Famílias do 8 de Março devem receber moradias até dia 30

Publicação: 2017-11-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Jéssica Petrovna
Repórter

A transferência dos moradores do assentamento 8 de Março para apartamentos  do condomínio Village de Prata, construído com recursos do Programa federal Minha Casa Minha Vida não deve acontecer na próxima segunda-feira (20) como estava previsto, desde o incêndio que deixou 91 famílias desabrigadas na comunidade localizada no bairro Planalto, na zona Leste de Natal. A informação foi adiantada pelo secretário municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes (Seharpe), Calrson Gomes, que ressalta o esforço que está sendo feito para garantir a mudança até o fim deste mês. A tragédia ocorreu há exatos 40 dias.

Famílias que continuam morando no assentamento 8 de março recebem quentinhas diariamente
Famílias que continuam morando no assentamento 8 de março recebem quentinhas diariamente

A promessa inicial era de que os moradores da região fossem transferidos em dezembro, mas o cronograma precisou ser adiantado devido ao incidente e, desde o dia 04 de outubro, quando a comunidade foi atingida pelo incêndio de grandes proporções, a prefeitura tenta resolver questões burocráticas para antecipar a mudança. Calrson Gomes explica que o calçamento dos acessos pelas das ruas João Hélio e Araguaiana, bem como a finalização das obras na frente do condomínio foram o principal entrave para liberação do habite-se (certidão que comprova que o imóvel está pronto para ser habitado com base na legislação). Essas são exigências cobradas pela Caixa Econômica Federal em cumprimento às regras para a liberação dos imóveis do Minha Casa Minha Vida e, somente após a emissão do documento, os contratos poderão ser assinados.

De acordo com o secretário, o acesso da rua João Hélio já foi concluído e as obras na rua Araguaiana e na fachada do condomínio estão em fase de conclusão. O projeto prevê a entrega de 1.792 apartamentos. Metade foi liberada por sorteio para famílias com renda de até R$ 1.800 – faixa 1 do Programa. A outra metade foi distribuída entre moradores do assentamento 8 de Março e de outras regiões em vulnerabilidade social, como as comunidades do Fio e do Alemão. Do total de moradias, 448 devem ser entregues até o final deste ano e as demais até abril de 2018.

Enquanto as questões burocráticas estão sendo resolvidas, 20 famílias ainda estão alojadas no Centro de Atenção Integrada à Criança (Caic), na Cidade Satélite, Zona Sul de Natal. Lá, as famílias contaram com o suporte de oficiais do Exército, que auxiliaram na manutenção do local e nas refeições durante os 15 primeiros dias que seguiram o incêndio.

Agora, 40 dias após a tragédia, que começou com uma panela esquecida no fogão e se alastrou, as famílias revezam as atividades domésticas no abrigo improvisado. É o que explica o representante do MLB (Movimento de Lutas dos Bairros), Hudson Batista de Melo, que também era morador da região e está alojado no Caic junto com sua mulher e o filho com pouco mais de um ano. Ele e sua esposa estão desempregados e moravam no assentamento 8 de Março há cerca de dois anos. Segundo Hudson Batista, as principais dificuldades para quem está abrigo no Caic ainda são alguns “conflitos causados pela coletividade do ambiente”, mas a situação “é considerada tranquila em comparação ao que já esteve”.

Nos primeiros dias após o incêndio, o abrigo improvisado pela prefeitura alojava 25 famílias, que somavam 68 pessoas. Destas, cinco voltaram para o assentamento ou se mudaram para a casa de parentes enquanto aguardam a solução definitiva que será a transferência para os apartamentos.


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