Falta de políticas públicas afasta sertanejo do semiárido

Publicação: 2019-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

A seca que castiga o semiárido nordestino há mais de sete anos, ao contrário do que se supõe, não é o principal fator para explicar a dinâmica demográfica da região. De acordo com estudos do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais (DDCA) da Universidade Federal do RN, o movimento de emigração das populações para outros lugares está muito mais relacionado à combinação de questões econômicas com falta de políticas sociais. O estudo é coordenado pelo professor Ricardo Ojima, do DDCA/UFRN, e reúne dados de uma série de pesquisas e projetos iniciados em 2012. Os resultados serão apresentados em Paris, França, durante o 2º Congresso da Associação de Brasilianistas na Europa (ABRE) que acontece entre os dias 18 e 21 de setembro.

Falta de políticas públicas responsáveis pelo desenvolvimento da região tem sido uma das principais causas da emigração
Falta de políticas públicas responsáveis pelo desenvolvimento da região tem sido uma das principais causas da emigração

Para Ojima, “a interiorização do ensino público superior”, que atrai professores e corpo técnico para municípios afastados dos grandes centros, e contribui com a economia local a partir de um conjunto de serviços que passa a ser oferecido nessas cidades menores, “é vista como oportunidade para jovens adultos permanecerem em suas cidades de origem”. Benefícios sociais como o Bolsa Família, a Aposentadoria Rural, e o Benefício de Prestação Continuada (concedido a idosos e pessoas deficientes que não podem se manter) também contribuem para a fixação das pessoas no semiárido.

“A seca deixou de ser um fator determinante para o movimento de emigração. O maior impacto, que restringe a liberdade para escolher entre ficar ou sair de determinada região de origem, está na ausência de políticas de desenvolvimento regional e de redução das vulnerabilidades sociais”, afirma o professor e pesquisador Ricardo Ojima.

O estudo ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Norte, e também considera regiões do semiárido na Paraíba, no Piauí, Ceará e Pernambuco, totalizando um universo de 750 municípios. O ponto de partida da pesquisa, que faz parte do programa de pós-Graduação do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais da UFRN, foi o Censo 2010 elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Estamos na expectativa das informações do Censo de 2020 para compararmos os dados, e verificarmos as tendências na movimentação demográfica da região”, adiantou Ojima, destacando que a pesquisa “ainda está no nível de diagnóstico. São os primeiros estudos sistemáticos sobre demografia no semiárido nordestino, que vão subsidiar análises futuras”.

O professor disse que a área de Demografia e Ciências Atuariais é recente: o programa de pós-Graduação da UFRN foi criado em 2011, e só existem quatro núcleos semelhantes no Brasil. “O nosso o único do Nordeste”, valorizou Ricardo Ojima. As ciências atuariais estudam riscos financeiros e demográficos, cálculos de risco utilizadas por profissionais que atuam, por exemplo, com seguros, planos de saúde e previdência. Há interação do DDCA com outros departamentos da UFRN como Geografia, Economia e Ciências Sociais.




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