Fase atual da pandemia requer cautela, diz especialista

Publicação: 2021-01-23 00:00:00
Depois dos primeiros 20 dias de 2021, a situação da pandemia da covid-19 no Rio Grande do Norte começa a dar sinais de queda, apesar do vírus continuar infectando e matando em todo o Estado que, até esta sexta-feira (22), já tinha confirmado 134.010 casos e 3.223 mortes. A semana, no entanto, começou com um sentimento de ânimo na população devido à chegada da primeira remessa da vacina Coronavac/Butantan, que começou a ser aplicada nos trabalhadores da saúde que estão em situação de maior exposição ao vírus, contudo, o momento é de cautela e de atenção.

Créditos: Magnus NascimentoVacinas em idosos abrigados serão aplicadas a partir de segundaVacinas em idosos abrigados serão aplicadas a partir de segunda

A orientação é da infectologista Marise Reis de Freitas, professora do Departamento de Infectologia da UFRN e pesquisadora do Laboratório de Inovação Tecnológica da universidade (LAIS/UFRN). Ela destaca que vivemos um novo momento da pandemia que requer muita atenção em virtude dos fatos novos, já que o aumento do número de casos desde outubro passado se assemelha ao que aconteceu no primeiro semestre de 2020, início da pandemia, mas sem a mesma mortalidade. 

“Isso é um fato que merece nossa atenção e análise do significado disso para saber se vamos nos expor a um risco de mortalidade maior. Ainda não temos como dizer se vai ser diferente com menos ou mais mortes. É um momento de observação", pontuou a infectologista, integrante do Comitê Científico que assessora o governo do Rio Grande do Norte sobre as decisões relacionadas à pandemia.

A ideia de preservar as pessoas dos grupos de maior risco de contrair a forma grave da doença (idosos e pessoas com comorbidades) ainda é a mais indicada para que se possa atravessar essa fase de uma forma mais tranquila com vagas disponíveis no sistema hospitalar. “Isso é o que preocupa: a falta de leitos. Nesse momento, temos vagas e precisamos ter cautela para continuar assim", frisou Marise.

Até a quinta-feira passada (21), a taxa de ocupação dos leitos críticos (UTI e semi-intensivos) estava em 57,2% na rede pública e 48,3% no sistema particular de saúde. Já a taxa de distanciamento da população  ficou em 38,4%. Entre os que se infectaram, 45% têm entre 30 e 45 anos e 14% declararam possuir alguma comorbidade.

Como não foi verificada nenhuma variante do vírus no Estado, o aumento dos casos é atribuído às aglomerações políticas e, mais recentemente, às festas de fim de ano, que foram o novo fato desde o início da pandemia. Apesar disso, ainda não se pode concluir se o cenário de piora nos índices vai se concretizar. “As pessoas que participaram das festividades, se foram infectadas, estariam se internando agora e o que parece é que não houve o aumento que prevíamos. Aquela expectativa parece que ainda não se concretizou. Teve um número de casos que subiu e começamos a cair um pouco, mas eu diria que o momento atual é de ficarmos muito alertas para termos clareza de qual será o caminho que vai se delinear nos próximos dias", enfatizou Marise Reis.











Leia também: