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Natal
Faltam medicamentos em farmácias e na rede pública em Natal
Publicado: 00:00:00 - 29/04/2022 Atualizado: 20:36:54 - 28/04/2022
A procura por analgésicos, antialérgicos e antibióticos em Natal está cada vez mais difícil. Medicamentos como novalgina, dipirona e amoxicilina estão em falta nas farmácias da cidade e a situação também impacta a rede pública de saúde. Segundo Leandro Alencar, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do RN (Sincofarn), três situações explicam essa baixa no abastecimento: falta de insumos para fabricação, o próprio calendário da indústria e a epidemia da gripe. Atualmente, não há previsão para normalização.

junior Santos/arquivo tn
Falta de abastecimento atinge medicamentos como novalgina, dipirona e amoxilicina

Falta de abastecimento atinge medicamentos como novalgina, dipirona e amoxilicina


A situação começou a ser sentida em janeiro deste ano, período em que houve uma grande procura por medicamentos devido ao surto de gripe e aumento de casos de covid-19 na capital potiguar. Leandro Alencar explica que o problema é multifatorial, com variáveis esperadas e inesperadas. “Fizemos um levantamento junto com os fornecedores e também diretamente com a indústria e atrelamos essa falta de medicamento a três situações”, diz.

“A indústria tem um planejamento semestral e anual de produção e prevê férias coletivas que começam no dia 20 de dezembro até 20 de janeiro. Todo ano acontece alguma ruptura no fornecimento mas em pouca quantidade. Só que nesse período, com a epidemia de gripe gigantesca que enfrentamos, a procura por diversos medicamentos foi bem acima da curva. Nem as farmácias, nem os fornecedores, estavam preparados para esse crescimento”. 

Além disso, aponta que a indústria não teve como atualizar a distribuição tão rápido quanto a necessidade da procura e vários insumos de fabricação que são importados estão em falta no mercado. Desse modo, não há matéria-prima para uma rápida resposta e também não há previsão para normalização do serviço. “Infelizmente, eles não dão previsão. A indústria está trabalhando de forma acelerada para tentar normalizar o quanto antes. Acreditamos que nos próximos 60, talvez 90 dias, esteja tudo regularizado, porém teríamos que ter a certeza que realmente vai ter matéria prima para fazer esse aumento”, esclarece o diretor da Sincofarn.

Na Unifarma Alargamar, localizada no bairro de Ponta Negra, faltam medicamentos como azitromicina, amoxicilina, amoxicilina + clavulanato de potássio e cefalexina. O gestor comenta que praticamente 60% dos antibióticos estão em falta.

Na parte de analgésicos, comprimidos de dipirona, dipirona gota e em solução chegam em baixa quantidade. Em casos de medicamentos mais específicos, como antibióticos e psicotrópicos, orientam que os clientes procurem o farmacêutico ou até mesmo o médico para fazer a substituição.

“Faltou até vitamina C, hoje também não há Vick para comprar no mercado. É um pouco preocupante, nunca passamos por uma situação de mais 60 dias sem conseguir ter o produto e não ter uma previsão certa. Orientamos nossos clientes, por meio do farmacêutico, a fazer substituições quando possível. Por exemplo, se a receita for por dipirona, tentamos colocar o paracetamol caso o cliente não tenha alergia”, fala Leandro Alencar.

Na Drogasil do Barro Vermelho, zona Leste de Natal, a farmacêutica Clézia Natália comenta que faltam medicamentos como novalgina xarope,  amoxicilina + clavulanato, enterogermina, entre outros tipos de antibióticos. “Com a pandemia e essa situação política que estamos vivendo com a guerra na Ucrânia, a produção de medicamentos é afetada porque muitos insumos são importados e sentimos esse impacto no mercado interno”.

Como farmacêutica, a profissional reconhece que é um momento onde as substituições estão sendo muito sugeridas. “Estamos aqui justamente para dar essa alternativa ao cliente e propor uma solução. Existem inúmeros medicamentos e procuramos o mais adequado, que se assemelha ao que foi receitado, para resolver essa questão”.

Rede pública de saúde também sofre impacto
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou duas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos bairros de Tirol e Lagoa Seca, para averiguar se a falta de medicamentos também impactou a rede municipal de saúde. Nos locais, as direções responsáveis não esclarecem a questão. A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) se pronunciou por meio de nota.

Informaram que há falta de dipirona injetável, devido à alta demanda na indústria farmacêutica, uma vez que o mercado não encontra insumos para produzir o medicamento diante da necessidade em todo o país. Aguardam normalização dos referidos medicamentos junto aos fornecedores o mais breve possível.

“Contudo, existem alternativas que podem ser utilizadas conforme prescrição médica na rede assistencial do município, a exemplo do Tramadol (se for caso de analgesia). Em relação aos antibióticos, há em estoque Amoxicilina 50mg/mL que também pode ser utilizado em alguns casos como alternativa à Azitromicina conforme avaliação médica”, adicionam.

Na rede estadual, faltam 79 medicamentos que são distribuídos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (UNICAT). Desses, 35 estão em fase de licitação, 12 aguardam distribuição do Ministério da Saúde e 32 estão indisponíveis.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) confirma que há demora no envio devido a situação de falta de insumos no país. No entanto, informam que estão conseguindo dar conta na rede estadual com o quantitativo que já tinham e não falta dipirona na UNICAT. 
Quanto à rede privada de saúde, a Unimed Natal informou que, no momento, não há falta de medicamentos como amoxicilina, azitromicina ou dipirona injetável em suas unidades. Contatado, o Hospital Rio Grande não respondeu aos questionamentos sobre a situação do complexo hospitalar até o fechamento da matéria.

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