Falta medicação contra câncer de mama

Publicação: 2018-10-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Em meio à campanha mundial de conscientização contra o câncer de mama, 103 pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Liga Contra o Câncer estão sem receber a medicação “Trastuzumabe”, utilizado no tratamento da doença. Os repasses da droga são de responsabilidade do Ministério da Saúde. Em nota, o órgão federal afirmou que a produção do medicamento está suspensa em decorrência de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo o oncologista Roberto Sales, as consequências para o tratamento são graves
Segundo o oncologista Roberto Sales, as consequências para o tratamento são graves

Ainda segundo o Ministério da Saúde, 161 mil frascos-ampolas do medicamento estão sendo comprados de forma emergencial para serem transferidos para todo Brasil. Não há data definida para o medicamento chegar à Unidade Central de Agentes Terapêuticos do Estado (Unicat), que repassa para a Liga Contra o Câncer.

Segundo o superintendente da Liga, o oncologista Roberto Sales, o Trastuzumabe é utilizado no tratamento somente nos casos em que a célula cancerígena produz uma proteína chamada “HER 2”. Aproximadamente 30% das pacientes com câncer de mama da Liga sofrem com essa condição. “Para essas pacientes, não tomar o Trastuzumabe significa ter o tratamento incompleto. O medicamento é extremamente importante para quem precisa”, afirma Roberto Sales. “As consequências variam de acordo com o paciente, mas são sempre graves”.

O processo de aquisição do medicamento é mediado pela Unicat. A central cadastra, organiza e informa ao Ministério da Saúde a demanda mensal necessária para o tratamento de todas as pacientes. Todos os meses, o Ministério envia os frascos-ampolas pedido pelo órgão estadual. Para evitar fraudes, não existe a possibilidade de estocar o medicamento.

Com atraso nas transferências, o tratamento é afetado imediatamente. Caso se estenda por mais de um mês, as pacientes precisam recomeçá-lo do zero. “Todas sabem dessa situação e a gente orienta elas a pressionarem os órgãos, mas não há muito o que fazer”, acrescenta Sales. “Infelizmente, é uma situação que atinge quem, muitas vezes, não tem dinheiro nem para a passagem de ônibus”.

A dose é dada às pacientes a cada 21 dias, em média. Na maior parte dos casos, é utilizada junto com a quimioterapia. O medicamento é necessário nos três estágios do câncer de mama: inicial, localmente avançada e metastásica. Também é utilizado tanto no estágio pré-operatório, quanto no pós-operatório. Ainda segundo Roberto Sales, a primeira dosagem, no início do tratamento, é sempre dobrada.

As 103 atingidas são pacientes atendidas pelo SUS. A Liga atende 80% da demanda de pessoas com câncer do Rio Grande do Norte, tanto pelo sistema público quanto por planos de saúde privados. Nesse último, o custo é coberto pelo próprio plano de saúde e o remédio não é de responsabilidade da União. “Para quem é do SUS não há alternativa porque para a Liga ou para a Secretaria de Saúde é inviável pelo alto custo do medicamento”, declara Sales. Ele ainda acrescenta que, se fosse comprar individualmente, cada dose chegaria a custar R$ 7 mil reais.

Situação nacional
O TCU determinou a suspensão da parceria entre o Ministério da Saúde e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que produz o Trastuzumabe, por indícios de sobrepeço em compras recentes, no dia 2 deste mês. Segundo análise do Tribunal, o frasco-ampola da droga custou R$ 1.293,10, mas o valor adequado, utilizado em outras compras recentes, é de R$ 938,34.

Neste ano, a mesma droga faltou em outros estados do Brasil. Em Santa Catarina, cerca de 300 mulheres ficaram sem recebe-lo entre fevereiro e julho deste ano. Outro estado que sofreu a falta foi Tocantins, durante o mesmo período. No caso do estado catarinense, o Ministério da Saúde informou à época que os repasses estavam regulares. Para o Tocantins, limitou-se a informar que os estoques seriam reabastecidos em breve.

Segundo Roberto Sales, é a primeira vez que ocorre um atraso maior que o período de 15 dias. “Já houve  outras situações, mas esse é o período mais longo, que pode trazer mais consequências”, declarou. 

Para evitar o desabastecimento mais prolongado, o TCU também determinou que o Ministério da Saúde deve comprar 161 frascos-ampolas. Entretanto, 22 dias depois, a compra ainda não foi realizada. O órgão afirmou que o processo de compra foi iniciado.

Trastuzumabe
Trastuzumabe, conhecido comercialmente como Herceptin, é um medicamento necessário para o tratamento do câncer de mama, nos casos em que a célula cancerígena produz uma proteína chamada HER2.

103 pacientes com câncer de mama atendidas pelo SUS na Liga Contra o Câncer estão sem receber a medicação Trastuzumabe



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