Economia
Fast food: hambúrguer é preferência potiguar
Publicado: 00:00:00 - 23/01/2022 Atualizado: 16:00:23 - 24/01/2022
Letícia Medeiros
Repórter

Um levantamento da plataforma de entregas iFood apontou o hambúrguer como a comida mais pedida pelos brasileiros em 2021. Ao todo, foram mais de 100 milhões de pedidos, o que corresponde a uma média de quatro lanches por segundo. Apesar de os dados não trazerem recortes regionais, os números não mentem: o hamburger também é uma preferência para o consumidor potiguar.

Ana Lourdes Bal
Empresária Flávia Aguiar elaborou cardápio com hambúrgueres para público vegetariano

Empresária Flávia Aguiar elaborou cardápio com hambúrgueres para público vegetariano


Um bom termômetro para isso é o número de estabelecimentos abertos para a venda do alimento em Natal. Dados da Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte (Jucern) mostram que a  capital potiguar atualmente conta com 2.928 lanchonetes, um aumento de 12% nos últimos cinco anos, quando estes empreendimentos saltaram de 2.571, em 2017, para o número atual. Do total de lanchonetes em Natal, 2.144 foram registradas por microempreendedores individuais (73%) com empresas de pequeno, médio e grande porte correspondendo a 27% do número total, com 784 registros. 

Para a empresária Flávia Aguiar, proprietária da Goodala Burger, a aposta são os pratos veganos. Para ela, a praticidade é um fator que atrai muitas pessoas para escolher essa refeição. O estabelecimento é o único do tipo em Natal que trabalha com ingredientes totalmente livres de origem animal.  "A ideia do hambúrguer é de uma comida rápida. As pessoas tem pressa e hoje temos inúmeras combinações. A cultura do comer hambúrguer não é brasileira mas nós abraçamos por ser algo mais prático e despojado. Além disso, durante a pandemia, desenvolvemos uma embalagem em que o cliente não precisa sujar nem um prato para comer".

Ana Lourdes Bal
Não é uma coisa maléfica como diziam antigamente, diz Michargan Faraday, da B-Burguer

Não é uma coisa maléfica como diziam antigamente, diz Michargan Faraday, da B-Burguer


Responsável pela unidade da marca B-Burguers em Natal, fundada pelo influenciador digital Carlinhos Maia, o empresário Michargan Faraday  avalia que, em Natal, o mercado está bem competitivo. "Todos tem seu carro-chefe e eu vejo que tem espaço para todos, espero que muitos cresçam nessa área. Hoje, o hambúrguer não é só uma coisa maléfica como diziam antigamente, as pessoas vêem como um lanche bacana, é um jantar legal", diz Michargan.

Diferencial potiguar 

Com 37 anos de história, a empresa potiguar Pittsburg se destaca no mercado e compete diretamente com grandes redes multinacionais. Um pequeno ponto na Avenida Prudente de Moraes virou uma rede de oito lojas, que hoje estão presentes na capital potiguar, Mossoró e São Miguel do Gostoso. Para o diretor da marca Kayo Carvalho, o mercado potiguar tem procurado adaptar a montagem do hambúrguer para atrair o público local.

Ana Lourdes Bal
Diferencial potiguar, diz Kayo Carvalho, diretor da rede Pittsburg

Diferencial potiguar, diz Kayo Carvalho, diretor da rede Pittsburg


"Nosso hambúrguer mais vendido é o próprio Pittsburg, que é um sanduíche mais completo com queijo, presunto, bacon e ovo. Acredito que isso é um pouco do diferencial para essas grandes redes que não trabalham esses produtos. O potiguar tem um gosto especial para isso", diz.

Segundo ele, buscar um diferencial para se aproximar do gosto  do consumidor potiguar foi o principal diferencial da marca ao longo dos anos. 

"Quando as grandes redes chegaram, nós sentimos um pouco mais como já estávamos consolidados no mercado conseguimos manter a qualidade e o nosso padrão que sobressaia. Nosso produto é um produto todo artesanal, feito diariamente aqui mesmo em nossas cozinhas de produções.  Nosso molho é especial da casa, um carro chefe que o pessoal gosta muito, e vai fresquinho para a mesa do cliente", comenta o diretor do Pittsburg.

Paulo Arsand, instrutor e consultor de gastronomia do Senac RN, aponta os principais desafios da área de alimentação e como os empreendedores podem alcançar o sucesso. "O mercado é um pouco mais complexo porque o seu produto tem uma validade pequena. Aconselho que os empreendedores contratem profissionais que  possam ajudar na criação desse projeto, um chef de cozinha de qualidade ou um consultor que tenha experiência na área", explica.

Além disso, saber fazer o básico de forma satisfatória é algo essencial na capital potiguar. Segundo o consultor, o plano de negócios tem que ser embasado  para diminuir custos e desperdícios, facilitando o fluxo de trabalho. Ter um cardápio de qualidade e inteligente com um espaço que encaixa na proposta, bem como uma estrutura de cozinha que facilite a produção, são passos iniciais que fazem a diferença. Caso tenha interesse em trabalhar com entrega, o serviço de delivery deve ser bem pensado para evitar problemas de atraso e embalagem.

"Não precisa reinventar a roda para criar um hambúrguer, que é algo saboroso por mais simples que seja. Tendo um bom blend de carne e queijo, um bacon crocante e um pão gostoso eu já tenho um hambúrguer excepcional. Para melhorar ainda mais, o próximo passo é aperfeiçoar tanto o atendimento presencial quanto o delivery, pensar em novos sabores e trabalhar a presença do negócio nas redes sociais", comenta.

Hamburguerias atentas ao gosto do cliente

Novidade na capital, a rede The B-Burgers, com pouco mais de um mês de funcionamento, é tocada pelos empresários  Michargan Faraday e Anderson Paulino. A marca tem um ponto no bairro de Capim Macio e devem abrir uma unidade no Partage Norte Shopping em fevereiro. O trabalho dos dois começou quando ainda moravam em Portugal, onde eram empregados no setor de serviços gerais. Ao planejar a volta para o Brasil, surgiu a oportunidade de empreender.

No B-Burgers, o diferencial é o ponto da carne e o pão brioche. O blend do nosso hambúrguer também é um destaque. "Quem experimenta, sente algo diferente. Trabalhamos com três tipos de molho para os clientes, e não temos a maior variedade no cardápio mas temos a melhor qualidade", comenta. Na unidade, o item mais vendido é o “Carlinhos Maia”, que tem bacon, carne 150g e cebola caramelizada. 

À frente do Goodala Burger desde 2017, a  empresária Flávia Aguiar explica que o empreendimento surgiu a partir dessa demanda específica. "Na época, existia uma dificuldade em sair e encontrar algo vegano, não tinha nada muito acessível. A proposta do Goodala sempre foi oferecer uma boa comida e experiência, que as pessoas comam algo que não tem nada de origem animal e se surpreendam pelo sabor. Além disso, também conseguimos atingir aqueles que possuem restrições alimentares, como os intolerantes à lactose. O feedback é muito legal porque 80% dos clientes não são veganos nem vegetarianos, o que para mim é surpreendente. Já recebi comentários do tipo 'melhor hambúrguer que comi na vida' de pessoas que comem carnem. Tenho isso como um propósito pessoal, é o que me faz manter esse lugar forte", explica.

Com oito opções de hambúrgueres veganos e cinco opções de cachorro quente (not-dog), os mais pedidos no Goodala são o Digo, hambúrguer de lentilha e couve flor que leva maionese de bacon, cebola caramelizada e crocante de macaxeira, e o Lorys, um hambúrguer crocante de grão de bico, acompanhado por uma maionese de alho poró, queijo vegetal e cebola marinada. "Acho que a melhor forma de introduzir uma comida vegana é com leveza e sem julgamentos, mostrando que é possível. Tento deixar o meu cardápio o mais saboroso possível e as pessoas se encantam. Ninguém aqui vai ser criticado por consumir produtos animais, minha intenção é acolher. Somos um lugar de resistência e total empreendedorismo feminino", finaliza.

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