Farra de gastos públicos acabará com o Estado mínimo

Publicação: 2018-03-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Palestrante do 34º Seminário Motores do Desenvolvimento, o empresário Flávio Rocha tem uma visão clara do que defende como caminho para um novo Brasil: “uma economia amplamente liberal aliada a valores conservadores”. Tendo lançado, em fevereiro deste ano, o Manifesto Brasil 200, o presidente da Riachuelo acredita que apenas através do livre mercado o país poderá voltar a crescer, gerar empregos e aumentar sua competitividade.

Para ele, há uma tendência mundial em eleger governos que defendam abertamente o Estado mínimo e o liberalismo. Na América Latina, cita ele, há os exemplos de Maurício Macri, eleito na Argentina, de Pedro Pablo Kuczynski, no Peru, e de Sebastián Piñera, no Chile. O empresário e vice-Presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV) não poupa críticas à intervenção do Judiciário brasileiro em iniciativas do mercado e à burocracia estatal que, segundo disse, põe “amarras” no empreendedor brasileiro. Confira e entrevista do empresário concedida à TRIBUNA DO NORTE, no dia do evento.



Que cenário o senhor vislumbra atualmente no Brasil?
Continuo mantendo meu otimismo. Seis meses atrás a gente achava que sabia o que ia acontecer: a gente ia encerrar um triste ciclo de decadência econômica, no qual o Estado estava crescendo demais e com muitos gastos públicos. Imaginávamos, a exemplo do que aconteceu na Argentina, no Chile e no Peru, que a gente ia realmente construir um país de economia mais livre, com democracia aliada ao livre mercado.

Às vésperas das eleições, no entanto, o quadro é assustador. As pesquisas hoje mostram que, se acontecessem hoje, nós viveríamos um retrocesso. Colocaríamos o país novamente nas mãos daqueles que fizeram todo esse estrago na nossa economia. Por isso o Movimento Brasil 200 existe: para colocar em pauta essas ideias, para alertar a maioria da população brasileira, que é quem produz, os perigos desse cenário. O conflito hoje não é pobre contra rico, capital contra trabalho. O conflito é entre quem puxa a carruagem, ou seja, essa maioria da população que produz, e aqueles que estão instalados nessa carruagem estatal, curtindo essa imensa farra de gastos públicos.

E qual seria o caminho para acabar com essa “farra de gastos públicos”?
Precisa reproduzir aqui a fórmula que deu certo no mundo todo: reduzir o tamanho do Estado. O Estado brasileiro só cresce. O Estado praticamente duplicou de tamanho em pouco mais de 15 anos. Precisamos tornar o ambiente de negócios menos assustador, menos hostil ao investidores. O Rio Grande do Norte já perdeu 20 grandes empresas por causa de perseguição. Gente que diz que defende o trabalhador, o consumidor mas que, na verdade, está defendendo a sua ideologia. Uma ideologia fracassada, que deu errado. Aquela pessoa que diz se orgulhar de ter expulsado, do Rio Grande do Norte, 20 grandes projetos turísticos estava servindo ao meio ambiente? Coisa nenhuma. Aquelas áreas privilegiadas que poderiam ser grandes projetos turísticos, gerando emprego e renda, hoje são grandes favelas, compostas justamente pelos desafortunados que não tiveram emprego e, por isso, estão excluídos, à margem da sociedade.

O nome de seu Manifesto [Brasil 200] faz referência aos 200 anos da independência brasileira, comemorados em 2022, ano que coincide com o fim do próximo mandato eleitoral do presidente eleito esse ano. O que você espera para 2022?
Acredito que a gente vá ter um país que não só esteja comemorando os 200 anos de libertação da Coroa Portuguesa, mas em 2022 quero também estar comemorando a libertação de uma instituição muito mais opressora e destrutiva do que foi a Coroa, que é o Estado brasileiro. O Estado brasileiro é uma máquina de destruição de valor que já se apropria da metade do que cada brasileiro gera de riqueza para subsidiar seus próprios privilégios, super salários, aposentadorias precoces. Precisamos, antes de mais nada, reprojetar o Estado brasileiro para que ele sirva à população, porque hoje o Estado só existe para servir a seus funcionários fantasmas e privilegiados. Em segundo lugar, o Estado precisa perder essa mania de achar que tudo que ele faz de ruim para o empresário é bom para o trabalhador, porque a realidade é o contrário. Quando o Rio Grande do Norte se transforma, quase que anedoticamente, em um ambiente tão hostil às entidades empresariais, e nós divulgamos isso, vemos que nas entidades empresariais quase todo mundo tem a sua própria história de horror, de perseguição para contar.

Muitas empresas simplesmente botam a viola na sacola e vão embora para investir em outros Estados, como a Alpargatas, por exemplo. Nós estamos insistindo porque somos apaixonados por esse Estado. Meu pai, que está fazendo 90 anos e trabalha desde os 12, quando fugiu da seca em Caraúbas é um símbolo desse amor, porque qualquer outro empresário já teria fugido, cansado das perseguições que nós sofremos aqui. Com as riquezas naturais que nós temos, é fácil tornar o Rio Grande do Norte e o Brasil ambientes receptivos ao investimento. Não há outro caminho para a prosperidade.

No âmbito da política econômica, que medidas você enxerga como essenciais a serem realizadas no momento para garantir a retomada do crescimento nacional?
Sem sombra de dúvidas as reformas. Já demos um grande passo que foi a Reforma Trabalhista. Acho que foi a maior conquista que o trabalhador conseguiu. Ela vai fazer o Brasil subir 30 degraus no ranking de competitividade. Isso significa mais investimento, mais geração de emprego. Mas a Reforma Trabalhista, por si só, não é suficiente: tem que fazer a Reforma Fiscal, tem que fazer a Reforma da Previdência e a Reforma Política. Nós temos capacidade de sair da lista dos países mais hostis ao investimento. Atualmente estamos entre os 30 países mais hostis ao investimento, ao lado de lugares como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, que são alguns dos lugares mais pobres e mais decadentes do mundo, justamente por tratar mal o investimento. Se fizermos as reformas, podemos entrar naquele pelotão de países prósperos, que são economias livres. A ligação é total: economias livres são prósperas, economias hostis ao investimento são decadentes, representam o caminho para a pobreza.

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