Fatos e lendas

Publicação: 2019-06-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor

01) O monsenhor Humberto Bruening, vigário de Mossoró até o último dia de vida, era amado e respeitado por todos. Como descendente germânico, herdou o jeitão de “ouvir muito e falar pouco”. Certa feita, observava o trabalho que um pedreiro seu contratado fazia no altar-mor da catedral. O servente foi chegando com argamassa e disse: “Padre Humberto, só se fala no ouro de Serra Pelada”. E, depois, de rápida pausa: “Eu tou pensando, agora no final do ano, me casar e ir embora pro Amazonas. O que o senhor acha?”. Padre Humberto no alto dos seus dois metros de altura e 70 anos de experiência, alfinetou: “Você vai fazer duas bostas de uma vez só”. Assim mesmo o monsenhor fez o casório e não cobrou nada.

02) Mesmo perdendo a eleição para prefeito de Apodi, Tilon Gurgel não demonstrava mal humor. Chegou em casa e falou para a esposa: “A próxima eleição eu não perco pra ninguém”. “Mas Tilon”, disse a esposa, “Você perdeu, ontem, pra Lucas Pinto, não sei por quantos votos! O que é que você vai fazer?”. “Já contei por quantos perdi”, consolou Tilon, “se eu “alistar” todos os meus filhos, eu ganho disparado na próxima...”.

03) É sabido e consabido que o majó Theodorico Bezerra tinha suas técnicas de comandar a política em sua região e alhures. As suas façanhas viraram lendas. Os seus adversários acusavam-no de dividir as cédulas em duas partes. Quando o eleitor pedia um par de sapatos, ele fornecia o do pé esquerdo e o outro só depois do resultado da eleição. Em determinado pleito o majó estava encaminhando o seu povo para votar. Era o tempo das chapinhas. O eleitor já saía preparado. E para teatralizar ainda mais o compromisso do voto, Theodorico solenizava: “Venha, compadre João. Leve essa chapa e bote na urna. Corra, homem, que você já está atrasado!”. Na volta, o eleitor encabrestado resolveu perguntar: “Majó, eu votei em quem pra governador?”. Matreiro, o deputado aconselhava: “Ora, compadre, deixe de fazer pergunta. O voto é secreto...”.

04) O deputado Valmir Targino contava que um conterrâneo havia ido com a esposa a vários médicos de Fortaleza, Recife e só em João Pessoa encontrou a cura da mulher. “Compadre”, dizia para Valmir, “que doutor bom, cabra novo, mas não tem parelha não. Minha velha ficou curada”. “E que remédio foi esse compadre João?”, indagou Valmir. “Homem, o nome do bicho é imoral”. E cochichando no ouvido do deputado: “É um tal de ‘na xerequinha””. Valmir lendo o receituário tirou a dúvida: “Nebacetin, pomada vaginal”.

05) O professor Luiz Soares, considerado o “pai do escotismo” no Rio Grande do Norte, dependendo do momento, uniformizava-se de forma impecável. Um dia, precisou ir ao quartel da Polícia Militar do Rio Grande do Norte onde tentaria conseguir um ônibus para excursão. Um soldado novato estava de serviço. O coitado não havia assimilado ainda a problemática das patentes. Um colega seu passara pouca coisa. Por exemplo: duas estrelas, três estrelas, em seguida, o tratamento, prestar continência, apresentar arma, coisas dos milicos. Luiz Soares chega, enfim, ao corpo da guarda. A sentinela, vendo aquele homem com quase dois metros de altura, porte altivo, estrelas e medalhas por todo o peito, ficou atordoado. Deu dois passos à frente, ajoelhou-se e estendeu a mão: “Abenção, meu pai!.”.

06) No tempo em que Tibau era praia (hoje virou cidade), o dr. José Holanda, de Mossoró, consultava no alpendre o “velho lobo do mar” João de Chagas. “O que o senhor tem?”, perguntou o médico. “Doutor, eu tenho uma dor vinda dos gorgomilos do peito e responde na cruz entre uma pá e outra”. “E o que tem mais?”, indagou o médico. “Fora isso”, continuou João das Chagas, “tenho uma rural 68 e Chica Coco, uma quenga lá de Macau. Mas só vou lá por quinzena”. Para o doutor foi mais difícil achar o diagnostico do que a rapariga de João das Chagas.




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