de Natal para saber se há falta de medicamentos nessas unidades.

O Hospital do Coração, a Unimed e a Promater disseram não registrar desabastecimento em seus estoques. Nenhum deles informou se há risco de falta de remédios. A Unimed afirmou que “os estoques estão temporariamente reestabelecidos” e que, “de acordo com os fornecedores, a dificuldade de abastecimento destes se dá pelo impacto da guerra [na Ucrânia] na importação/produção de aço e plástico, insumos necessários a produção dos itens. O Hospital Rio Grande não respondeu até o fechamento desta edição. 

Problema afeta a rede privadade Natal
A procura por analgésicos, antialérgicos e antibióticos em Natal está cada vez mais difícil. Medicamentos como novalgina, dipirona e amoxicilina estão em falta nas farmácias da cidade e a situação também impacta a rede pública de saúde. Segundo Leandro Alencar, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do RN (Sincofarn), três situações explicam essa baixa no abastecimento: falta de insumos para fabricação, o próprio calendário da indústria e a epidemia da gripe. Atualmente, não há previsão para normalização.
A situação começou a ser sentida em janeiro deste ano, período em que houve uma grande procura por medicamentos devido ao surto de gripe e aumento de casos de covid-19 na capital potiguar. Leandro Alencar explica que o problema é multifatorial, com variáveis esperadas e inesperadas. “Fizemos um levantamento junto com os fornecedores e também diretamente com a indústria e atrelamos essa falta de medicamento a três situações”, diz.

“A indústria tem um planejamento semestral e anual de produção e prevê férias coletivas que começam no dia 20 de dezembro até 20 de janeiro. Todo ano acontece alguma ruptura no fornecimento mas em pouca quantidade. Só que nesse período, com a epidemia de gripe gigantesca que enfrentamos, a procura por diversos medicamentos foi bem acima da curva. Nem as farmácias, nem os fornecedores, estavam preparados para esse crescimento”. 

Além disso, aponta que a indústria não teve como atualizar o distribuimento tão rápido quanto a necessidade da procura e vários insumos de fabricação que são importados estão em falta no mercado. Desse modo, não há matéria-prima para uma rápida resposta e também não há previsão para normalização do serviço. “Infelizmente, eles não dão previsão. A indústria está trabalhando de forma acelerada para tentar normalizar o quanto antes. Acreditamos que nos próximos 60, talvez 90 dias, esteja tudo regularizado, porém teríamos que ter a certeza que realmente vai ter matéria prima para fazer esse vazamento”, esclarece o diretor da Sincofarn.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte