Famosa, Mossoró exportando para o mundo

Publicação: 2020-09-18 00:00:00
Elviro Rebouças
Economista e empresário 

No malsinado ano da pandemia da COVID 19, A Agrícola Famosa, de empreendedores paulistas, mas há vinte cinco anos com sede em Mossoró,  prevê alta de 13% na receita em 2020, devendo alcançar R$ 700 milhões, com a  abertura do mercado chinês ao melão do Brasil, em janeiro, trouxe perspectivas até há pouco inimagináveis para a  maior exportadora da fruta nacional, com sede em Mossoró (RN). Com o primeiro embarque à China previsto para agora , início de outubro, a empresa acredita que o país asiático se transformará no principal destino dos embarques em poucos anos, ultrapassando a Europa, que hoje absorve 95% das vendas externas, anima para novas apostas da companhia, como o plantio de trigo e algodão irrigados no sertão de Apodi, penetrando no Estado do Ceará. A Famosa é constituída pelos empresários  Luiz Roberto Barcelos, Presidente da ABRIFRUTAS, e Carlo Porro.

Segundo Carlo Porro, CEO e sócio fundador da Famosa, o melão e a melancia, outra fruta produzida pela companhia, são extremamente hidratantes e, por isso, muito procuradas em momentos de preocupação com a saúde. Dessa forma, as vendas internas e externas não pararam de crescer desde que o novo coronavírus começou a se espalhar. Com isso, o executivo estima que o faturamento da empresa deverá subir 13% neste ano ante 2019, para R$ 700 milhões. A participação das exportações da receita, que foi de 60% em 2019, deverá subir para 70%.

“Além da covid-19, o câmbio tem sido favorável para as vendas externas, e não deixamos de aproveitar a oportunidade”, afirma Porro. Segundo ele, neste início de safra de melão a Famosa já fechou contratos equivalentes a 300 contêineres, um recorde. O plantio da fruta ocorre em agosto, e a colheita será em fevereiro. Nesta temporada, a expectativa é que sejam exportadas 8,5 mil toneladas para a Europa, onde a empresa já atua há 25 anos. O Oriente Médio, para onde exporta há seis anos, deverá responder pelos 5% restantes das vendas externas.

 Uma só sensação para Luiz Roberto Barcelos e Carlo Porro “Estamos começando os embarques para China com três ou cinco  contêineres experimentais. Mas temos  certeza que tudo correrá bem e, como tudo na China é enorme, em três ou quatro safras o país pode superar as compras europeias”, afirmam. As variedades e o tratamento para o transporte das frutas destinadas ao país asiático são diferentes, uma vez que a viagem para lá leva mais tempo - cerca de 30 dias.

Com seu carro-chefe em expansão, a Agrícola Famosa foi “provocada” a aproveitar uma nova oportunidade: o uso das terras vazias no inverno para o cultivo de trigo e algodão. O empresário Alexandre Sales, da Santa Lúcia Alimentos, os  incentivou a criar oportunidades de negócios durante o período de inverno - e, portanto, de chuvas - na região. O melão e as outras frutas não gostam de chuva e as terras ficavam vazias e/ou com sorgo, apenas para rotação. Agora estão saudáveis e úteis de janeiro a dezembro. Assim, neste ano, pela primeira vez, a Fazenda Macacos, situada no município  de Apodi, recebeu sementes de trigo em 5,5 hectares e de algodão em outros 15. No total, a empresa tem 30 mil hectares de terra e cultiva frutas em 12 mil.

“A colheita de trigo e algodão começou e, ao que tudo indica, a produtividade está ótima nas lavouras, com o trigo acima de 5,5 toneladas por hectare”, comemoram os executivos. Ambos os cultivos aproveitam o sistema de irrigação por gotejamento usado para a produção de frutas. De acordo com Porro, os custos de produção também ficaram abaixo do esperado. “Não fiz os cálculos ainda, mas ficaram menores que o previsto. Temos uma estrutura gigante para sustentar mesmo no inverno, quando não tínhamos  receita. Esses cultivos são perfeitos do ponto de vista financeiro e de aproveitamento de terras”, afirma ele. A Famosa tem 2 mil funcionários fixos e chega a reunir 6 mil durante o período de colheita das frutas. Porro e Barcelos , eufóricos,  dizem  que fecharam  contrato de fornecimento antecipado de trigo com a Santa Lúcia Alimentos e, no caso do algodão, com a Santana Têxtil. Por causa dos bons resultados, é praticamente certo que a área de cultivo de trigo crescerá 100 vezes no ano que vem, para cerca de 500 hectares. E o mesmo deverá acontecer com o algodão. Em termos de  boa economia, significa Mossoró falando para todo  o Mundo! Santa Luzia, padroeira,  com sua luz, guiará tal prosperidade!








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